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Catherine Moraes
Muniki Dias
Goulart, 25 anos, sobrevivente do incêndio em um apartamento no Setor
Oeste na última quinta-feira (29/9), teve o número de visitas reduzido pela direção do hospital onde está internada. Na tarde de
terça-feira (4/10), o hospital São Salvador restringiu o número de visitas para duas pessoas de cada vez, ao invés
de quatro, a pedido da jovem. Funcionários do hospital informaram que a
medida garante maior segurança à paciente, que corre risco de pegar infecções, devido à
gravidade dos ferimentos. Muniki sofreu queimaduras, sobretudo nas mãos e nos pés, além de fraturar o quadril em três lugares, devido à queda de 36 metros.
O médico
de Muniki, Alexandre Amaral, preferiu não falar com a imprensa. Vizinha de apartamento e personagem da tragédia, ao salvar das chamas o pai de Muniki, João Goulart, Teresinha Francilina de Barros,
76 anos, esteve no hospital. Segundo ela, Muniki contou que está chorando muito e que está abalada com a perda do marido,
Eduardo Augusto de Araújo Silveira, 32 anos, que também pulou do apartamento durante o
incêndio. A saúde dos pais também é motivo de tristeza.
João de
Oliveira Goulart, 49 anos, pai de Muniki, segue internado no Hospital de Queimaduras,
em coma. Os médicos só realizam troca de curativos, preparando-o para a raspagem da pele. Com cerca de 80% do corpo ferido pelas chamas, ele precisa
também de doação de qualquer tipo de sangue e os interessados em ajudar podem
se dirigir ao hospital de Queimaduras. A esposa, Kátia Maria Dias Goulart, 51, permanece
internada em estado estável.
Questionamentos
No prédio
onde aconteceu o incêndio, localizado na Avenida G, próximo ao Hospital Geral
de Goiânia (HGG), as dúvidas, preocupações e reclamações são várias. A
principal reclamação se refere à falta de comunicação entre a administração e
portaria com os moradores do local. Os moradores afirmam que não foram avisados
sobre o incêndio e quem tentou acionar o alarme, não conseguiu devido à
resistência do vidro que o protege. Os elevadores que deveriam ser desativados,
permaneceram ligados no momento do acidente.
No local, o
odor ainda é intenso e de acordo com Teresinha, a visita de moradores ao
apartamento é grande. A porta do apartamento incendiado teve de ser amarrada
pelo porteiro e as marcas das labaredas permanecem pelo corredor e também na
porta dos vizinhos de andar.
Um morador,
que não quis se identificar, se mostra indignado com a falta de preparo dos
responsáveis pela portaria. “Não estou questionando especificamente sobre quem
estava trabalhando no momento, mas falo de uma forma geral. Quando acontece uma
coisa desse tipo os moradores deveriam ser avisados, pelo interfone por
exemplo. O porteiro poderia ter acionado o alarme e ligado para os bombeiros já
que, emocionalmente, era o menos envolvido com o caso.”
Os
moradores se intrigam ainda com um rapaz que correu no momento do acidente e
que poderia ter saído de dentro prédio. Quatro condôminos afirmam que viram um
rapaz alto, com cabelo arrepiado e segurando algum objeto não identificado. Ele teria se perdido entre os bombeiros e fugido á pé. Um morador, que não quis se identificar, disse que a polícia chegou a procurá-lo
mas não encontrou.