Augusto Diniz
Goiânia – O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) decidiu indiciar o médico ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, pelo crime de estupro de vulnerável. A apresentação de denúncia pelo MP-GO à Justiça é a primeira entre mais de 50 casos pelos quais o suspeito é investigado em Anápolis, a 55 quilômetros de Goiânia, e Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal.
A promotora de Justiça Camila Fernandes indiciou o ginecologista com base nos relatos das primeiras três mulheres que denunciaram o médico à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Anápolis. De acordo com a defesa do suspeito, Nicodemos Júnior nega as suspeitas e diz que nunca tocou indevidamente nas pacientes. Já sobre os comentários e mensagens para as muheres nas redes sociais, o ginecologista alega que fez apenas "brincadeiras".
Para advogados criminalistas ouvidos pelo jornal A Redação, a tentativa de atenuar crimes sexuais, caso o réu seja condenado em algum dos casos, geralmente é uma tentativa da defesa de alegar que os atos, mesmo que tenham sito cometidos, não foram com a intenção da pessoa, o que tiraria o dolo e transformaria em culpa, para conseguir diminuir a gravidade e a pena na hora da condenação.
Como as vítimas não tinham condição de oferecer qualquer tipo de resistência, a promotora optou pelo indiciamento pelo crime de estupro de vulnerável, que tem pena que varia de oito a 15 anos de prisão. De acordo com a integrante do Ministério Público, outro pedido feito à Justiça foi a manutenção da prisão preventiva do médico. Camila aguarda a conclusão de outras investigações para analisar o material e oferecer novas denúncias contra Nicodemos Júnior, se assim entender cabível.
O suspeito, que está preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, é investigado por outros crimes sexuais que teriam sido cometidos no consultório contra pacientes. Inicialmente, três mulheres denunciaram o médico à delegada Isabella Joy, da Deam de Anápolis. Com a divulgação das primeiras informações sobre os casos que chegaram à Polícia Civil, mais de 50 outras supostas vítimas do ginecologista procuraram a delegacia.
Segundo indiciamento
Esta não é a primeira vez que Nicodemos Júnior é indiciado por crimes sexuais contra pacientes. A primeira denúncia apresentada à Justiça veio de Abadiânia, onde o médico teria cometido violação sexual mediante fraude contra quatro pacientes. No dia 29 de setembro, Nicodemos foi preso pela primeira vez pela Polícia Civil de Anápolis.
No dia 4 de outubro, o indiciado foi solto após decisão judicial. Monitorado por tornozeleira eletrônica, Nicodemos foi impedido de exercer a profissão de ginecologista. O suspeito é investigado ou indiciado por 22 denúncias de estupro de vulnerável, 22 inquéritos pelo crime de violação sexual mediante fraude e nove de assédio sexual.
Em seguida, vieram as denúncias de casos em Abadiânia, quando o médico voltou a ser preso no dia 8 de outubro. Depois da segunda prisão, o ginecologista teve o registro interditado pelo Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) por seis meses. O prazo de suspensão do direito de exercer a profissão médica pode ser prorrogado por mais seis meses.
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