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Mulheres de branco

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01.07.2011 - 17:16:57

 

Um dos meus posts no Facebook que mais causou polêmica transcrevo abaixo:
 
“Acho muito cafona babás de branco. Não as babás, as patroas.”
 
Pronto. Mexi no vespeiro. Até hoje encontro amigas que vêm falar comigo sobre esse comentário. Muitas indignadas. São ótimas patroas, tratam as babás como um ente querido, a roupa branca é pelo asseio, é para a babá não se vestir como uma periguete, é porque….
 
São inúmeras as justificativas e todas são legítimas. Mas eu ainda fico triste quando vou a um parque , shopping ou clube da cidade e me deparo com tantas moças uniformizadas como enfermeiras. Acho segregador sim. Para mim é um resquício da escravidão, período da história em que tinha gente que era dona de outra. É óbvio que a intenção não é essa, mas resquícios são assim, vão arrumando uma brecha dentro de você e logo estão instalados totalmente sem a gente se dar conta que nosso comportamento foi moldado por eles. 
 
Vá a um País europeu ou mesmo aos Estados Unidos (também de passado escravista) e veja quantas mulheres de branco você encontra nos parques locais. Ou mesmo em um país hermano, tipo Argentina, com tantas complexidades como o Brasil. Não me lembro de ter visto a figura da babá de branco e sim pais e mães compartilhando bons momentos com seus rebentos em um dia de lazer.

Abra as revistas de celebridades e veja quantas babás de branco aparecem ao lado das artistas gringas. Provavelmente nenhuma. Agora, abra a mesma revista e veja as celebridades locais no Baixo Bebê, no Rio, devidamente acompanhadas do pimpolho e da mulher de branco. Aliás, o Rio de Janeiro deve ser a campeã mundial de mulheres de branco por metro quadrado.
 

E vou mais além: o que está acontecendo com os pais da nossa geração que não colocam o pé para fora de casa para curtir um dia com os filhos, sem precisar de ajuda? Domingão de sol e você vai a um parque e ao invés de encontrar famílias se divertindo encontra babás brincando com crianças. Está certo que a vida é corrida, a gente está cada vez mais estressado ou quer fazer programas de adultos com adultos e sem crianças. Mas para mim está acontecendo um exagero.
 
Parece que a criança virou um acessório para ser exibido. Mas na hora de curtir, cuidar, passear e brincar tem uma outra pessoa que toma o seu lugar de mãe ou pai.
 
Hoje em dia é assim, a babá da semana deixa o trabalho no sábado às 15h e às 15h01 chega a “folguista” para a troca de turno. Aliás, essa palavra folguista só conheci há pouco tempo, quando entrei para o mundo maravilhoso da maternidade. Nunca tinha escutado antes.
Sei que as palavras acima vão parecer duras ou injustas para uma grande parte de leitores. Gente, em primeiro lugar não é pessoal. Há muitas exceções. E eu adoro as babás. Inclusive, aproveito o espaço para agradecer a Alê, que me ajudou muito nos últimos dois anos e por quem a Maria, minha filha, tem um amor imenso. Alê, obrigada e boa sorte no seu novo emprego.

 

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por Bia Tahan

*Jornalista

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