Rafaela Bernardes
Goiânia –
Depois do anúncio do Ministério da Saúde a respeito da liberação de R$2,3 milhões para o Hospital Araújo Jorge, na quinta-feira (01/09), a associação responsável pela administração da unidade se pronunciou em uma entrevista coletiva, na manhã desta sexta (02/09). Na oportunidade, o presidente da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), Paulo Moacir de Oliveira Campoli, enfatizou que, mesmo com o repasse, a situação econômica do hospital ainda segue sem solução.
Paulo esclareceu que o dinheiro é fruto de seis emendas parlamentares da bancada de Goiás no Congresso Nacional. Ele explicou, ainda, que o repasse já estava previsto no orçamento do hospital e que, inclusive, já foi liberado neste ano R$1,6 milhão do total.
"Esse dinheiro não é um recurso que podemos usar para pagar funcionários, comprar medicamentos ou para que se possa comprar quimioterápicos. Esse dinheiro, proveniente de emenda parlamentar, deve ser usado na compra de equipamentos para o hospital. O que não soluciona nossa crise financeira", explica.
Por conta dos problemas financeiros enfrentados pelo hospital, quatro setores de atendimento da unidade correm o risco de serem fechados. Juntos, eles somam R$1,5 milhão de déficit para o Araújo Jorge todos os meses. O diretor da ACCG explicou que este rombo é causado por conta do valor repassado pelo SUS para cobrir as despesas médicas dos pacientes no hospital. O valor pago pela tabela SUS é inferior ao valor gasto pelo Araújo Jorge com o tratamento dos pacientes.
"Nós precisamos de recursos que recomponham a diferença que tem entre custo real do tratamento e o valor que o SUS nos paga. Esse é o problema grave que temos que resolver. O hospital consegue suportar essa situação por mais trinta dias, depois disso vamos ter que fechar alguns setores, começando pelo setor de transplante de medula óssea".
É justamente o possível fechamento de alguns setores que tem assustando José Edilson do Nascimento, que faz tratamento há quatro anos no hospital e aguarda por um transplante de medula óssea. "Meu maior medo é que minha doença volte pela falta desse transplante. Não quero morrer".