José Cácio Júnior
Conhecido pela postura independente a do partido, o vereador Santana Gomes (PMDB) joga mais lenha na fogueira por conta de sua saída da legenda. Santana acusa o líder do prefeito Paulo Garcia (PT) na Câmara Municipal, vereador Agenor Mariano (PMDB), de articular com o ex-governador Iris Rezende (PMDB) sua expulsão do partido após o dia cinco de outubro. Dessa forma, Santana ficaria sem legenda para disputar a reeleição em 2012.
"Tive conhecimento de uma reunião que fizeram há uns 15 dias e que a discussão abordava meu nome. A estratégia era esperar acabar o prazo para regularizar a questão eleitoral", afirma o vereador. Santana também foi influenciado pelo apoio antecipado do PMDB à reeleição de Paulo Garcia. Para ele, as pessoas filiam a um partido com perspectiva de chegar ao poder por meio de um mandato. Ninguém vai querer se filiar ao PMDB sabendo que o partido é coadjuvante. A coligação com o PT deveria continuar e a discussão da chapa seria feita no momento oportuno. Partidos grandes jamais podem ser de aluguel, da garupa, da boquinha ou do oportunismo."
O vereador questiona o acordo feito com o PT. Segundo ele, as regras não foram expostas aos integrantes da legenda. "Qual acordo é esse? Quais são as regras? Queria conhecê-las para seguir. Mas não tem regras claras, deliberação do partido."
A insatisfação de Santana com o PMDB começou na eleição para a Mesa Diretora da Câmara em 2009. Ele articulou sua eleição, mas o processo foi interrompido quando o então prefeito Iris entrou na jogada para garantir a escolha de Francisco Júnior como presidente. A ligação de Santana com o ex-secretário estadual da Fazenda Jorcelino Braga foi outra barreira no caminho do vereador. À época, Santana chegou a afirmar que foi retirado do processo por questões raciais.
As críticas sobre a ligação com o Braga "foram por água a baixo", define Santana. Ele cita o apoio de Braga e do ex-governador Alcides Rodrigues (PP) a Iris no segundo turno da eleição de 2010. "O mesmo que era o algoz se tornou o braço direito", completa Santana, se referindo ao fato do ex-secretário ter coordenado o marketing da campanha no segundo turno.
Desde 2009 Santana tem trabalhado mais contra do que a favor do partido. Excluído das reuniões partidárias, o vereador perdeu a confiança dos colegas de bancada por conta de sua postura. A relação conflituosa continuou e voltou a acontecer na eleição da Mesa Diretora da Câmara ano passado. Novamente a postura de Santana o retirou do processo.
Perseguição
Santana reclamava de uma suposta perseguição sofrida pelo partido pela sua postura de vereador. Excluído das reuniões do PMDB, ele conta que não vai alegar perseguição de líderes do partido pois não foi feita nenhuma ação para expulsá-lo. De fato, não houve nenhum documento ou ação parar tirar o vereador da legenda. Mas a forma como Santana era tratado no PMDB mostra que ele já não é bem-quisto na sigla.
O destino do Santana deve ser o PSD. O vereador mantém conversas com pessoas do partido e se mostra confiante à proposta da nova legenda. "Vejo com muita tranquilidade o PSD, até porque não quero ter o constrangimento que estou tendo."