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(Foto: divulgação)

Mulheres cooperativistas superam obstáculos e ocupam cargos estratégicos

Conheça histórias inspiradoras de líderes femininas goianas

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18.08.2026 - 20:30:00

A Redação

Goiânia – Em Goiás, inúmeras mulheres encontram no cooperativismo uma oportunidade de se desenvolver, conquistar espaços de liderança e estratégia e, em troca, contribuir para um modelo de negócio mais democrático e igualitário. Essas líderes cooperativistas superaram obstáculos e diferentes desafios para chegar onde estão hoje: uma posição de destaque em suas cooperativas.

Foi nesse contexto que o Dia da Mulher Cooperativista foi criado e passa a ser celebrado a partir deste ano, sempre no dia 15 de agosto. A data foi instituída pela Lei nº 24.451, de autoria do deputado estadual Eduardo Prado.

A celebração será realizada nesta quarta-feira (19/08), das 9h30 às 12h, no Roof Coop do Edifício Goiás Cooperativo, sede do Sistema OCB/GO. O encontro traz o painel “Mulher Cooperativista: conquistas, desafios e o protagonismo feminino no coop”, que promoverá uma reflexão, com foco no papel das mulheres no cooperativismo do Estado (veja serviço no final do texto).

Desafio
O presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, reconhece que há muito a avançar e que o esforço para ocupar mais espaços de decisão nas cooperativas não pode parar. Pelo contrário, precisa ser acelerado.

“Reconhecemos que a participação feminina nos cargos de gestão está longe do ideal. A criação do nosso Comitê de Mulheres e a recente aprovação da Lei da Mulher Cooperativista, além da presença majoritária de mulheres no Conselho de Administração do SESCOOP/GO, são iniciativas positivas. Mas precisamos avançar mais, estimulando também nossas cooperativas a seguirem este caminho”, entende Luís Alberto Pereira.

Superação
Marcilene Mariano, da Cooperativa Mista de Agricultura Familiar de Novo Gama (Coopgam), é um bom exemplo de líder cooperativista feminina que precisou superar obstáculos para chegar em sua posição de destaque. Marcilene cresceu na zona rural, onde aprendeu a amar o campo e a fazer a primeira receita de doce: uma cocada ensinada por sua avó. Posteriormente, Marcilene se mudou para a cidade, formou-se em Direito e exerceu a profissão por 16 anos.

No entanto, após duas gestações de risco, decidiu seguir a vontade que sempre teve de voltar ao campo. “Eu reuni minha família, meus pais, e comuniquei minha decisão. Troquei o terno pela terra e fui em busca das minhas raízes. Fui viver e trabalhar em uma terra nua, sem água, sem luz, sem nenhuma infraestrutura, levando comigo somente um sonho: prosperar no campo”, conta Marcilene.

Inicialmente, formou um pomar e se especializou na produção de doces cristalizados, geleias e compotas, a partir da constituição da empresa Pé di Gostosura. Porém, seu grande desejo era cultivar mandioca, o que já fazia sem muita experiência. O cultivo atingiu outro patamar, ao se tornar cooperada na Coopgam.

“Minha vida se transformou. Eu me apaixonei pelo cooperativismo ao mesmo tempo em que tive apoio e assistência técnica para implementar minha primeira lavoura de mandioca”, conta.

Marcilene se especializou em mandiocultura, fez vários cursos e decidiu transformar sua produção em uma linha inédita de produtos derivados de mandioca, como sorvete, palha italiana, mandiococada, um doce misto de mandioca e coco, entre outros. A cooperada recebeu diversos prêmios por seus trabalhos e é a atual diretora social da Coopgam.

Ela acredita que a diversidade é fundamental para uma boa liderança. “Para mim, ocupar esses espaços não significa apenas aumentar o número de mulheres, mas garantir que elas tenham voz, participação efetiva e igualdade de oportunidades. Quanto mais diversas forem as pessoas envolvidas nas decisões, mais representativo e forte será o cooperativismo”, disse.

Responsabilidade
No caso de Ana Cristina Alves, sua trajetória envolve a responsabilidade de reerguer uma cooperativa. Quando chegou à Cooperativa de Ensino de Quirinópolis (CEQ), a instituição tinha poucos alunos e várias dívidas acumuladas. Na época, Ana Cristina sabia pouco de cooperativismo, mas usou seus dez anos de gestão no setor público para colocar a CEQ em outro patamar.

