Adriana Marinelli e Ludymila Siqueira
Goiânia – O candidato do PSDB ao governo de Goiás, Marconi Perillo, afirmou nesta quarta-feira (2/9) que pretende destinar pelo menos R$ 1 bilhão à infraestrutura energética do Estado nos dois primeiros anos de um eventual novo mandato. A proposta foi apresentada durante sabatina promovida pelo Fórum das Entidades Empresariais de Goiás, na manhã desta quarta-feira, em Goiânia. Segundo o tucano, os recursos poderão ser obtidos por meio de operações de crédito ou do Tesouro Estadual e terão como objetivo ampliar a oferta de energia e viabilizar investimentos em diferentes regiões.
Marconi, que já governou Goiás por quatro mandatos e agora busca novamente o comando do Executivo estadual, colocou a energia entre as prioridades de uma nova etapa de desenvolvimento que classificou como a “Quarta Onda”, associada à Revolução Tecnológica. “Eu quero criar uma política de suporte, de apoio”, afirmou ao reforçar a dimensão da proposta. “Sendo eleito governador, um bilhão de reais já nos primeiros dois anos serão alocados para a gente viabilizar a energia”, completou.
A proposta foi apresentada em resposta a uma pergunta sobre a prioridade entre energia, logística e conectividade digital. Marconi afirmou que as três áreas são “prioritárias, indispensáveis, imprescindíveis” para o momento que Goiás pretende viver e destacou que percorreu 202 municípios nos quatro meses anteriores à sabatina. Segundo ele, em praticamente todas as regiões visitadas houve demandas diversas, mas a principal delas esteve relacionada ao fornecimento de energia.
O candidato defendeu uma parceria mais rigorosa com a distribuidora e com a agência reguladora, com metas para o atendimento das demandas. “Eu pretendo, nos primeiros dias, procurar a ANEEL, estabelecer metas claras do ponto de vista do suprimento das demandas por energia”, declarou.
Marconi também relacionou a necessidade de investimentos em energia à atração de empresas. De acordo com ele, empreendimentos em diferentes regiões do Estado estariam sendo retardados pela falta de infraestrutura energética. A proposta inclui, ainda, a aplicação de recursos públicos em armazenagem e no apoio ao agronegócio. “Infraestrutura não é só estrada, não é só ferrovia, não é só armazenamento, não é só casa. Isso tudo é fundamental. Mas, infraestrutura é energia”, disse.
Meio ambiente
Na área ambiental, Marconi defendeu a ampliação do quadro técnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), com contratação de especialistas para atuar em licenciamento e outorga. “É preciso contratar mais pessoas, mais especialistas em licenciamento, em outorga, e eu quero criar o Vapt e Vupt do meio ambiente. Quando eu falo em Vapt e Vupt é rapidez, é fluidez”, afirmou.
O candidato disse que as contratações seriam feitas por seleção pública e que o número de profissionais seria definido a partir de um levantamento da demanda. Também propôs uma “janela única do agronegócio”, com atendimento físico e digital integrado para abertura, regularização e licenciamento de empreendimentos ligados à agricultura, pecuária e atividades industriais.
Marconi também defendeu planejamento por bacia hidrográfica, mapas de disponibilidade hídrica e regras previamente conhecidas para períodos de escassez. Ao citar experiências de outros Estados, apontou o Ceará como uma referência em governança hídrica. Para ele, segurança hídrica e desenvolvimento devem caminhar juntos. “O desafio não é escolher entre água e desenvolvimento. É fazer da segurança hídrica uma condição de desenvolvimento”, afirmou.
Reforma tributária
Outro eixo importante da sabatina foi a reforma tributária. Marconi criticou a condução do processo e afirmou que Goiás precisa se mobilizar para evitar perda de competitividade e de investimentos com o fim gradual dos incentivos fiscais. Ele relembrou sua atuação, quando governador, na articulação com outros Estados e com o setor produtivo para defender a manutenção dos benefícios.
O tucano afirmou que, em suas gestões, participou de uma mobilização que percorreu 18 Estados brasileiros e resultou, segundo ele, na articulação de governadores e representantes empresariais em torno da questão dos incentivos. Também citou uma reunião com nove ministros do Supremo Tribunal Federal e a participação de 14 governadores em uma mobilização que, de acordo com seu relato, contribuiu para reverter uma ação que ameaçava Goiás.
Para o futuro, Marconi defendeu uma nova mobilização política envolvendo governadores, bancadas parlamentares e entidades empresariais. “Nós vamos ter que fazer, certamente, seguramente, uma forte mobilização. Eu, sendo eleito governador, eu estarei plenamente à disposição de todos vocês para que a gente possa trabalhar juntos”, afirmou.
Defesa do agronegócio
Nas considerações finais, Marconi direcionou atenção especial ao agronegócio e afirmou que o setor atravessa um momento delicado. Ele citou fatores internos e externos que, em sua avaliação, pressionam produtores, como juros, carga tributária, conflitos internacionais, aumento de custos de insumos e queda no preço da soja.
O candidato defendeu uma mobilização nacional em favor da securitização das dívidas rurais e relembrou sua participação em manifestações de produtores em Brasília durante o governo Fernando Henrique Cardoso e, posteriormente, durante o governo Lula.
“E eu quero ser o cabeça, ou um dos cabeças, para ir a Brasília, para pressionar, para lutar junto ao governo federal, junto ao Congresso Nacional, para que a gente possa ter a securitização e a solução desse problema”, afirmou. “Goiás precisa de líder que tenha peito, que tenha coragem”, completou.
Ao final da apresentação, Marconi recebeu a “Agenda Fórum Empresarial – Governo de Goiás – Eleições 2026”, documento elaborado pelas instituições que compõem o fórum.
