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Lista: 10 livros pandêmicos

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17.05.2021 - 11:00:01

José Abrão
 
Goiânia – Pandemias, surtos e epidemias fazem parte da humanidade desde os tempos das cavernas. Naturalmente, conforme a civilização avançou, estes flagelos passaram a integrar tematicamente grandes obras de arte da humanidade, e na literatura não foi diferente.
 
Da Idade Média, passando pela filosofia moderna e chegando aos quadrinhos, histórias envolvendo pandemias sempre têm algo significativo a dizer sobre a humanidade. Separamos nesta lista algumas das principais obras que possuem pandemias como tema ou pano de fundo, algumas realistas, outras mais fantasiosas, abordando a questão tanto de forma prática como também metafísica.
 
O Decamerão (Giovanni Boccaccio, 1348)
 
Considerado uma das maiores obras-primas da literatura mundial, O Decamerão encontra comédia no absurdo e na dor da peste negra na Europa. Na trama, um grupo de sete moças e três rapazes se esconde em um castelo de Florença onde decide se colocar em quarentena e isolamento social para fugir da peste. Entediados, eles começam a contar histórias para passar o tempo no confinamento. O livro reúne 100 contos que enveredam pela tragédia, pela comédia, pelo erótico e pelo romântico. A obra é considerada pioneira do humanismo ao valorizar sentimentos terrenos ao invés do moralismo medieval idealizado. Além disso, o livro tem valor documental ao jogar luz sobre como era a vida cotidiana dos italianos da Idade Média.

 
Os Contos de Cantuária (Geoffrey Chaucer, 1387)
 
Inspirado no Decamerão, se trata de uma coletânea clássica em prosa e verso de histórias sobre um grupo de peregrinos que viajam de Londres para a catedral da Cantuária em meio ao ápice da peste negra. Não apenas este, mas todos os escritos de Chaucer são assombrados pela peste e trazem relatos interessantes (alguns ficcionais e outros nem tanto) sobre como sobreviver à praga. Nos Contos, algumas pessoas se abrigam na fé e, portanto, peregrinam. Outras apenas fogem das áreas mais afetadas e algumas, enfim, se resignaram. Em uma das passagens mais icônicas, para lidar com o terror, três homens bebem para esquecer os seus problemas e ficam tão alterados que não percebem que um de seus amigos morreu da praga. Ao ficarem sóbrios, eles decidem embarcar em uma jornada por justiça: eles se propõem matar a Morte para impedir mais sofrimento.

 
Diário do Ano da Peste (Daniel Defoe, 1722)
 
Escrito pelo mesmo autor de Robinson Crusoé, o livro é considerado um pioneiro do livro-reportagem e da literatura de não ficção e retrata, através do relato de testemunhas, a Grande Praga de Londres, um surto de peste bubônica ocorrido na capital inglesa em 1666, que matou pelo menos 97 mil pessoas em dois anos. A trama acompanha principalmente HF, provavelmente Henry Foe, antepassado de Defoe, que busca sobreviver à peste ao mesmo tempo em que sente as pressões econômicas: precisa manter a sua loja funcionamento para alimentar a família. O livro é um relato espantoso da tragédia, assim como um documento histórico de como se proteger e de como era a vida londrina.

 

A Peste (Albert Camus, 1947)
 
Considerada a obra-prima do filósofo Camus, este romance acompanha um médico e os moradores da cidade de Orã, na Argélia, assolada pela epidemia de uma doença misteriosa. De natureza absurdista e existencialista, o romance é introspectivo e mostra a busca de sentido dos moradores conforme suas certezas na vida: na fé, na moral, no governo, vão sendo destruídas pela dura realidade da doença. Ao longo da trama, este sentido é reconstruído a partir da aceitação do absurdo e da formação de laços de solidariedade entre as vítimas.

 

Eu Sou a Lenda (Richard Matheson, 1954)
 
Este romance curto de 160 páginas acompanha Robert Neville, aparentemente o único humano sobrevivente de uma pandemia misteriosa que transformou todos os outros humanos em vampiros. Lutando para sobreviver, Neville vaga pela noite caçando os monstros. A história ficou famosa por popularizar a ideia do contágio como causador de um colapso mundial, sua análise sobre a natureza humana e também pela reviravolta do final: os vampiros, ou algo parecido com eles, na verdade são inteligentes e formaram uma nova civilização em que contam lendas sobre um monstro que os caça durante a noite, isto é, Neville.

 
O Amor nos Tempos do Cólera (Gabriel García Márquez, 1985)
 
Escrito pelo Nobel de literatura colombiano, este romance acompanha o amor entre Florentino Ariza e Fermina Daza. Com base no romantismo e no melodrama, porém inseridos no realismo fantástico do autor, a trama queima lentamente ao longo de 50 anos de “será que agora vai?” entre os protagonistas. Ao longo desse tempo, Cartagena, na Colômbia, onde a história se passa, vive seguidos surtos que parecem não ter fim de cólera, doença bacteriana extremamente letal no século XIX. Embora o foco seja no romance, a epidemia é uma intrusa constante na história, afetando o dia a dia e a vida dos personagens que precisam conviver com essa doença que simplesmente se tornou uma realidade permanente ao longo de décadas.
 

 
Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago, 1995)
 
A trama acompanha o colapso da sociedade e das regras civilizadas quando a humanidade é tomada por uma pandemia de cegueira branca. A melhor forma de descrevê-lo é a partir das palavras do próprio autor: "este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição”, disse Saramago em uma entrevista.

 

A Dança da Morte (Stephen King, 1990)
 
Lançado originalmente em 1978 e depois reeditado com centenas de páginas a mais em 1990, A Dança da Morte é o romance mais longo do autor e também um dos mais estranhos. A história começa com o extermínio de mais de 99% da população mundial devido a um super-vírus sintético criado pelos EUA que escapa do laboratório. A segunda parte são os principais sobreviventes tentando se encontrar conforme todos começam a ter estranhos sonhos sobrenaturais com duas figuras messiânicas, uma representando o bem e outra o mal. Embora seja principalmente uma aventura, King toca em alguns pontos práticos, principalmente sobre como recomeçar uma sociedade do zero.

 
Y – O Último Homem (Brian K. Vaughan e Pia Guerra, 2002-2008)
 
Um vírus desconhecido causa, da noite para o dia, a morte de todos os machos de mamíferos do mundo. De repente, o futuro da humanidade está irreversivelmente condenado e muitas das estruturas de poder, sejam elas políticas os financeiras, estão sem liderança devido à hegemonia masculina. Em meio a tudo isso, restaram exatamente dois machos vivos: Yorick, um jovem comum de vinte e poucos anos, e Ampersend, seu macaco de estimação. Os dois agora precisam sobreviver a um mundo que, de repente, se tornou muito mais complicado e dividido do que já era.

 
The Walking Dead (Robert Kirkman, 2003-2019)
 
Com 193 edições e quase 20 anos de publicação, The Walking Dead quebrou todos os paradigmas de histórias em quadrinhos. Embora tecnicamente toda história de zumbi seja uma história de contágio, a série revolucionou o gênero ao focar menos nos monstros e no terror, e mais em todos os aspectos sociais e de infraestrutura do fim do mundo. Ao longo das edições, mais do que sobreviver, Rick Grimes e seus amigos devem lutar para reerguer uma sociedade que seja justa, correta e economicamente viável, um trabalho muito mais complicado do que matar zumbis.

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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