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Mães que conquistam pódios: histórias de superação no meio esportivo

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12.05.2024 - 08:40:00

Victor Santos

Goiânia – No exigente mundo do esporte de alto rendimento, onde a busca pela excelência física é constante, há quem enfrente desafios ainda maiores: as mães atletas. Para elas, a rotina de treinos intensos, competições acirradas e a busca pelo pódio se entrelaçam com a dedicação incondicional à maternidade. São mulheres que quebram barreiras e inspiram, demonstrando que força, determinação e amor podem coexistir e impulsioná-las a alcançar feitos extraordinários.

E são muitos os casos de mães que são atletas profissionais, como a arqueira goiana Jane Karla Rodrigues Gogel. Profissional renomada, Jane, que perdeu alguns movimentos após ter poliomielite aos 3 anos de idade, iniciou a carreira no esporte em 2003, no tênis de mesa, modalidade pela qual disputou duas Paralimpíadas: Pequim 2008 e Londres 2012. Em 2014, mudou para o tiro com arco. No novo esporte, participou dos jogos Paralímpicos do Rio em 2016 e Tóquio 2020. Além disso, conquistou duas vezes o primeiro lugar do Ranking Mundial Paralímpico (em 2018 e 2023), e um bronze no Mundial Paralímpico em Pilsen, República Checa, em 2023, onde garantiu uma vaga para o Brasil nas Paralimpíadas de Paris 2024. Ela é a atual recordista Mundial Indoor Paralímpico.

 

Jane Karla Gogel durante competição (Foto: Arquivo Pessoal)
 
”Quando iniciei no esporte já tinha dois filhos, o Lucas e a Lethicia, que eram crianças na época. Os maiores desafios eram dividir o tempo de mãe e dona de casa com treinamento e competições”, destaca a atleta ao revelar a força de vontade para conseguir "dar conta" de todas as tarefas. 
 
Mesmo com os desafios, Jane Karla teve uma ajuda especial nas missões, principalmente com os filhos. “Tive a maior força, que foi da minha mãe. Ela sempre esteve ao meu lado, me ajudando a seguir meu sonho no esporte. Minha mãe foi a melhor mãe do mundo, super compreensiva, me ajudava no que fosse possível para eu seguir a carreira desportiva. Ela não só me ajudou a perseguir meus sonhos, mas também foi uma avó amorosa e atenciosa para os meus filhos. Embora ela já não esteja fisicamente ao meu lado, sinto sua presença em cada decisão que tomo e em cada passo que dou”, assegura. 
 
Na família de Jane Karla, o amor fraterno se confunde com a paixão pelo esporte. Lethicia Rodrigues Lacerda, filha de Jane Karla, é atleta profissional de tênis de mesa, mesmo esporte que levou a mãe ao mundo das competições. “É uma honra incrível praticar esporte profissionalmente e é ainda mais gratificante ver minha filha seguindo meus passos no mundo esportivo. É um testemunho do poder inspirador do esporte e da determinação que compartilhamos para superar desafios e alcançar nossos objetivos. Estou extremamente orgulhosa dela e emocionada por podermos compartilhar essa paixão pelo esporte juntas”, diz Jane Karla.
 

Lethicia Rodrigues e Jane Karla Gogel, atletas Paralímpicas (Foto: Arquivo Pessoal)
 
A carreira de Lethicia também é marcada por desafios. “Comecei no tênis de mesa aos 7 anos de idade por influência da minha família. Na época eu ainda jogava no olímpico, só fui desenvolver a deficiência aos 14 anos de idade, que foi quando eu migrei para o esporte paralímpico. Eu não treinei constantemente dos 7 aos 14 anos, tive algumas pausas e fiquei cerca de 3 anos parada. As pausas foram principalmente por conta das dores quando comecei a desenvolver a deficiência. Quando voltei a jogar, já no paralímpico aos 14 anos, foi incrível", conta Lethicia, que tem uma deficiência genética que compromete movimentos dos membros inferiores.
 
Em entrevista ao jornal A Redação, Lethicia destacou que ter o incentivo da mãe no meio esportivo foi diferencial para que ela mergulhasse de cabeça no desafio. “Ter uma mãe atleta é incrível. Acredito que o fato da minha mãe ser tão compreensiva é exatamente por ela entender muito bem tudo o que eu passo. Ser atleta profissional não é nada fácil, existem muitas coisas por trás que só quem faz parte do meio entende. Então, sou muito grata por ter a sorte de poder dividir essa área da minha vida tão diretamente com alguém que amo e admiro tanto”, revela. 
 
