Nádia Junqueira
Criticado por ter agido contra a base do governo, o vereador Djalma Araújo (PT) deixa a liderança do prefeito na Câmara convicto de sua decisão e de seu posicionamento em pedir a exoneração do secretário Municipal de Esporte e Lazer, Luiz Carlos Orro (PCdoB). Em entrevista à Redação, o vereador afirma que o episódio em que foi agredido com um ovo por militantes do PCdoB no plenário foi pontual e crucial para sua decisão de deixar o cargo. Durante seu mandato, o vereador vem fazendo duras críticas ao PCdoB e à Secretaria de Esporte e Lazer, mas disse que as denúncias de irregularidades na licitação de reforma do parque foram a única razão que o motivou pedir para Orro sair. O vereador, no entanto, disse que não vai assinar CPI do Mutirama.
Djalma Araújo assegurou que a relação com o prefeito vai bem e que continuará a apoiar a administração municipal na Câmara, se colocando à disposição, inclusive, para auxiliar o novo líder do prefeito: Agenor Mariano (PMDB). O vereador durante entrevista e discurso no plenário nessa manhã (23/8) elogiou papel da oposição na Casa e negou que haja atritos na administração entre peemedebistas e prefeito Paulo Garcia.
A Redação: O que, de fato, levou o sr. a deixar a liderança do prefeito na Câmara? Foi por ter se posicionado contra a bancada pedindo a exoneração de Luiz Carlos Orro (secretário Municipal de Esporte e Lazer), por outras divergências ou foi o episódio do ovo?
Djalma Araújo: O motivo foi o episódio aqui na Câmara, que foi contundente. O jornalista Pablo Kossa escreveu, inclusive no A Redação, que foi um ovo contra a sociedade e não só contra o vereador Djalma. E foi isso mesmo. Um episódio em que alguns funcionários da Secretaria de Esporte e Lazer desrespeitaram o poder legislativo. Então foi pontual e crucial esse episódio para eu deixar a liderança, não tenho nenhum problema com prefeito, pelo contrário. Fui desrespeitado por um partido (PCdoB) que faz parte da administração e continuo defendendo a saída do secretário (Luiz Carlos Orro). Nem toda denúncia é fato apurado, mas temos que investigar. A presidente Dilma tem dado uma lição decomo mudar governo de forma tranquila tirando as pessoas que se utilizam do Estado para roubar.
Vou continuar apoiando as ações da administração municipal e dei minha contribuição enquanto líder. Fui o vereador que defendeu a aliança do PT com PMDB, inclusive muitos companheiros do PT discordaram de mim na época, quando fazíamos exorcismo ao PMDB e eles a nós. E eu consegui reconstruir a história, o que não é fácil. Terei agora um olhar mais voltado para sociedade, alertando o prefeito de forma constante das demandas da população. Líder nao pode ser submisso ao extremo, nem puxa-saco, mas companheiro, o que sou do Paulo Garcia. Saio de cabeça erguida, aprovamos projetos importantes e eu tive a capacidade de dialogar com a oposição, o que não é fácil porque ela é muito articulada.
A relação com prefeito vai bem?
Claro, ontem mesmo estive com ele, batendo papo. Ele é um grande amigo, além de prefeito.
E daqui para frente, como será seu trabalho na bancada do governo na Câmara?
Vou ajudar na articulação. Me disponho a ajudar Agenor Mariano, um vereador que já tem experiência, pautado pela seriedade. O debate continua e a oposição faz seu papel que é legítimo. Minha posição será de ajudar, articular com a oposição. Ela não pode ser isolada, porque ela retrata a vida na cidade e tem o direito de pensar diferente de mim.
O sr. acredita que a escolha de Agenor Mariano para representar a liderança na Câmara vai amenizar os atritos entre peemedebistas e prefeito?
Não há atritos, as relações estão muito boas com a base de apoio. Claro que não dá para atender todas as demandas dos vereadores. Mas a administração do Paulo Garcia pauta-se pelas obras e a melhoria da qualidade de vida da população.
E a respeito da CPI do Mutirama. O sr. apoia? Vai assinar?
Não vou assinar, porque o caso já está sendo fiscalizado pelo Ministério Público, Tribunal de Contas do Município, Polícia Federal e a comissão especial de inquério fica pequena diante dessas investigações. Mas respeito quem a defende.
Durante esse mandato o sr. vem fazendo duras críticas ao PCdoB e à Secretaria de Esporte e Lazer. Como o sr. se posiciona em relação a eles? Essas críticas o motivaram a pedir a exoneração de Orro?
Nõ existe política de esporte no município. Isso é notório. Mas isso não foi o ponto crucial, o ponto foi, nada mais, nada menos, que o Mutirama.