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(Foto: reprodução)

Livro sobre Félix de Moura será lançado no IHGG

Lançamento será no dia 4 de setembro

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27.08.2026 - 11:07:47

Jales Naves

Especial para o A Redação

Goiânia – O livro “Ancestrais e vida de Félix de Moura — história e revelações”, do advogado e escritor Ney Moura Teles, será lançado no próximo dia 4 de setembro, uma sexta-feira, às 9h, na Casa Rosada de Goiânia, sede do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Trata-se, de acordo com o escritor Nilson Jaime, de uma obra biográfico-historiográfica, misto de história e ficção, à maneira dos romances “O Tronco” (1956) e “Chegou o Governador” (1987), de Bernardo Élis, “para citar apenas o maior de nossos romancistas”.

“Mas não é uma obra de ficção, novela, ou romance”, afirmou. “Estamos diante de um livro biográfico-historiográfico, com saborosas digressões ficcionais, onde fatos documentados e personagens reais se conectam, para proporcionar ao leitor um panorama historiográfico de três séculos sobre o Estado de Goiás e também Tocantins. O protagonista do livro, Félix de Moura, se insere nestes contextos históricos”.

Autor

Ney Moura Teles, nascido em 8 de fevereiro de 1956, em Formosa, GO, é filho de Félix Pereira de Moura e Júlia Gonçalves de Moura, ambos também formosenses. O pai do autor é o personagem central do livro. Félix Moura era advogado, foi deputado estadual de 1947 a 1950 e relator da Constituinte de 1947. Ocupou também a chefia do Gabinete Civil (1951-1952) do governador Pedro Ludovico Teixeira (1951-1954) e secretário de Segurança Pública, Interior e Justiça (1952), no governo interino de Jonas Duarte (1952).

O autor, assim como seu pai, também é advogado, formado em 1984 na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Univer­sidade de São Paulo. Dedicou-se ao magistério, tornando-se professor de Direito Penal na Faculdade de Direito do Centro de Ensino Unificado de Brasília – hoje Centro Universitário de Brasília, UniCEUB – do qual se licenciou. Lecionou Direito Penal na Escola Superior da Magistratura do Distrito Federal e no Instituto Processus, também de Brasília, e na Escola Superior da Magistratura do Estado de Goiás.

Com vasta experiência como advogado criminalista e eleitoral, além de efetiva participação classista na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do DF, e ativista partidário, Ney Moura Teles foi candidato a deputado federal e a senador por Goiás, obtendo mais de meio milhão de votos neste segundo pleito. Publicou os seguintes livros: “Direito Penal – parte geral I e II” (São Paulo: Editora e Livraria de Direito, 1996), republicados em 1998, 2001 e 2002, pela Editora Atlas; “Direito Eleitoral – comentários à Lei nº 9.504, de 30.9.1997” (São Paulo: Atlas, 1998); e “Novo Direito Eleitoral — Teoria e prática” (Brasília: LGE, 2002), três volumes.

Autor de diversos artigos em revistas especializadas, ele é sócio titular do Instituto Cultural e Educacional Ber­nardo Élis Para os Povos do Cerrado (Icebe), cujo patrono da Cadeira nº 90 que ocupa é Félix Pereira de Moura; e do IHGG, Cadeira nº 55, de Alfredo de Faria Castro.

Pai protagonista

A motivação de escrever o livro, como anotou Nilson Jaime na apresentação da obra, foi a história de seu próprio pai, protagonista de momentos importantes da História de Goiás em meados do século XX. “Ao fazê-lo, retrocedeu ao passado, aos seus ancestrais mais longínquos, em Portugal e em Goiás. Faz uma sinopse sobre a formação do país de Camões e aponta as causas das Grandes Navegações, da Descoberta do Brasil e à expansão bandeirante para o Oeste”.

No desiderato de escrever suas origens familiares, Ney Moura foi a Portugal aprofundar suas pesquisas. Chega ao seu mais remoto ancestral, Manoel Antonio de Moura Telles, nascido em Guimarães, cidade historicamente associada à fundação da nacionalidade e à identidade do país, alcunhada “berço da nação portuguesa”. À maneira de Jarbas Jayme, com seu clássico “Cinco Vultos Meiapontenses” (1943), descreve a formação e a trajetória de seu parente ancestral em Porto e Penafiel.

A história de seu pentavô é relatada num contexto de ebulições, revoluções e conjurações, na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil: a Revolução Francesa, a Revolução Americana e a Conjuração Mineira. Resgata seu casamento com Rita, em Penafiel, a travessia do Atlântico, a chegada ao Rio de Janeiro e seu êxodo para a “Capitania de Goyaz”, ao final do século XVIII.

Duas partes

O livro é dividido em duas partes: a primeira, “Ancestrais”; e a segunda, “Felix de Moura”, este o cerne da obra. Na parte inicial o autor retrata o então Norte da Capitania de Goiás, o Arraial de Cavalcante e suas pitorescas igrejas e casario colonial rococó. Juntamente com os cargos ocupados por seu pentavô, Manuel Antonio, o autor dedica parte do enredo aos “escravizados”, enveredando pelo ficcionismo historiográfico (os personagens são reais, obtidos nos inventários de Manuel e Rita), recheados de figuras telúricas e líricas para demonstrar o sofrimento dos afrodiaspóricos nos sertões de Goiás.

