A Redação
Goiânia – Acusada de matar a filha recém-nascida e guardar o corpo em um escaninho por cinco anos, a professora Márcia Zaccarelli Bersaneti, de 37 anos, foi a júri popular em Goiânia. Ao contrário da primeira versão, a professora afirmou hoje que a morte da filha foi "acidental". No depoimento desta quarta-feira (1º/8), Márcia disse que tinha constantes brigas com o ex-marido, identificado como Glaudson, e que a menina morreu nos braços dela em uma dessas discussões. Ao júri, disse que segurou o bebê com força contra o peito para evitar que o companheiro pegasse a menina.
"Depois de dar à luz, eu saí do hospital por não ter mais dinheiro para continuar lá. Fui para uma praça. O Glaudson me ligou e me encontrou lá. Ele tentou retirar a minha filha dos meus braços, e eu apertava ela contra o meu peito para protegê-la. Ficamos um tempo nessa briga até que fomos para casa. Quando eu cheguei, percebi que minha filha não estava mais respirando", disse Márcia, que acrescentou dizendo que ela era agredida por Glaudson com frequência. A criança era fruto de relacionamento extra-conjugal. Ainda segundo Márcia, após perceber que a filha tinha morrido, colocou a criança em uma caixa de papelão. "A ideia de colocar no escaninho foi dele", completou.
Além de Márcia, nove testemunhas foram arroladas e cinco delas foram ouvidas. A filha de Márcia, uma adolescente de 14 anos, fruto do primeiro casamento, foi uma das pessoas ouvidas hoje. A garoto teria confirmado que as brigas entre a mãe e o companheiro eram constantes. Glaudson também foi arrolado como testemunha, mas não foi localizado para ser intimado.
Márcia responde em liberdade por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, asfixia, e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver. As penas somadas são de 33 anos. A defesa tenta desclassificar o crime de homicídio para infanticídio, alegando depressão pós-parto. No entanto, a promotoria alega que não há os requisitos para tipificar infanticídio.
A sessão de hoje foi presidida pelo juiz Jesseir Coelho, mas a decisão de condenação de Márcia está nas mãos do júri popular.
O crime
Segundo as investigações, Márcia deu à luz uma menina no dia 15 de março de 2011. A criança teria sido morta no dia seguinte por asfixia. Depois disso, a menina foi enrolada em tecido e colocada dentro de uma caixa de papelão e levada para o escaninho do apartanento, onde ficou por cinco anos. Essa caixa so foi descoberta pela polícia depois que o ex-marido de Márcia denunciou.
No depoimento logo após ser presa, Márcia descreveu como asfixiou o bebê. "Ela começou a chorar. Estava começando a chover. Eu olhava para ela, depois ela dormiu de novo [respira fundo]. Apertei o narizinho dela", disse.