Samuel Straioto
Goiânia – Candidato do PT ao governo de Goiás, Luís César Bueno (PT) aposta na proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha. O petista já gravou diversas peças ao lado do presidente e tem uma nova sessão prevista para o fim de semana, com material destinado ao horário eleitoral de rádio e televisão.
Bueno abordou o assunto nesta terça-feira (18), durante sua participação na série de sabatinas do jornal A Redação com os candidatos ao governo do Estado. Na entrevista, o petista comentou propostas de seu plano de governo e tratou de temas como saúde, segurança pública e mobilidade urbana. A participação do presidente Lula foi um dos pontos destacados pelo governadoriável.
Segundo Bueno, as gravações têm o objetivo declarado de “linkar o nosso trabalho, a nossa pré-campanha” à figura presidencial. Para ele, o material busca “mostrar a proximidade que eu vou ter com o presidente Lula não apenas na campanha, mas durante o governo”.
Luís César Bueno mencionou ainda sua participação no lançamento nacional da campanha, em São Bernardo do Campo, ao lado de outros 14 candidatos a governador de partidos aliados, ocasião em que discursou em nome do grupo.

Questionado sobre uma possível visita de Lula a Goiás durante a campanha, o candidato informou que a articulação está em curso. “Eestamos trabalhando uma data, tanto dele quanto do vice-presidente”. Segundo Bueno, as agendas de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin devem ocorrer separadamente, com possível participação de outras lideranças nacionais do partido em atos de campanha pelo Estado.
Leitura do eleitorado
Perguntado sobre a histórica dificuldade do PT em atrair o eleitor goiano, Bueno defendeu que o eleitorado se divide em dois grandes campos: um mais à direita, fragmentado entre as candidaturas de Daniel Vilela, Wilder Moraes e Marconi Perillo, e outro alinhado ao presidente Lula, hoje concentrado, segundo o candidato, em uma única candidatura ao governo estadual: a dele. “O nosso trabalho vai ser capitalizar esse voto, não deixar que esse voto migre para candidaturas mais à direita”, diz.
Luís César Bueno ainda citou o volume de obras federais realizadas em Goiás desde 2003 como parte da estratégia eleitoral, atribuindo a esse histórico um papel de destaque mesmo antes de qualquer agenda presencial do presidente no Estado: “A presença do presidente Lula em função dos resultados do seu governo já é bandeira que eu vou utilizar dentro da campanha”, disse o candidato.
Segurança Pública
O candidato ao governo pelo PT também abordou algumas de suas propostas na entrevista ao jornal A Redação. Na área de Segurança Pública, Luís César Bueno defendeu que o combate ao crime em Goiás precisa acompanhar uma mudança no perfil da criminalidade. Segundo Bueno, roubos de veículos e furtos perderam relevância para organizações criminosas, já que os carros modernos possuem rastreamento: “Se você rouba um carro, 15 minutos depois, ele já é localizado”, disse.
Para ele, o crime migrou para o estelionato eletrônico, com Goiás registrando números expressivos nesse tipo de fraude, incluindo abertura de linhas de crédito e empresas em nome de vítimas sem o conhecimento delas.
O candidato também citou a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, argumentando que organizações criminosas teriam penetrado em estruturas estratégicas, entre eles no setor de combustíveis.
“Nós precisamos combater o crime no andar de cima, onde ele consegue montar estruturas de financiamento do tráfico de drogas”, declarou. Luís Bueno afirmou que a proposta de sua gestão seria atacar o crime organizado pela via econômica e financeira, e não apenas pela repressão a delitos de menor potencial ofensivo.
Sobre o aumento do feminicídio no Estado, que, segundo o candidato, cresceu mais de 300% entre 2015 e 2026, Bueno defendeu o investimento em inteligência policial e o fortalecimento da Polícia Militar como parte da resposta, sem detalhar um plano específico de descentralização de delegacias especializadas no atendimento à mulher.
Saúde
Questionado sobre a proposta de reestatização gradual dos serviços de saúde, Bueno recorreu a uma comparação para justificar a mudança: “seria possível privatizar uma delegacia de polícia? Eu acho que não”. Para o candidato, a mesma lógica deveria valer para hospitais públicos, hoje sob gestão de Organizações Sociais (OS).
O candidato classificou como “catástrofe” a experiência de terceirização da saúde estadual, citando dificuldades de acesso a leitos de UTI em unidades como o Hugo e o Hugol: “as pessoas às vezes perambulam uma semana para conseguir uma vaga na UTI”. Segundo ele, o modelo atual “eleva os custos do sistema sem melhorar o atendimento, além de precarizar a carreira de médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde.”

Questionado sobre a justificativa original das OS, que é a promessa de agilidade no atendimento , Bueno defendeu que outros países já revisam esse modelo e citou o SUS como estrutura que deveria ser fortalecida por gestão direta do Estado: “a saúde é um dever do Estado e devem ser carreiras de Estado e protegidas pelo Estado, tal qual a polícia”. Para ele, a eliminação das OS “reduziria entre 30% e 40% dos custos hoje destinados à intermediação da gestão hospitalar.”
Transporte Coletivo
Sobre a proposta de tarifa zero no transporte coletivo nas regiões metropolitanas de Goiânia e do Entorno do Distrito Federal, Bueno defendeu que a medida depende de dois fatores: articulação institucional entre Estado, municípios, Distrito Federal e União, e a criação de corredores exclusivos para o transporte coletivo. “Não adianta ampliar as avenidas, deixar as vias mais largas, construíveis e adultas, porque as pessoas não param de comprar carro”.
Segundo Bueno, a alternativa está em tornar o transporte público mais competitivo em relação ao carro particular, com viagens mais rápidas e seguras. Ele afirmou que o programa seria financiado por um fundo de mobilidade metropolitana, estimado inicialmente em R$ 580 milhões para a região metropolitana de Goiânia e R$ 700 milhões para a região do Entorno do Distrito Federal. O candidato declarou que a implementação começaria a partir de 1º de janeiro de 2027, em caso de eleição.
Ao encerrar a entrevista, Bueno fez um apelo direto ao eleitor e recorreu à própria trajetória familiar para se apresentar como parte da história de formação do Estado. Ele se declarou descendente de uma das famílias pioneiras da região sudoeste de Goiás, citando o sobrenome Bueno como presente na política estadual desde a gestão de Pedro Ludovico Teixeira.
O candidato citou sua experiência como vereador de Goiânia por duas legislaturas e deputado estadual por quatro, afirmando conhecer “todos os municípios do Estado de Goiás” e os problemas de suas diferentes regiões. Para Bueno, essa vivência, somada à proximidade política com o presidente Lula, seria um diferencial de sua candidatura: “eu tenho certeza que por ser um governador do presidente Lula eu terei condições de fazer uma excelente gestão”.
Vice na chapa
O candidato a vice-governador na chapa é Carlos Mundim, de 51 anos, natural de Goiânia. Advogado há 29 anos, foi procurador-geral do município durante a gestão do ex-prefeito Pedro Wilson (PT), período em que integrou o corpo jurídico da administração e participou da elaboração de políticas públicas. É um dos principais articuladores políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Centro-Oeste.
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Acompanhe a agenda

Nesta quarta (19), o entrevistado será o candidato do PSDB, Marconi Perillo. Na quinta-feira (20) é a vez do candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) e, fechando a série de entrevistas, na sexta-feira (21), será a vez do candidato do PL, Wilder Morais.
