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Mercado imobiliário em tempos de pandemia

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22.05.2020 - 09:30:40
 
Goiânia – Anteriormente à pandemia do coronavírus, especificamente em 2019, a projeção era que o mercado imobiliário tivesse um crescimento de 3%, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). No entanto, o atual cenário de incertezas circundam o mercado imobiliário. Assim, importante analisar três pesquisas feitas pela Associação Para o Desenvolvimento Imobiliários e Turístico do Brasil – ADIT Brasil, nos anos de 2018, 2019 e 2020.
 
Entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019 observou-se que 93% dos entrevistados pretendiam investir e/ou empreender no mercado imobiliário em 2019, já na pesquisa feita no espaço de tempo de novembro a dezembro de 2019, 91% pretendiam investir no ramo imobiliário em 2020 antes da chegada da pandemia. Todavia, no intervalo dos dias 19 a 23 de março de 2020, fora demonstrado que 45% das pessoas que tinham intenção de comprar uma casa ou apartamento no período pré-pandemia desistiram momentaneamente da aquisição, diante das incertezas do período.
 
Observa-se, no entanto, que o cenário não é de todo negativo como muitos imaginam, isso porque a maioria dos entrevistados, 55%, mantém o desejo de adquirir o imóvel próprio, resultando em um otimismo às empresas da construção civil. Igualmente, na pesquisa realizada em março de 2020, 29% dos entrevistados disseram acreditar que o mercado imobiliário irá se recuperar dos efeitos da Covid-19 em seis a nove meses.
 
Outrossim, para Cristiane Portella, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança – Abecip – e Basilio Jafest, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo – Secovi-SP -, em razão do país estar enfrentando uma situação jamais vivida, a qual gera diversas incertezas, não há como prever ao certo qual será o impacto da Covid-19 no setor imobiliário.
 
Ademais, no que concerne a tão falada redução de juros, no dia 06 de maio de 2020, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros em 0,75%, passando de 3,75% para 3% ao ano, a maior baixa da história. Ainda, conforme consta no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão é que ao final deste ano a Selic seja de 2,25% ao ano e para o ano que vem, 3,50%.
 
Não obstante, tem-se que há diversas opiniões divergentes quanto a diminuição da taxa de juros, sendo considerada para uns como vantajosa, já para outros, como um desastre na economia estatal. Quanto aos defensores de ser benéfica a diminuição de juros, André Souza Fernandes, head de produtos financeiros da Ágora Investimentos, acredita que quanto mais baixa a taxa Selic, maiores são os estímulos para a economia, gerando oportunidades para investidores. Essa também é a visão do fundador e diretor de investimentos da Presevera Asset, Guilher Abbud, que já defendia Selic a 3% antes mesmo da pandemia, o qual tem uma posição mais agressiva, acreditando que o Banco Central deveria levar o corte de juros para perto de zero.
 
Em contrapartida, a economista Solange Srour da ARX Investimentos relembra que os juros vêm caindo desde 2017, e mesmo assim a economia foi pouco estimulada, defendendo que “o que vai resolver a economia é controlar o coronavírus, não baixar juros,” e complementa “continuar fazendo cortes pode provocar uma fuga a qualquer ativo cotado em real e o Tesouro pode não conseguir colocar mais títulos no mercado”. Ainda, Fernando Ulrich, sócio da Liberta Investimentos, acredita que o corte de juros apenas geraria mais problemas à economia brasileira, vez que o Tesouro Nacional poderia ter dificuldade na colocação da sua dívida tendo em vista a necessidade de financiar gastos por conta da pandemia. Além do mais, economistas ressaltam que quanto mais baixa a taxa Selic, menor é o investimento estrangeiro no país, elevando assim, o preço do dólar.
 
Além do mais, existem duas novidades que também influenciarão o setor imobiliário, quais sejam, o prazo de carência de seis meses para financiamentos de imóveis novos, anunciado pela Caixa Econômica Federal e o montante de R$43 bilhões destinados aos programas de crédito imobiliário. Por outro lado, o mercado imobiliário apresenta um estoque baixo de imóveis, evitando assim, que haja queda no preço do metro quadrado.
 
Assim, tem-se que diante das incertezas que rondam o mercado imobiliário, é certo que o que a sociedade aprenderá com a pandemia da Covid-19 a fará evoluir, modificando as relações sociais, bem como os negócios jurídicos no mundo, devendo-se cada vez mais exercer a capacidade de se adequar e se adaptar ao novo modelo vivido. 
 
*Victoria Branquinho é advogada atuante no ramo imobiliário e cível
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por Victoria Branquinho

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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