Hoje, Jane Karla e Lethicia vivem separadas. Mas como elas mesmas destacam, a distância é meramente física. “Mesmo morando tão longe agora (moro e treino em São Paulo, enquanto ela mora e treina em Portugal), nossa relação continua a mesma e tentamos nos manter informadas das coisas que estão acontecendo nas nossas vidas. Apesar da saudade ser minha companheira, é muito importante saber que ela continua me dando todo apoio para que eu siga os meus sonhos. Mesmo que para isso eu precise estar morando do outro lado do mundo, tão longe dela. Minha mãe entende que alguns sacrifícios são necessários para nos tornarmos a nossa melhor versão. Sou muito grata por isso” arremata Lethicia.
 

Lethicia Rodrigues ao comemorar uma de suas conquistas (Foto: Arquivo Pessoal)

O apoio da mãe também é fundamental para Marilia Baiocchi Dionisio Netto, jogadora profissional de futebol pelo Aliança, equipe goiana. Assim como tantas outras atletas, Marilia também divide o tempo entre as missões no mundo do esporte e na área mais desafiadora: a maternidade. “Graças a Deus tenho a minha mãe, que olha a minha filha para eu trabalhar e jogar. Eu trabalho pela manhã e treino à tarde, enquanto minha filha fica com a minha mãe”, afirma a atleta.
 

Marilia Baiocchi Dionisio Netto e a filha, Clara Baiocchi Pereira Netto (Foto: Arquivo Pessoal)
 
Marilia, que joga há 15 anos no Aliança, divide a prática profissional do esporte com um emprego em um restaurante de Goiânia. De acordo com a jogadora, a filha, Clara, de 5 anos, pretende seguir seus passos. “Eu incentivo muito a minha filha a jogar e ela tem vontade. Ela tem apenas 5 anos, mas quando estiver maior, irei investir em alguma coisa. Algum esporte eu quero que ela faça, até mesmo para o bem da saúde dela”, diz.
 
A atleta conta que também teve grande apoio das companheiras de clube, inclusive quando Clara a acompanhava nas jornadas para as partidas. “O time me ajudou muito durante a gravidez. Fizeram um chá de fraldas pra mim e ganhei muitas fraldas. Durante a gestação eu segui na academia, não parei. Eu tive que fazer cesariana, o que complicou um pouco a minha volta aos gramados, mas nada me impediu. Eu levava a Clara para os treinos e viagens, ela viajou de avião ainda bebê. As meninas até ficavam com ela durante o jogo para que eu pudesse jogar. Então o time sempre me ajudou muito em relação a isso, além do apoio da minha família, claro”, relembra. 
 

Marilia Baiocchi ao lado da filha (Foto: Arquivo Pessoal)

Esporte e maternidade também são as grandes missões de vida da lutadora de Jiu-Jitsu Wenddy Kamilla, de 32 anos. "Comecei a praticar artes marciais depois de ser mãe, aos 15 anos. Até então nunca tinha tido contato com as artes marciais. Mas o amor pelo esporte veio com força mesmo um pouco depois, aos 19 anos, depois que me tornei mãe das minhas últimas filhas gêmeas", explica.  
 

Wenddy Kamilla ao lado de medalhas conquistadas em competições (Foto: Acervo Pessoal)

Wenddy, ou Milla, como gosta de ser chamada, começou a praticar artes marciais de forma despretensiosa, mas acabou levando o esporte como projeto de vida. "Sempre trabalhei no ramo de restaurante, sou cozinheira. Um dia meu esposo passou em frente a uma academia de artes marciais e marcou uma aula experimental de Muay thai. Começamos a treinar Muay thai e logo conhecemos outra arte marcial: o Jiu-Jitsu. Foi aí que eu verdadeiramente me encontrei e comecei a participar de competições", enfatiza. 

A paixão pela luta é tanta que se espalhou para todos os quatro filhos de Wenddy. Além de treinarem com os pais, Lucas, Phelipe  e as gêmeas Nicolly e Natalhya também participam de competições de Jiu-Jitsu, seguindo os passos vitoriosos da mãe, que é campeã do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu de 2023.
 


Wenddy e o marido com os filhos Lucas, Phelipe Nicolly e Natalhya (Foto: Acervo Pessoal)

Apesar da proximidade da família com o esporte, Wenddy revela que a luta não é apenas dentro dos tatames. "Os maiores desafios para mim são o tempo para treinar, pois trabalho, e a falta de patrocínio. Como sou competidora, tenho que estar sempre em movimentação, mas isso não me impede de ir atrás dos meus sonhos. Cada dia uma luta diferente, mas com muita força de vencer", garante.

E sonhos não faltam para Wenddy. "Quero ter minha própria academia, onde eu possa trabalhar com o que mais amo e ter um tempo melhor para cuidar dos meus treinos e competições", afirma ao destacar que já conta com o  mais importante: o apoio da família. 

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por Adriana Marinelli

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