Yuri Lopes
Goiânia – O ex-presidente Lula recebeu uma comitiva formada por padres e outros religiosos da Igreja Católica em seu instituto em São Paulo na última sexta-feira (19/6). Durante o encontro, viabilizado pelo ex-ministro Gilberto Carvalho, Lula criticou duramente a presidente Dilma Rousseff, reconheceu falhas do PT e disse que é difícil fazer sua afilhada política viajar pelo Brasil e conversar com o povo.
Em trechos obtidos e publicados pelo jornal O Globo, Lula disse que a taxa de aprovação de Dilma está no “volume morto”, em referência à situação hídrica paulista, e, com o silêncio do Planalto, o “governo parece um governo de mudos”. “Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto. Todos estão numa situação muito ruim. E olha que o PT ainda é o melhor partido. Estamos perdendo para nós mesmos”, disse o líder petista.
Alguns dos religiosos, incluindo o bispo dom Pedro Luiz Stringhini, não pouparam críticas ao próprio Lula e ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Um dos principais pedidos feito pelo grupo foi que o PT volte à sua origem e fique mais próximo dos trabalhadores. Seguido do pedido, Lula concordou e disse que os “petistas trocaram a discussão da política pela do mandato”.
Lula também falou que já cobrou que Dilma fique próxima dos movimentos sociais. Segundo o jornal, o ex-presidente pediu durante reuniões reservadas que a presidente promova uma agenda positiva, se exponha mais publicamente e que reaproxime dos mais pobres. “Na falta de dinheiro, tem de entrar a política. Nesses últimos cinco anos, fizemos muito menos atividade política com o povo do que fizemos no outro período”, comentou ele.
“Gilberto sabe do sacrifício que é a gente pedir para a companheira Dilma viajar e falar. Porque na hora que a gente abraça, pega na mão, é outra coisa. Política é isso, o olhar no olho, o passar a mão na cabeça, o beijo”, criticou Lula sobre a teimosia da presidente em não viajar muito pelo País. “Falar com a população não é “agendar para falar na televisão”, completou Lula.
“Aquele gabinete (presidencial) é uma desgraça. Não entra ninguém para dar notícia boa. Os caras só entram para pedir alguma coisa. E como a maioria que vai lá é gente grã-fina… Só entrou hanseniano porque eu estava no governo, só entrou catador de papel porque eu estava no governo. Essa coisa se perdeu”, disse Lula no final da reunião.
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