“Acredito que a educação e o cooperativismo são uma construção coletiva. Foi uma trajetória de muito aprendizado. Aprendi que uma liderança cooperativista precisa ter visão, responsabilidade, coragem para tomar decisões difíceis e, principalmente, capacidade de ouvir e trabalhar junto com as pessoas”, afirma a presidente da CEQ, que oferece da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Para ela, a liderança feminina promove muitas contribuições. “As mulheres trazem experiências, percepções e formas diferentes de analisar problemas e buscar soluções. Muitas vezes, desenvolvemos uma capacidade muito grande de conciliar diferentes demandas, ouvir as pessoas e perceber necessidades que poderiam passar despercebidas.”

Elvira Maciel, atual presidente da Coopgam, concorda. “Mulheres gestoras trazem cuidado, escuta, organização e visão de longo prazo. A gente une gestão com sensibilidade. Isso fortalece o coletivo e aproxima a cooperativa das famílias e da comunidade.”

Elvira trabalhou por mais de 20 anos em uma multinacional, mas entendeu que seu lugar era onde cresceu: no campo. Ali, ela encontrou a autonomia que buscava. “Cheguei na Coopgam vendo a oportunidade de crescer com meus próprios recursos e ampliar meu retorno. Depois que entrei, aprendi que cooperar é crescer junto. Aqui eu evoluí como profissional e como pessoa”, frisa.

Manutenção
Por vezes, as mulheres enfrentam não só desafios na hora de ocuparem espaços estratégicos, mas também na hora de mantê-los. Este foi o caso de Silvânia Laureano, fundadora e presidente da cooperativa de Reciclagem Cooperxixá, de Itapuranga. Silvânia precisou conciliar a maternidade, a vida pessoal e a responsabilidade de estar à frente de uma cooperativa.

“Nem sempre foi fácil. Houve momentos de cansaço, dúvidas e dificuldades, mas também muitos momentos de orgulho. Aprendi que ser mulher e mãe não diminui nossa capacidade de liderar. Pelo contrário, nos ensina diariamente a ter coragem, resiliência e responsabilidade”, afirma Silvânia.

Para ela, a cooperativa a levou para espaços e conhecimentos que nunca imaginou ocupar. “Hoje, olhando para essa trajetória, percebo que a cooperativa também me transformou. Eu ajudei a construir a Cooperxixá, mas a cooperativa também ajudou a construir a mulher e a líder que sou hoje”, reflete a dirigente.

Números
Atualmente, 768 mulheres ocupam cargos de gestão no cooperativismo goiano. As mulheres presidem 60 cooperativas em Goiás e 145 ocupam a vice-presidência. O ramo trabalho, produção de bens e serviços é o que possui maior participação delas na liderança: 73% dos dirigentes são mulheres.

A presença feminina na governança das cooperativas apresentou avanços relevantes, entre 2022 e 2026. O crescimento mais expressivo nesse período ocorreu nas presidências: o número de mulheres passou de 25 para 60, um salto de 140%. Levando em conta os últimos 10 anos, a liderança feminina cooperativista mais do que triplicou. Em 2016, eram apenas 205, e agora são 768 (aumento de 274%).

Lacunas
Apesar dos avanços, ainda há o que ser feito no quesito representatividade. Para as líderes cooperativistas, ainda há muito espaço a ser ocupado pela presença feminina. “Precisamos de mais mulheres em cargos de liderança, nas decisões e como exemplos. Quanto mais mulheres à frente, mais forte fica o cooperativismo”, defende Elvira.

Para Silvânia, deixar as mulheres de lado é desperdiçar o potencial produtivo da força feminina. “Eu acredito que o futuro do cooperativismo precisa ser cada vez mais feminino, não porque as mulheres devam ocupar o lugar dos homens, mas porque nenhuma sociedade consegue evoluir deixando metade da sua capacidade de liderança de fora.”

A presença feminina em espaços de gestão se retroalimenta, constata Ana Cristina. Jovens que observam mulheres tomando decisões em atividades produtivas tendem a enxergar novas possibilidades em sua trajetória.

“Quando uma mulher ocupa uma posição de liderança, ela demonstra para outras mulheres e para as novas gerações que aquele espaço também pertence a elas. Eu acredito muito na força do exemplo”, enfatiza a presidente da Cooperativa de Ensino de Quirinópolis.

Serviço
Evento: Painel Mulher Cooperativista: conquistas, desafios e o protagonismo feminino no coop
Data: 19 de agosto (quarta-feira)
Horário: das 9h30 às 12h
Local: Roof Coop – Edifício Goiás Cooperativo
Programação: bate-papo com lideranças cooperativistas goianas, entre elas Shirley Gonçalves, presidente da Unimed Cerrado; Ana Cláudia de Castro Lima, presidente do Sicoob do Vale; e Zenaide de Almeida, presidente da Coopermin.
Inscrições: link

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por Taíssa Gomes

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