Adriana Marinelli
Goiânia – Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Goiás (OAB-GO), Lúcio Flávio de Paiva criticou a informação de que a seccional teria fechado o ano de 2015 com superávit de R$ 5,4 milhões, conforme apontou auditoria externa realizada pela empresa Marol a pedido do ex-presidente, Enil Filho. O resultado da auditoria vai de encontro com a informação de que a Ordem estaria afundada em dívidas. Além de negar a situação de superávit, Lúcio Flávio reafirmou que a realidade é bastante preocupante e ressaltou que a empresa contratada por Enil não teria analisado todos os documentos necessários para chegar ao parecer final.
"Esse superávit foi baseado em informações incompletas. O nível de endividamento da OAB com o Conselho Federal, Casag e Fundo de Assistência da Advocacia chega a R$ 8 milhões. Esse valor deveria ter sido mandado e não foi", disse o presidente em entrevista coletiva concedida na tarde desta quinta-feira (18). "Sem falar em outras dívidas, muitas empresas contratadas em 2015 não foram levadas em consideração. As obras contratadas pela OAB em 2015 não foram levadas para a auditoria, além de várias dívidas com fornecedores, que também não estão na documentação levadas à equipe da Marol".
Lúcio Flávio, durante apresentação de dados da Ordem, afirmou que as manifestações do ex-presidente Enil "confundem e distorcem o conceito de superávit". "Não sei se por má fé ou por desconhecimento mesmo", disse. "E aqui a gente precisa fazer uma análise dessa questão de uma maneira bem simples. Qualquer um de nós que ouça a palavra superávit, vai achar que isso significa dinheiro na conta. O relatório da Marol utiliza um conceito de superávit contábil, quase que fictício. A contabilidade trabalha com regimes de caixa. O que interessa pro gestor é dinheiro na conta e esse conceito contábil não significa isso. Eu recebi a OAB sem dinheiro em conta e com dívidas enormes", garantiu.
A auditoria
Por meio de nota, a Marol, empresa contratada por Enil Filho, afirmou que refuta "eventuais interpretações equivocadas com base em análises parciais dos documentos emitidos" e se colocou à disposição para outros esclarecimentos necessários.
Confira a nota na íntegra:
O resultado de nosso trabalho de auditoria independente não enseja a afirmação da qualidade da situação financeira ou patrimonial da OAB Goiás, ensejando única e exclusivamente que, consoante as evidencias de auditoria as quais tivemos acesso à época da execução de nossos trabalhos, pudemos concluir pelos preceitos apontados em nosso parecer.
O parecer de auditoria deve ser analisado em todos os seus termos, uma vez que a análise isolada pode ensejar interpretações equivocadas. Apontamos em nosso parecer parágrafo base para opinião com ressalvas, ressalvas estas que, face a sua materialidade, quando ajustada pela instituição, influenciarão no resultado final do período de 2015 e também em períodos anteriores à 2015. Estas ressalvas foram apontadas em nosso relatório circunstanciado dos auditores independentes sobre as informações contábeis findas em 31 de dezembro de 2015, nº. 0006216, apresentado em sessão ordinária da OAB Goiás em 16 de março do corrente ano, e repetidas em nosso parecer de auditoria.
A Marol é uma organização que presta serviços de auditoria e consultoria contábil e tributária, há 12 anos atuando em todo o território nacional, atendendo satisfatoriamente empresas de médio e grande porte, bem como entidades sem fins lucrativos.
Refutamos eventuais interpretações equivocadas com base em análises parciais dos documentos que emitimos, nos colocando a disposição para outros esclarecimentos que se julguem necessários pela OAB Goiás e o público em geral, em favor da transparência que historicamente conduzimos nossa responsabilidade profissional.
Marol, as coisas certas, do jeito certo.
Goiânia, Goiás, 18 de agosto de 2016.
Cássius Pimenta Rodrigues
Marol Auditoria e Consultoria Contábil e Empresarial S/S