“Somos seres profundos
Ocultamo-nos sob superfícies, sob aparências, sob máscaras, mas não somos ocultos apenas para os outros, somos ocultos para nós mesmos”(…)
(BACHELARD: 1990:259,260)
Conhecido como o filósofo da “barba branca”, o francês Gaston Bachelard (1884-1962) teve formação em Física e Química e expandiu seu pensamento nos territórios da Psicanálise, adotando um viés desbravador nas Ciências Humanas. Influenciado pelas teorias do Inconsciente Coletivo, de Carl Jung e pela Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, Bachelard acreditava que a imaginação não era uma mera fuga da realidade, mas uma potência que permite ao indivíduo múltiplas formas de existir.
Na lógica do pensamento de Einstein “a imaginação é a inteligência se divertindo” e, assim sendo, para imaginar e abrir novas perspectivas sob antigos paradigmas e ideias pré-concebidas, adotamos máscaras sociais, subterfúgios ou alegorias, não apenas para a ocultação de quem somos, mas para a revelação de aspectos latentes da nossa subjetividade.
A mostra “Moldando Expressões”, pela Barro Pintado, no Jardim Potrich, percorre esse mesmo eixo poético-filosófico ao eleger a cerâmica como matéria de investigação e expressão. A argila, ao mesmo tempo maleável e resistente, torna-se aqui extensão do imaginário e espaço onde a forma é continuamente negociada entre gesto e devaneio.
Ao longo da história, experienciamos rituais, cultos, celebrações e manifestações nos adornando com máscaras cuidadosamente confeccionadas para cada ocasião. Nos ocultamos para criar, inventar, imaginar outro sujeito, outro personagem, outra presença que nos represente em anonimato, em segurança, em proteção de um disfarce oculto/revelado.
Toda máscara é um sonho transitório de identidade, uma imagem que revela algo do ser, mas nunca o esgota. Adotar uma postura de questionamento sistemático, estar aberto a novas interpretações, investigar outras áreas, outras fontes, outras possibilidades agrega o poder criativo na mente, incita a imaginação e refina o senso de autocrítica.
Moldar uma expressão, ou mascarar-se são gestos que convergem para um mesmo movimento: o autoconhecimento. Um exercício sensível de escuta interior, de reinvenção e, sobretudo, de cuidado com o próprio ser.
A mostra “Moldando Expressões” inclui cerca de 10 máscaras em cerâmicas produzidas pela Barro Pintado, de José Luiz Lopes Garcia e Jade Gramacho, onde paralelamente estarão ministrando uma oficina de mesmo tema.
A mostra e oficina de cerâmica de máscaras será no dia 11 de abril às 16h, no Jardim Potrich
Interessados podem entrar em contato através do 62 996869139