Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Um dos mais importantes eventos culturais da cidade deste ano, que reuniu no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, na manhã de quinta-feira, dia 24, a elite intelectual goiana, o lançamento do filme “D. J. Oliveira – O Dom Quixote dos Pincéis”, uma superprodução goiana, foi muito bem recebido por artistas, críticos e convidados, em torno de 90 pessoas, que aplaudiram de pé a obra. Todos foram unânimes nos elogios à iniciativa e ao curta-metragem, de 22 minutos, produzido e dirigido pelo cineasta Antônio Eustáquio da Silva (Taquinho), que resgatou um nome que trouxe a modernidade para a vida artística em Goiás, que até então vivia sob a influência marcante de Veiga Valle, artista barroco que buscou esse estilo em Minas Gerais. Foi feito em seis meses e todo custeado pelo próprio autor.
Ao saudar a obra de Taquinho, que tem feito os grandes registros das iniciativas do IHGG em sua gestão, o presidente do Instituto, Jales Guedes Coelho Mendonça, mostrou a dimensão internacional de D. J. Oliveira. Citou um trabalho dele sobre a cidade de Lídice, na Tchecoslováquia, destruída porque combatentes da resistência tcheca atacaram o alemão Reinhard Heydrich, governador representante do Protetorado da Boêmia e Moravia, em emboscada perto de Praga, em maio de 1942; Reinhard faleceu, em 04.06.1942, em decorrência dos ferimentos recebidos, e, em retaliação àquele ataque, os alemães destruíram Lídice, em 09.06.1942. Os alemães atiraram em todos os homens da aldeia e deportaram a maioria das mulheres e crianças para os campos na Alemanha.
Três entidades prestigiaram o evento: a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, cuja presidente, Andréa Teixeira, executou algumas canções ao piano; a Academia Goiana de Letras e a Academia Goianiense de Letras.
Cinquentenário
Idealizado para as comemorações em 2005 dos 50 anos de presença em Goiás de Dirso José de Oliveira, natural de Bragança Paulista, onde nasceu em 14.11.1932, o filme estava sendo rodado quando o artista faleceu, em 23.11.2005, três dias após conceder uma exclusiva entrevista gravada a Taquinho. E só agora, mais de 20 anos depois de sua morte, é que a obra, concluída naquele ano, está sendo apresentada à sociedade goiana e encontra excelente receptividade entre todos que tiveram a oportunidade de conhecê-la. “Você é um gênio”, afirmou Linda Monteiro, vice-prefeita de Goiânia (2001–2004) e secretária de Cidadania do Estado (2005-2006), que compareceu ao lançamento e o aplaudiu efusivamente.
Taquinho soube captar, com sua lente, a emoção e a tristeza que tomou conta de todos que participaram da despedida final a D. J. Oliveira, no cemitério Parque Memorial, na saída de Goiânia para Bela Vista de Goiás. Registrou alguns objetos que marcaram sua presença, como a boina, as muitas coroas de flores e o olhar distante dos muitos amigos que ali compareceram.

Artista visual e gestor cultural, Valdir Ferreira aprendeu na convivência com os mestres, foi próximo de D. J. Oliveira, teve galerias de arte, hoje dispõe de seu ateliê e participou da organização do lançamento do filme: instalou no auditório do IHGG sete cavaletes com obras do artista, sendo três pinturas, duas têmperas, uma aquarela e uma gravura.
Um dos pioneiros na cinematografia em Goiás, com mais de 10 mil comerciais produzidos em 60 anos de carreira, dirigindo comerciais, fazendo novelas, filmes e campanhas políticas, com muitos prêmios, inclusive internacionais, Antônio Eustáquio Alves da Silva (Taquinho), 77 anos, construiu uma das mais bem sucedidas carreiras na área.
Trajetória
J. Oliveira foi um artista plástico e muralista com atuação destacada em Goiás. Sua produção inclui pinturas, gravuras e murais com forte influência expressionista. Além da atividade artística, teve papel central na formação de artistas goianos nas décadas de 1960 e 1970, como Professor na Escola Goiana de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás, e influenciou artistas como Ana Maria Pacheco, Iza Costa, Roosevelt, Sáida Cunha e Siron Franco, impulsionando o circuito artístico, crítico e cultural da região.
Ele se mudou para Goiás em 1956. Em Goiânia, passou a dedicar-se exclusivamente à pintura, à gravura e aos murais, sempre retratando temas do cotidiano goiano. Adaptou a técnica de gravura em metal, em geral feita no cobre, para a prática da gravura em ferro. Ficou famoso por utilizar a técnica do afresco em obras como os painéis da Universidade Federal de Goiás e da fachada do Colégio Maria Auxiliadora.
