São Paulo – Um estande da Blue Zone, área que abriga instalações oficiais da COP30 em Belém, no Pará, pegou fogo na tarde desta quinta (20/11), levando à evacuação imediata do setor e a suspensão de todas as reuniões previstas para o dia. Às 14h37, a organização confirmou que o incêndio ocorria na Zona B, e todas as salas de negociação foram esvaziadas, com delegações nacionais deixando o local.
“A organização da COP30 informa que o incêndio ocorrido na região de pavilhões da Blue Zone está controlado e não deixou feridos. As equipes de bombeiros e segurança atuaram prontamente e seguem monitorando o local”, afirmou em nota.
Às 15h, o Corpo de Bombeiros assumiu o controle da área para iniciar a avaliação dos danos, e às 15h26, as equipes ainda realizavam os trabalhos de rescaldo.
Ainda segundo a organização oficial, “o chefe do Corpo de Bombeiros do país anfitrião ordenou a evacuação de todas as instalações. O serviço de bombeiros realizará verificações completas de segurança e deve fornecer uma atualização às 16h. Observe que as instalações estão agora sob a autoridade do país anfitrião e não são mais consideradas uma Blue Zone”.
De acordo o ministro do Turismo, Celso Sabino, as causas ainda são desconhecidas e após os trabalhos de resguardo, a organização vai avaliar quando será possível retomar os trabalhos. Sabino ressaltou que não há informações conclusivas.
A principal suspeita é de que o incêndio tenha começado por um curto em um cabo de alta tensão, possivelmente relacionado ao carregamento de celulares em um dos estandes, segundo a organização. O fornecimento de energia foi cortado.
Além dos danos diretos no estande atingido, parte da tenda da Blue Zone foi aberta em vários pontos para permitir a ventilação da fumaça. Segundo Celso Sabino, o uso de materiais antichama ajudou a conter o avanço do fogo.
Suspensão das atividades
A paralisação adiciona pressão ao cronograma: ainda não há texto consolidado para a conferência, e o pacote de decisões inicialmente esperado para esta quinta-feira (20/11) não foi apresentado, ampliando a incerteza sobre os próximos passos da COP de Belém, originalmente prevista para terminar na sexta (21/11).
A expectativa era que, nesta tarde, a ministra da Colômbia, Irene Vélez Torres, lançasse oficialmente a Declaração de Belém para a Transição Longe dos Combustíveis Fósseis, apresentada na COP30. O documento reafirma o compromisso de países com uma transição justa, ordenada e equitativa alinhada à meta de 1,5°C.
O mapa do caminho para a transição dos fósseis, proposto pelo Brasil, é um dos principais pontos em disputa nas negociações. Até o momento, nenhum país do Brics manifestou apoio explícito à iniciativa. Nos bastidores, diplomatas relatam preocupação — e até resistência — de membros do grupo em relação a compromissos mais firmes para acelerar a saída dos fósseis.
China e Índia, que integram o bloco, são vistas como centrais nesse impasse. A China segue como maior consumidora de carvão do planeta, e a Índia ainda não apresentou sua nova NDC, o que aumenta a pressão sobre o grupo. As duas potências vêm sendo apontadas como os principais entraves ao avanço do roadmap.
(Agência Estado)
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