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Projeto Laboris da UFG (Foto: divulgação)
Projeto Laboris da UFG (Foto: divulgação)

Lançadas as primeiras músicas pelo selo Laboris da Escola de Música da UFG

Foram realizadas seis atividades formativas com 300 participantes

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10.03.2026 - 14:50:41

A Redação

Goiânia – O Laboris – Laboratório de Música Popular “Bororó Felipe” da Escola de Música e Arte Cênicas da Universidade Federal de Goiás (Emac-UFG) foi contemplado no edital de manutenção de Espaços Culturais da Lei Aldir Blanc, por meio da Secult Goiás. O fomento viabilizou a realização de seis atividades formativas com mais de 300 participantes. Além de 50 mil visualizações nos vídeos das atividades vinculadas ao projeto e promoção de quatro shows gratuitos para a comunidade, realizados no Centro Cultural UFG (CCUFG).

Segundo o idealizador do projeto, o professor da Emac, João Casimiro, o avanço mais importante foi a efetiva reestruturação física do Laboris. “Antes ele era um espaço que conseguia acolher grupos e projetos para ensaios, aulas e atividades formativas. Mas agora, com a compra dos equipamentos de áudio viabilizada pelo projeto, estamos prontos para também gravar, profissionalmente, tanto os trabalhos da universidade, quanto em parceria com a comunidade externa à UFG”.

Como contrapartida, o Laboris publicou um edital para a seleção de músicas inéditas para serem produzidas no laboratório com a participação de alunos do curso de Produção Musical da Emac/UFG.

Oficialmente, as músicas: “Avenida Rio” do Prehistoric Music Department, “Frevo Delas” São Elas, “Ciranda do Apocalipse” Delírio e “Batalhão de Carlos Magno” da cantora Débora di Sá são as primeiras com o selo Laboris no mercado fonográfico mundial.

“Ficamos felizes e impressionados com as mais de 80 músicas inscritas neste edital. Esse número mostra que há um gargalo e uma dificuldade de acesso a esse tipo de recurso pelos artistas. Além disso, nos faz pensar que estamos no caminho certo em equipar um espaço dentro da universidade pública, que apoie a produção musical goiana dessa forma”, contextualiza João Casimiro.

O professor da EMAC-UFG, adianta com orgulho que os quatro singles lançados são bem diversos musicalmente. “Abrange o rock, ciranda, cavalhadas, frevo, música instrumental e cantada. No mais, o resultado final das gravações diz por si, convido todos a ouvirem pelo link da bio do @laborisufg”.

Conheça as músicas selecionadas e os autores

O Prehistoric Music Department se formou a partir dos contatos proporcionados pela faculdade de Música da UFG, na qual estudam os três membros da banda. Nicolas Deretti tem formação técnica pelo IFG e atua como guitarrista; Isaac Lobo atua como baterista, participando de grupos de música instrumental e Arthur Ribeiro é formado em contrabaixo elétrico pelo Gustav Ritter. Os três integrantes começaram a se reunir para tocar temas instrumentais de jazz e música brasileira e, então, passaram a compor, de onde surgiu a banda em 2024.

A música “Avenida Rio” foi composta pelos três integrantes, nos encontros regulares de criação. “Essa música expressa quando um fluxo de água perde o controle e transborda. É a analogia a um alagamento, que transforma uma avenida num rio temporário. […] vivemos em uma cidade segregadora, em ruínas, moldada pela desigualdade social. Esse cenário nos faz imaginar uma Goiânia subaquática”, explica Nicolas Deretti.

O São Elas é formado por quatro integrantes mulheres. São elas; Ísis Krishna, primeira mulher licenciada em Violão Popular pela UFG, Brenda Silva é cavaquinista graduanda, na UFG, Letícia Romando é pandeirista graduanda, na UFG e Kesyde Sheilla é clarinetista e compositora, formada em Música também pela UFG. Para a gravação da música no Laboris, o grupo contou com a participação da baixista, Rayssa Almeida e da trompetista, Lourrainy Cabral.

O grupo atua há três anos no cenário musical goiano defendendo o protagonismo feminino na música e a música instrumental brasileira, principalmente, na linguagem do choro. A música “Frevo Delas” foi composta por Kesyde e Ísis. De acordo com a clarinetista, é importante registrar novas composições. “O ‘Frevo Delas’ é uma celebração da música brasileira e da feminilidade”, completa Kesyde.

Delírio é o nome artístico de Fernanda Maria, cantora, compositora e percussionista goianiense de 28 anos, graduanda em Canto Popular, na UFG. Desde 2023, a artista tem se dedicado ao projeto autoral, no qual apresenta canções que tratam de amor, consciência ambiental, identidade e liberdade. A banda é composta pelo multi-instrumentista Lucas Barbosa; a cantora e percussionista, Conceição de Marianna; a sanfoneira, Dani Frisson; o rabequeiro, Vytor Rios e o baixista Bororó Felipe. A gravação no Laboris contou com a participação da percussionista, Letícia Romano.

Segundo a compositora, “Ciranda do Apocalipse” surge a partir de um sentimento de raiva e desespero, que se torna recorrente a partir de notícias sobre uma escalada na degradação ambiental. “Esse é meu primeiro single gravado. Projetos como esse de fomento à gravação elevam o potencial dos artistas da cena, servindo como incentivo na sua profissionalização e entregando um produto que além de registrar a sua obra, é divulgado lado a lado de outros artistas”, complementa Delírio.

Débora Di Sá é cantora, compositora, atriz e artista circense. Desenvolve espetáculos musicais autorais, nos quais cria histórias a partir de suas canções, unindo música, teatro e linguagens circenses. É formada em Canto pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e lançou os álbuns: “O Universo do Sr. Blan Chu” (2000), “Pequeno Projeto de Poema Franco” (2013), “O Circo dos Amores Impossíveis” (2015) e “Maria Grampinho” (2016).

A canção “O Batalhão de Carlos Magno” composta por Débora Di Sá foi inspirada nas Cavalhadas de Pirenópolis, lembrando o galope dos cavalos no campo. A direção musical é de Nonato Mendes, que deu a canção um arranjo mais “fusion”. “O Batalhão de Carlos Magno é, para mim, um tributo à cultura popular brasileira e à força da arte na preservação da memória e das tradições”, complementa.

A cantora e compositora estava há quase 10 anos sem lançar um trabalho novo, nesse sentido afirma que o Laboris foi extremamente relevante. “Não apenas para a minha trajetória artística, mas também para o fortalecimento e a valorização da música produzida em Goiânia, ampliando a visibilidade da criação autoral local e garantindo que essas obras possam existir, circular e alcançar novos públicos”, finaliza.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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