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Metodologia da UFG agiliza identificação de plantas ameaçadas de extinção

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20.07.2022 - 23:31:15

A Redação
 
Goiânia – Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveu e testou ferramentas e metodologia para agilizar o processo de avaliação de risco de extinção de espécies da flora brasileira. Os métodos, desenvolvidos pelo pesquisador Bruno Ribeiro, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), agilizam a análise de classificação de risco das espécies e contribuem para a promoção de  programas eficazes de conservação e proteção. O estudo está entre as 49 teses selecionadas em todo o Brasil que concorrem ao Prêmio Capes de Tese de 2022.
 
O pesquisador entende que, conhecer melhor os riscos, colabora para a elaboração de estratégias para se reverter o quadro. “O princípio para se proteger uma espécie é que ela esteja ameaçada, então, esse é o passo inicial, identificar se a espécie é ameaçada e depois desenvolver programas, ações e estratégias para manejar, para proteger, com o intuito de tirar essa espécie da lista de ameaçadas”, afirma Bruno Ribeiro.
 
Em sua tese de doutorado, Bruno testa ferramentas de avaliação rápida para identificação de espécies potencialmente ameaçadas. O pesquisador explica o processo fazendo uma analogia com o procedimento de atendimento em um hospital. “Em termos gerais, é possível agilizar o processo de avaliação de risco numa espécie de triagem, como é feito nos hospitais. Então você pode usar esses métodos de avaliação rápida para separar as espécies não ameaçadas das espécies potencialmente ameaçadas”, explica. A intenção é identificar de forma assertiva que espécies correm risco e merecem maior atenção para aplicações de proteção e preservação.
 
Segundo ele, esse processo facilita a ação e faz com que os pesquisadores ganhem tempo frente à extinção de espécies. "Quando se fala em conservação de biodiversidade, é como se fosse uma corrida contra o tempo. Estamos perdendo espécies numa velocidade muito grande, muitas das espécies que a gente perde, a gente nem conhece ainda”, relata o pesquisador.
 
Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), apenas cerca de 5% das espécies que existem no planeta foram avaliadas até hoje. Em relação às plantas brasileiras, que foram as protagonistas da pesquisa de Bruno, das 4617 avaliadas, 2113 já estão na lista vermelha, que é a lista que categoriza as espécies como criticamente em perigo, em perigo ou vulnerável.
 
 
Ribeiro relata que, depois que uma espécie entra para a lista vermelha, é essencial que políticas de conservação sejam desenvolvidas para que não caia no “precipício da extinção”. “Se uma espécie está ameaçada, ela dificilmente vai se recuperar sozinha. Se ela está ameaçada e fora de uma unidade de conservação, terra indígena, enfim, totalmente desprotegida, a chance de ela sumir é muito maior”, pontua.
 
Ecologia para crianças
A relevância da pesquisa e a necessidade de discussão do tema despertaram o pesquisador para divulgação voltada a um público diferente: crianças e adolescentes. “A ideia de divulgação para o público geral surgiu na metade do doutorado, depois que escrevi o primeiro capítulo, que é uma revisão sobre o processo de avaliação de risco”, disse Bruno, ao explicar os motivos que o levaram a dedicar os últimos capítulos de sua tese para um público diferente do habitual, ou seja, crianças e adolescentes que gostam de ciência.
 
A linguagem e os termos científicos foram adaptados para atingir um público-alvo que extrapolasse os limites da academia. “Talvez foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever e até mais desafiador no ponto de pensar em como traduzir todo um contexto, um conteúdo que é um tanto quanto complexo para uma forma mais simples”, explicou o pesquisador.
 
O resultado foi a publicação dos artigos finais da tese em um site de ciências para crianças. “A ideia inicial era mandar para a Ciência Hoje, que tem como público-alvo estudantes do ensino médio e acadêmicos que estão no início da faculdade, e a editora sugeriu a escrevêssemos também para crianças, leitoras do Ciência Hoje das Crianças”, relembra Bruno.
 
Os artigos “Quem entra na lista vermelha?”  e “Chá de sumiço”, que integram os capítulos finais da tese de doutorado, podem ser acessados na página da revista Ciência Hoje das Crianças e servem de conteúdo educacional, respondendo a questões pertinentes sobre conservação e preservação de espécies ameaçadas, voltada para o público infanto-juvenil.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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