Na primeira parte, Ney Moura Teles introduz um personagem da maior importância na história de Goiás e Tocantins: Joaquim Teotônio Segurado, ouvidor da Comarca de Goiás e depois da Comarca do Norte. Teotônio Segurado foi protagonista das tentativas de separar o Norte de Goiás, por meio de rebeliões e movimentações políticas separatistas, por ocasião da Independência do Brasil. Este livro, embora em estilo coloquial, ilustra acontecimentos contemporâ­neos aos relatados em estudos historiográficos importantes sobre o separatismo do Norte, como os de Americano do Brasil (Súmula de história de Goiás, 1961 e Pela história de Goiás, 1980), Regina Lacerda (A independência em Goiás, 1973), Humberto Crispim Borges (O pacificador do Norte, 1984) e, mais recentemente, Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante (O discurso autonomista do Tocantins, 2003). Dentre os 14 filhos de Manoel Antonio e Rita, o autor destaca o primogênito Manoel de Moura Telles — falecido precocemente aos trinta anos, por peçonha de cascavel às margens do Rio Paranã –, cujo filho Manoel d’Abbadia de Moura Telles, então com seis anos, daria seguimento ao ramo familiar de Felix de Moura, o protagonista deste livro.

O leitor perceberá, entre os personagens ancestrais do autor mencionados no livro, uma recorrência de homônimos: seu pentavô é Manoel Antonio (esposo de Rita), já referenciado; seu tetravô, Manoel de Moura Telles, filho do antecedente, que por sua vez gerou o trisavô do autor, Manoel Abbadia (passou a assinar assim, ao invés de d’Abadia) de Moura; o bisavô é Felix de Moura Telles, por sua vez, pai do avô Abneres de Moura Telles. Abneres gerou Felix Pereira de Moura (Felix de Moura), pai do autor Ney Moura Teles.

Contextualização histórica

Em todo o livro, o autor faz interessantes contextualizações históricas, como por exemplo sobre a Lei de Terras n° 601, de 18 de setembro de 1850, e sobre a Lei Euzébio de Queiróz, do mesmo ano, e o impacto que essas leis tiveram sobre a elite agrária no Brasil e em Goiás. Da mesma forma, discorre sucintamente sobre acontecimentos históricos nacionais e locais, como a Guerra do Paraguai, a política na capital da Província de Goiás, rebeliões e os panoramas políticos locais. Essas digressões historiográficas dão à obra um caráter pedagógico, porém lúdico, levando o leitor à reflexão sobre o contexto político, social e econômico dos períodos e localidades abrangidos no livro, de forma leve e agradável.

A parte II trata da vida e realizações de Felix de Moura, desde seu nascimento pelas mãos da parteira “Sá Nicota”, no Vão do Paranã, em 28 de janeiro de 1915, passando pela infância e primeiros estudos em Formosa; o impasse sobre a continuidade, se no Lyceu de Goiás, ou no Diocesano de Uberaba, por fim escolhido; relata sua vida enquanto cursou a faculdade de Direito, no Largo do São Francisco, em São Paulo, e toda sua trajetória profissional subsequente. “Como na parte introdutória, a parte II é também repleta de digressões sobre episódios e acontecimentos históricos, não se olvidando das paisagens urbanas de Sampa e até futebol. O autor, ao mesmo tempo em que reflete sobre a história do Brasil, ou especificamente de Goiás, não perde o veio poético e lírico”, anotou Nilson Jaime.

Ao relatar a volta de Felix de Moura para Formosa, em 13 de abril de 1945, arremata: “as águas de março já tinham fechado o verão”. A abordagem da segunda parte se baseia em elementos factuais sobre o panorama político de Goiás: a construção da UDN; o pós-guerra, com o retorno dos pracinhas da FEB; a campanha presidencial do brigadeiro Eduardo Gomes, em 1945 e sua vitória em Formosa; e a participação política de Felix de Moura.

O autor reconstitui o discurso de Felix de Moura na convenção da UDN, ocorrido no novíssimo Cine Teatro Goiânia, e as vitórias de Coimbra Bueno para governador e de Felix de Moura para deputado estadual, nas eleições ocorridas em 19 de janeiro de 1947. A partir do capítulo 7 da parte II, em sete capítulos, o livro trata da vida parlamentar e pública de Felix de Moura, com ponto alto na relatoria geral da Constituição do Estado de Goiás, promulgada em 20 de julho de 1947. De igual monta, sua participação como chefe do Gabinete Civil do governador Pedro Ludovico Teixeira e secretário de Segurança Pública, Interior e Justiça, no governo interino de Jonas Duarte.

O livro “Ancestrais e vida de Felix de Moura — história e revelações” não é uma obra hagiográfica. “Pela variedade de fatos e episódios parlamentares, administrativos e políticos relatados, torna-se um importante repositório da história recente de Goiás relativo aos meados do século XX. Merece ser lido, anotado, pesquisado, citado, como boa fonte historiográfica”, recomenda o escritor Nilson Jaime.

 

 

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por Ludymila Siqueira

*Repórter

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