São Paulo – "Idosos apoiam os estudantes" eram os dizeres do cartaz que Tim Semple, de 70 anos, levou à Marcha por Nossas Vidas em Washington, na qual centenas de milhares de pessoas protestam hoje (243) contra a violência com armas nos Estados Unidos. A seu lado estavam sua filha, Kim Lawson, de 47 anos, e a neta, Sophie, de 16. "Nós vivemos os anos 60 e nós estamos de volta, baby", afirmou Semple.
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A maior manifestação já realizada no país em defesa de leis mais rigorosas sobre o acesso a armas foi convocada por adolescentes, mas atrai um grande número de adultos, que veem no movimento iniciado pelos jovens uma chance de forçar o Congresso a agir.
Sophie vive em Maryland, Estado vizinho a Washington, e tem amigos que estudam na escola secundária Great Mills, alvo de um ataque a tiros na terça-feira que levou à morte de uma estudante de sua idade. "Estou aqui para apoiar meus amigos."
Além de Washington, estudantes e adultos marcharam em centenas de cidades dos EUA e de outros países. "Nós queremos um lugar seguro", dizia o cartaz carregado por Matthias Linke, de 11 anos. "Eu queria fazer parte desse evento histórico, que deve levar a mudanças nas leis sobre armas no futuro", afirmou.
Sua mãe, Barbara Linke, de 50 anos, disse que regras mais rigorosas deveriam ter sido adotadas depois do massacre na escola Sandy Hook, no qual 20 crianças de 6 e 7 anos foram mortas a tiros em 2012. "Eu sinto que esses ataques estão chegando cada vez mais perto e isso me assusta", observou Barbara, cujos filhos estudam a uma hora da escola Great Mills, em Maryland.
Seu outro filho, Andreas, 16 anos, disse ter sido inspirado pelos estudantes da escola de Parkland, na Flórida, que sobreviveram ao ataque a tiros do dia 14 de fevereiro, no qual 17 pessoas morreram. Foram eles os idealizadores da Marcha por Nossas Vidas e do protesto que tirou alunos das salas de aula por 17 minutos há dez dias. Sua amiga da Jenna Orebaugh, da mesma idade, lembrou o temor que sente a cada dois meses, quando sua escola realiza simulações de ataques a tiros. "Eu nunca sei se é real ou é só um exercício."
Seu pai, Randy Orebaugh, 45, afirmou que participava da marcha para apoiar sua filha e expressar sua rejeição ao lobby pró-armas representado pela NRA e aos políticos que recebem apoio da entidade. "Essas crianças são determinadas e não vão parar enquanto não conseguirem mudanças."
Maura Hennessey, de 49 anos, viajou cinco horas e meia de Connecticut a Washington para participar da manifestação. "Eu vou me filiar a qualquer partido político que essas crianças da Flórida acabaram de criar", dizia o cartaz que carregava. Sua cunhada, Chrissy Hennessey, de 46 anos, viajou das Bahamas para a marcha. "Eu tenho dois filhos de 8 e 10 anos que vão estudar nos Estados Unidos no próximo ano. Eu não quero ter medo a cada dia que eles saiam de casa para ir à escola", afirmou. "Crianças vão para a escola para melhorar seu futuro, não para acabar com ele", escreveu no cartaz que carregava.
A demanda pelo controle de armas era motivada não apenas pelos ataques em escolas. Jean Kranefeld, de 66 anos, levava um cartaz com o nome de uma das vítimas do massacre de Las Vegas, no qual 58 pessoas morreram em outubro. Cinco meses mais tarde, a sobrevivente Rosemarie Melanson continua internada, depois de ter passado por dez cirurgias. "Ela se transformou na minha causa", disse Jean, que não a conhece.
Seu marido, Louie Kranefeld, também de 66 anos, lembrou que cresceu nos anos 60, quando a Guerra Fria levava escolas a fazerem exercícios contra potenciais ataques a bomba. "Felizmente, eles nunca aconteceram. Agora, essas crianças fazem exercícios e os ataques a tiros acontecem de verdade." (Agência Estado)