A Redação
Goiânia – O promotor de Justiça Haroldo Caetano lança, na próxima quarta-feira (15/4), na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o livro ‘A Rebelião’, obra de memórias que revisita a maior crise penitenciária da história de Goiás, quando uma violenta rebelião ocorrida no então Centro Penitenciário de Atividades Industriais do Estado de Goiás (Cepaigo), atual Penitenciária Odenir Guimarães, ganhou o noticiário nacional e internacional.
À época, a unidade, projetada para abrigar 320 detentos, comportava 782, em meio a denúncias de maus-tratos e falhas estruturais. O cenário se agravou durante uma visita de autoridades realizada sem planejamento adequado, o que contribuiu para o desencadeamento do motim.
O episódio foi liderado pelo detento Leonardo Pareja, figura que ganhou notoriedade nacional à época. Entre as autoridades feitas reféns estava o então jovem promotor Haroldo Caetano, que permaneceu sob domínio dos amotinados por mais de uma semana. Três décadas depois, o autor retoma os acontecimentos com base em sua experiência direta e em um amplo conjunto de fontes, incluindo reportagens, arquivos televisivos e registros oficiais.

Com base em amplo acervo de reportagens, arquivos televisivos, publicações oficiais e produções audiovisuais, o autor reconstruiu os fatos com rigor histórico. “O resultado que aqui se apresenta nasce da memória, da pesquisa e do cuidado em costurar os fatos”, afirma Caetano. “As lembranças daquele período ainda hoje me alcançam com clareza desconcertante”, acrescenta.
Assim, o livro articula memória e reflexão para reconstruir os dias do motim, resultantes de uma série de erros estratégicos de segurança. A obra marca a estreia de Haroldo na literatura memorialística, após trajetória dedicada ao estudo do sistema penal e da saúde mental.
Romance de suspense
Escrito em formato de romance de suspense, “A Rebelião” apresenta uma narrativa que busca reconstruir os fatos sob uma perspectiva crítica, destacando os erros estratégicos e operacionais que contribuíram para o desfecho da crise. A obra também resgata personagens emblemáticos do episódio e propõe uma reflexão sobre o sistema prisional brasileiro.
O livro é publicado pela Editora Jandaíra. A edição conta, ainda, com ilustrações do fotógrafo Carlos Costa, que, à época da rebelião, atuava como repórter fotográfico do jornal O Popular e acompanhou de perto o motim.
