A Redação
Goiânia – A Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) da Polícia Civil do Estado de Goiás deflagrou nesta sexta (26/5) a Operação Puerperium, que investiga a cobrança indevida por parte de médicos por serviços de saúde pagos pelo SUS em Goiânia. Os médicos envolvidos teriam feito cerca de 600 vítimas e obtido mais de R$ 1 milhão ilegalmente.
Segundo a PCGO, entre os anos de 2014 e 2016, seis médicos de um hospital particular conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS) exigiam a cobrança indevida de valores, em caráter particular, para realização de cesarianas em pacientes de baixa renda. Mesmo internadas pelo SUS, as vítimas pagavam valores aos profissionais. Eles são suspeitos dos crimes de concussão e falsidade ideológica em continuidade delitiva em contrato celebrado com a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS). Os dados dos profissionais e da unidade de saúde não foram divulgados pela polícia.
A fraude consistia no recebimento do pagamento pela autorização de internação, instrumento de registro utilizado por todos os gestores e prestadores de serviços, da paciente gestante internada pelo SUS e, simultaneamente, a exigência de pagamento de valores, que variavam entre R$ 1.800 e R$ 2.800, parcelados ou não, mas com quitação total na data do parto, para realização do procedimento e acomodação posterior em leitos de enfermaria.
Constatou-se, ainda, segundo a polícia, a exigência do pagamento de valores de pacientes carentes internados pelo SUS para realização de procedimentos cirúrgicos de angioplastia coronária, com a colocação de “stent” farmacológico. O paciente era encaminhado pela rede municipal de saúde, com a autorização de internação hospitalar já expedida pela rede pública, para tratamento de arritmia no hospital conveniado. Na sequência, o médico investigado informava para o paciente que o SUS não cobria a colocação de “stent” farmacológico, e cobrava valores para realização do procedimento.
Em outros casos, a fraude consistia em cobrar da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) por supostos procedimentos realizados em pacientes atendidos pelo SUS, na área de cardiologia, mediante a apresentação de laudos de eletrocardiogramas idênticos para dois pacientes distintos.
As investigações se fundamentaram em um total de 10 auditorias da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia e uma da Secretaria Estadual de Saúde. Até o momento, também de acordo com a polícia, foram ouvidas 216 vítimas, que confirmaram os fatos investigados, Porém, foram catalogadas 606 vítimas, que também serão ouvidas até o final da investigação.
Médicos são suspeitos de cobrar por cirurgias feitas pelo SUS em Goiânia
*