A Redação
Goiânia –
O governador Marconi Perillo participou nesta quarta-feira (9/11) de audiência, em Brasília, com o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Acompanhado da secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão Costa, e da secretária de Educação, Raquel Teixeira, ele discutiu com Meirelles a viabilidade de operações de crédito junto a organismos financeiros internacionais, leilão da Celg, divisão das repatriações e dívidas dos estados foram alguns dos assuntos abordados durante o encontro que durou mais de uma hora na sede do Ministério da Fazenda.
De acordo com o governador, o objetivo é conseguir financiamentos por intermédio dos Bancos Mundial e Interamericano do Desenvolvimento para executar um projeto de redução de gastos, especialmente com pessoal. Como se tratam de operações de crédito para assuntos que vão desonerar o peso do estado e vão ajudar no ajuste fiscal, o governador pediu para que haja a possibilidade de o Estado tomar empréstimos para trocar com financiamentos mais antigos e onerosos por outros com juros menores.
Após a audiência, em entrevista coletiva, Marconi declarou que o objetivo é fazer com que o estado tenha recursos para fazer planos de demissão voluntária reduzindo os gastos que tem hoje com pessoal. “O maior gasto que os estados têm é com a folha de pagamento. A ideia é pagarmos dívidas velhas trocando por dívidas novas com o objetivo de financiar esses projetos”, explicou.
Data marcada para o leilão da Celg
No dia 30 deste mês será realizado, na Bolsa de Valores de São Paulo, o leilão da Celg. De acordo com Marconi, Meirelles declarou-se animado com a possibilidade de êxito no leilão. “A Celg D é atrativa, tem ativos bons. É a melhor companhia de energia da região Centro-Oeste. Ela, inclusive, está sendo reconhecida pela Aneel pelo bom atendimento. Ela melhorou muito nos últimos seis anos”, ressaltou Marconi.
Marconi, que preside o Fórum Brasil Central de Governadores, se disse preocupado com o caos financeiro que assola alguns estados. “Estamos unidos em uma agenda comum para salvar alguns estados que estão em situação difícil. Há várias PECs tramitando e que interessam diretamente aos governadores. Nós estamos muito unidos no sentido de continuar discutindo com o Congresso Nacional uma agenda pró ativa em favor dos estados e municípios”, declarou.
Marconi entende que tudo o que for possível fazer no sentido de resolver a situação quase falimentar de muitos estados tem que ser considerado. Em sua opinião, os estados não podem chegar à situação em que chegou o Rio de Janeiro.
Ele se disse contrário a alguns movimentos que defendem intervenção federal em estados com dificuldades: “Eu vejo hoje um movimento de alguns deputados falando em intervenção federal. Será que interessa ao Governo Federal realizar uma intervenção no Estado do Rio de Janeiro, assumindo um déficit de R$ 50 bilhões? Vários estados estão com muita dificuldade com tendência de piora no ano de 2017. O que nós temos que fazer é buscar soluções locais e no Congresso Nacional. Não vai aparecer uma varinha mágica para resolver problemas de colapso em estados e municípios. Se fosse fácil, bastaria mesmo o Governo Federal decretar uma intervenção nesses estados em dificuldade”.
O governador disse ainda que o governador Pezão do Rio de Janeiro foi corajoso ao enviar para Assembleia um projeto promovendo ajustes, cortando secretarias, coisa que fez em Goiás em 2014 quando previu a crise. “As medidas precisam ser tomadas nos estados, até porque a União também tem os seus problemas, que são muitos”.
Ele falou que os estados e municípios estão defendendo, junto ao STF, que parcelas das multas resultantes de repatriações sejam divididas com eles: “Há uma lei complementar que nos dá esse direito. Estamos cobrando junto aos ministros do STF uma decisão favorável ao Estado de Goiás como forma de manter o Pacto Federativo intacto. Há um compromisso do Ministério da Fazenda de que o projeto em discussão no Senado para as repatriações a partir de 2017 preveja o compartilhamento de Imposto de Renda e multas com os estados e municípios”.
Marconi e o ministro Meirelles falaram sobre os créditos do governo de Goiás que estão judicializados no STF. “O nosso objetivo é realizarmos um encontro de contas com a União para por fim a este tipo de demanda que tramita no Supremo”, pontuou Marconi.
Ainda na tarde de hoje em Brasília o governador avistou-se com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, com quem tratou de assuntos relacionados à BR-070, que liga Brasília/Cuiabá/Bolívia. Faltam apenas 70 quilômetros, em território goiano, para a ligação de Brasília a Bolívia esteja pronta.