A Redação
Goiânia – O papel de agente histórico que o Movimento Negro Unificado (MNU) tem na história dos negros brasileiros foi destacado por Conceição Evaristo, uma das principais escritoras negras na atualidade e um dos nomes mais importantes da literatura contemporânea. A autora mineira prestou uma homenagem à organização, que é pioneira na luta do povo negro no Brasil, tendo recém-completado 42 anos de luta contra o racismo e pela vida.
“A força com que o MNU inclusive denunciava a falsa democracia racial, denunciava e denuncia, por exemplo, no momento, a mortandade da juventude negra, é uma voz que se fez e se faz escutar. O MNU ele ajuda a quebrar um silêncio histórico que pesa sobre a comunidade negra. Não que a gente nunca tenha denunciado, não que a gente nunca tenha reclamado, mas o MNU se fez ouvir na sociedade brasileira. A nossa voz, cada vez mais, ela desentope o ouvido da nação e, sem sombra de dúvida, o MNU foi e tem sido a grande escola do saber dizer, do poder dizer, de imposição de voz”, declarou a escritora.
Para Ieda Leal, coordenadora nacional do MNU, Conceição Evaristo traduz a importância do movimento para o país. “Para nós, é uma honra ter nossa caminhada coletiva pela construção democrática de uma sociedade justa, sem racismo, traduzida pelas palavras dessa grande escritora. Acreditamos que essa construção só será possível com o esforço de todas as pessoas e também com o reconhecimento da luta e da resistência do nosso povo que, nesses últimos 500 anos, vem resistindo e lutando para termos um país livre do racismo. Sigamos em frente, reagindo à violência racial e convocando a nação para a luta diária contra o racismo”, clama.
Evaristo, que sempre foi uma participante ativa dos movimentos de valorização da cultura negra do país, também disse ter só a agradecer ao Movimento Negro Unificado, pois sua formação “se deve muito ao MNU, às lideranças e aos discursos que prestava atenção”. Em seu depoimento, cuja íntegra pode ser conferida nas redes sociais do MNU, a escritora ainda incitou a juventude a se responsabilizar pelo prolongamento dessa trajetória “porque a sociedade brasileira ainda é devedora dos descendentes de africanos e dos africanos, anteriormente, que construíram essa nação”.
O Movimento Negro Unificado foi fundado em 18 de junho de 1978 e lançado publicamente em 7 de julho, em resposta à forte violência racial enfrentada pela população negra na época, especialmente em protesto à discriminação racial sofrida por quatro garotos do time infantil de voleibol do Clube de Regatas Tietê e contra a prisão, tortura e morte de Robson Silveira da Luz, trabalhador e pai de família assassinado pela polícia. Seu compromisso é lutar contra o racismo, em todas as suas manifestações, e por uma sociedade justa e sem exploração social, onde as diferenças raciais, culturais, sexuais e religiosas sejam respeitadas.