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(Foto: Amanda Theodoro/Elysium)

Livro revela bastidores da consolidação das Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte, no Rio

Obra produzida pela Elysium Sociedade Cultural reúne amplo acervo fotográfico e curiosidades sobre o antigo templo religioso; lançamento será na Flip 2026

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24.07.2026 - 08:02:03

A Redação

Goiânia – As Ruínas de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu (RJ), têm seu trabalho de pesquisa e resgate histórico reunido em um livro que será lançado nesta sexta-feira (24/7), durante a programação da Casa Patrimônio na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A publicação apresenta os resultados do levantamento desenvolvido durante o processo de consolidação da antiga igreja, reúne um amplo acervo fotográfico e detalha os aspectos técnicos das intervenções realizadas, além dos impactos das ações sociais promovidas ao longo dos 18 meses de obras.

Instalada na sede do Instituto Histórico e Artístico de Paraty (IHAP), na antiga cadeia, ao lado da Igreja de Santa Rita, a Casa Patrimônio integra pela primeira vez a programação oficial da Flip com um espaço inteiramente dedicado ao patrimônio cultural brasileiro. A festa literária teve início na quarta-feira (22/7) e segue até domingo (26/7).

Produzido pela Elysium Sociedade Cultural, o livro Ruínas de São José da Boa Morte integra a linha editorial da instituição, criada em 2012 e responsável por mais de 150 publicações voltadas à preservação, pesquisa e difusão do patrimônio cultural brasileiro.

Segundo o diretor técnico da Elysium, Wolney Unes, a obra representa um importante registro do conhecimento produzido durante a consolidação das ruínas e amplia o acesso da sociedade ao patrimônio histórico. “Mais do que documentar uma intervenção, este livro preserva a memória de um bem cultural e compartilha com pesquisadores, estudantes e com o público em geral todo o conhecimento construído durante o processo. A publicação demonstra que preservar patrimônio também significa produzir conhecimento, registrar técnicas, interpretar documentos históricos e fortalecer o vínculo entre a comunidade e sua própria história”, afirma.

A pesquisa que deu origem ao livro levou em consideração a análise dos vestígios materiais encontrados no local e a busca por fontes históricas. Dos mais de 200 fragmentos catalogados, foi possível identificar informações sobre materiais construtivos, etapas de intervenção e escolhas estéticas da época em que o templo religioso estava em pleno funcionamento.

A historiadora Rachel Wider, integrante da equipe da Elysium, destaca que as fontes documentais foram fundamentais para reconstruir a trajetória da antiga igreja e da comunidade. “Os primeiros relatos que temos sobre a capela de São José vêm dos registros do visitador eclesiástico Monsenhor Pizarro, que, em 1794, realizou um amplo levantamento das freguesias do recôncavo da Guanabara. A partir desses escritos, foi possível compreender as datas e os processos de construção da capela, da irmandade que ali funcionava e aspectos do cotidiano daquele período”, explica.

Também foram considerados os arquivos da Cúria de Niterói e de Japuíba, que permitiram o acesso a atestados de óbito e testamentos produzidos entre os séculos XVIII e XX. “Essa documentação possibilitou mapear parte dos sepultamentos realizados no local e traçar um perfil social da comunidade que frequentava a igreja”, acrescenta Rachel.

O resultado é um amplo resgate histórico das ruínas, abordando desde a formação da região, no período das sesmarias, passando pela criação das vilas e distritos e pela fundação de Cachoeiras de Macacu, até as lutas da comunidade pela preservação do patrimônio e o próprio processo de arruinamento da antiga igreja.

Além da pesquisa histórica, a publicação também apresenta uma reflexão sobre o papel das ruínas no mundo contemporâneo e registra as diretrizes técnicas que orientaram as intervenções de conservação e consolidação já concluídas. Uma das responsáveis pelo projeto, a arquiteta Jessica Marques explica que, durante a execução das obras, foi necessário rever a proposta inicial. “Foi necessário ouvir a ruína. Eu sempre destaco a importância disso. Percebemos que a intervenção inicialmente proposta já não se mostrava a solução mais adequada. Tornou-se necessário preservar o espaço interior”, afirma.

A partir dessa nova compreensão, a equipe reposicionou a escadaria originalmente prevista para a nave principal, transferindo-a para a nave lateral. A mudança preservou a leitura do conjunto histórico e manteve livre o espaço central para contemplação. O projeto também implantou um mirante em estrutura metálica, concebido como um mezanino autoportante, sustentado por quatro pilares e acessado por escada independente. “Essa estrutura reinterpreta o antigo coro da capela e oferece aos visitantes uma nova perspectiva do espaço, sem tocar as paredes existentes. Ela não se impõe sobre a ruína. Ela se deixa descobrir”, destaca Jessica.

As intervenções incluíram ainda soluções para proteger o topo das paredes de alvenaria, anteriormente expostas diretamente às intempéries. Segundo a arquiteta, durante as vistorias técnicas realizadas pela equipe foi constatada a necessidade de proteger essas áreas para evitar infiltrações e garantir maior estabilidade e durabilidade da estrutura histórica.

As obras de conservação e consolidação das Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte foram concluídas neste mês de julho. Erguida a partir de 1734 e tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (Inepac) desde 1989, a igreja passou pela primeira vez por um processo de conservação e consolidação. Os trabalhos foram conduzidos pela Elysium Sociedade Cultural em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio de Lei de Incentivo à Cultura.

Serviço
Lançamento do livro ‘Ruínas de São José da Boa Morte’
Local: Casa Patrimônio, na Flip 2026
Data: 24 de julho
Horário: 16h
Endereço: Sede do Instituto Histórico e Artístico de Paraty (IHAP), na antiga cadeia, ao lado da Igreja de Santa Rita
Para adquirir o livro: Elysium (62) 9 3645-0404 (WhatsApp)

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por Adriana Marinelli

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