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Liberdade para escolher quando desacelerar na carreira

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17.09.2025 - 08:02:51
As mulheres estão cada vez mais bem-sucedidas no mercado de trabalho, em um equilíbrio entre acumular patrimônio ao longo da vida e realizar desejos de consumo compatíveis com suas conquistas. A aposentadoria deixou de ser uma fase obrigatória de final de carreira e passou a ser encarada como uma decisão de liberdade para usufruir com saúde do novo tempo livre. Junto a essa tomada de decisão vem a preocupação em manter o padrão de vida.
 
A expectativa de vida feminina no Brasil ultrapassa os 79 anos, segundo o IBGE, o que significa quase sete anos a mais que a masculina. Como Planejadora Financeira, acompanho as minhas clientes e percebo que elas não desejam apenas segurança financeira, mas a tranquilidade de saber que poderão continuar vivendo do mesmo modo quando decidirem se aposentar, sem precisar abrir mão de escolhas pessoais e preservando o seu legado para as próximas gerações.
 
A reorganização financeira de renda proveniente do trabalho ativo para a renda passiva do portfólio de investimento exige um planejamento estruturado. Para que o patrimônio acumulado seja capaz de continuar proporcionando conforto e qualidade de vida sem ser dilapidado. Existem estratégias possíveis de serem planejadas e que trazem eficiência na gestão desse patrimônio, equilibrando liquidez imediata com recursos que continuam investidos com foco no médio e longo prazo, assegurando estabilidade e crescimento da carteira de investimentos.
 
Com a maior longevidade e a diversidade nas estruturas familiares, é alto o número de mulheres que herdam ou passam a administrar sozinhas grandes fortunas. Muitas enfrentam essa transferência de riqueza sem terem participado da construção da carteira de investimentos ou terem sido preparadas para esse momento, por raramente terem conversas sobre gestão do patrimônio com o tomador de decisões. Minha recomendação é tratar a sucessão patrimonial como tema de governança familiar, com diálogo aberto e a participação nas tratativas sobre os bens da família.
 
O protagonismo feminino está mais representativo também no mercado financeiro. Pesquisas recentes mostram que nós, mulheres, respondemos hoje por mais de um quarto dos investidores de renda variável na B3, um crescimento de mais de 80% em cinco anos. Esse avanço indica maior disposição das mulheres participarem ativamente da gestão dos investimentos, buscando a diversificação e com visão de longo prazo. O perfil de investidora que mais predomina, entre as minhas clientes, é aquele com foco em preservação e segurança do patrimônio, principalmente com estratégias em renda fixa, e abertas a terem orientações sobre demais classes de ativos para trazer maior sofisticação e retorno, de forma estruturada e não especulativa
 
Mais do que proteger os investimentos, entendo que o desafio das mulheres de alta renda é fazer o dinheiro trabalhar para elas, por meio dos juros compostos e segurança na escolha dos ativos no momento de mercado, considerando inclusive a eficiência fiscal e tributária. A função do patrimônio construído será garantir que ele proporcione qualidade de vida, manutenção do padrão de consumo e assegure um legado estruturado para as próximas gerações. Planejar com estratégia é transformar riqueza em liberdade. No caso de nós, mulheres que conquistaram esse espaço, liberdade é o ativo mais valioso de todos.
 
*Samira Munaier é planejadora financeira
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por Samira Munaier

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