Logo
Justiça suspende demolições e desocupações no setor Estrela D’Alva em Goiânia. (Foto: Gustavo Burns - Dicom/DPE-GO)

Justiça suspende demolições e desocupações no setor Estrela D’Alva em Goiânia

DPE-GO apontou falta de comprovação técnica sobre área pública

WhatsAppFacebookLinkedInX
17.05.2026 - 11:54:29

A Redação

Goiânia – A atuação da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) garantiu, nesta sexta-feira (15/5), a suspensão das remoções e demolições previstas no Setor Estrela D’Alva, em Goiânia, após decisão judicial favorável às famílias ameaçadas pelas obras de ampliação da Avenida Goiás Norte. A medida foi concedida após pedido de tutela cautelar apresentado pelo Núcleo Especializado de Direitos Humanos (NUDH) da Instituição.

A subcoordenadora de Questões Fundiárias e Urbanísticas do NUDH, defensora pública Carolina Byrro, afirma que a Defensoria identificou irregularidades nas notificações expedidas pelo Município. “O município não pode promover desocupações sem garantir previamente contraditório e ampla defesa. Não se trata de uma ocupação recente, mas de famílias e comerciantes que vivem no local há décadas”, considerou.

O caso começou no dia 4 de maio, quando moradores receberam notificações da Secretaria Municipal de Eficiência (SEFIC) determinando a desocupação dos imóveis em prazos de 5 a 15 dias, sob alegação de ocupação irregular de área pública. As notificações atingiram imóveis localizados nas regiões da Avenida 9 de Julho, Rua 17 de Março, Rua Sol Nascente e Rua Estrela D’Alva.

No dia 06 de maio, um morador procurou a DPE-GO e apresentou documentos que comprovavam a posse do imóvel desde 2003. Diante da situação, a Defensoria encaminhou ofício ao Município solicitando esclarecimentos técnicos e jurídicos sobre as notificações e sobre a natureza da área apontada como pública, mas não obteve respostas. Ainda na noite do mesmo dia, fiscais da Prefeitura e agentes da Guarda Civil Metropolitana realizaram operação com tratores e maquinários na região, promovendo derrubada de cercas e muros.

Após analisar os relatos e documentos apresentados pelos moradores, a DPE-GO ingressou na Justiça com pedido para suspender remoções, demolições e qualquer ato de turbação da posse. Na ação, a Instituição argumentou que houve violação ao direito à moradia, ausência de devido processo legal e falta de garantias mínimas às famílias atingidas.

A Defensoria também apontou que o Município não apresentou plano de reassentamento, indenização ou alternativa habitacional para os moradores afetados. Segundo a defensora pública Carolina Byrro, qualquer intervenção pública deve respeitar os direitos fundamentais das famílias envolvidas e garantir proteção social adequada.

Outro ponto levantado pela DPE-GO foi a falta de comprovação técnica sobre a natureza pública da área. Durante a análise do caso, a Instituição realizou consultas ao sistema “Mapa Fácil Digital Goiânia” e verificou que os lotes atingidos não apareciam identificados como áreas públicas municipais. “Não foram apresentados estudos técnicos ou documentos suficientes que comprovassem efetivamente que a área pertence ao poder público”, explica a defensora.

Decisão judicial

Após a atuação da DPE-GO, a Justiça determinou a suspensão imediata de qualquer ato que prejudique a posse dos moradores da região da Rua 17 de Março até que sejam garantidos contraditório e ampla defesa. A decisão também determinou o envio do caso à Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), além da citação do Município para apresentar contestação e da manifestação do Ministério Público. A Justiça considerou a ausência de processo administrativo adequado, a falta de informações sobre reassentamento das famílias e o risco de dano irreversível causado pelas remoções e demolições.

Para a DPE-GO, a suspensão das medidas abre espaço para diálogo e análise técnica sobre a real necessidade das desocupações previstas para a obra da Avenida Goiás Norte. “A partir dessa decisão, será possível discutir tecnicamente a situação da área e avaliar a necessidade das desocupações previstas”, ressaltou Carolina Byrro. A Defensoria segue acompanhando o caso junto à Comissão de Soluções Fundiárias do TJ-GO para garantir o direito à moradia e a proteção das famílias afetadas.

 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Michelle Rabello

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Espaço
22.10.2026
Prefeitura de Goiânia ultrapassa 70 demolições de imóveis abandonados

A Redação Goiânia – A Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) demoliu, na quarta-feira (21/10), mais um imóvel abandonado, desta vez no Setor Capuava. Com a ação, a atual gestão ultrapassa a marca de 70 demolições de imóveis abandonados na capital. Localizado na Rua Independência, o imóvel era utilizado como ‘mocó’ e acumulava grande quantidade de […]

Ensino superior
22.10.2026
IPTSP/UFG promove reflexão sobre maternagem, gênero e permanência na universidade

A Redação  Goiânia –  A dificuldade em conciliar a vida acadêmica com as responsabilidades de cuidado e a forma como a universidade pode acolher essas demandas para garantir condições de acesso e permanência foram os tópicos que orientaram a oficina “Maternagem e Questões Relacionadas a Gênero”, realizada na manhã desta quinta-feira (22/10), na Sala Multimídia […]

Manutenção
22.10.2026
Prefeitura de Aparecida promove força-tarefa de limpeza no Cemitério Jardim da Esperança

A Redação  Goiânia – A Prefeitura de Aparecida de Goiânia deu continuidade, nesta quinta-feira (22/10), à força-tarefa de limpeza e recuperação do Cemitério Municipal Jardim da Esperança, no setor Buenos Aires. Realizada em parceria com o Governo de Goiás, por meio da Polícia Penal, a ação conta com mão de obra de reeducandos do sistema prisional […]

Goiás
22.10.2026
Arara entra em residência e mobiliza Corpo de Bombeiros em Caiapônia

A Redação Goiânia – Uma arara foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros após aparecer dentro de uma residência na região da Igreja Matriz, em Caiapônia. A ocorrência foi registrada na tarde de terça-feira (20), depois que a moradora acionou a equipe, preocupada com a possibilidade de a ave estar ferida. No local, os bombeiros verificaram […]

Ataque
22.10.2026
Homem fica inconsciente após ser atacado por enxame de abelhas na zona rural de Itapuranga

A Redação  Goiânia – Um homem levou mais de 500 picadas de abelhas após ser atacado por um enxame na zona rural de Itapuranga. O caso foi registrado na tarde de quarta-feira (21/10). Segundo informações da equipe dos Bombeiros acionada para a ocorrência, a vítima foi encontrada inconsciente e ainda exposta ao ataque do enxame. […]

Investigações
22.10.2026
Corpo é encontrado às margens Avenida Botafogo, em Goiânia

A Redação  Goiânia – Um corpo foi encontrado, na manhã desta quinta-feira (22/10), em um curso d’água às margens da Avenida Botafogo, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, trata-se de um cadáver do sexo masculino e aparenta ter aproximadamente 30 anos. A vítima ainda não foi identificada. Conforme os […]

Economia circular
22.10.2026
Do descarte à produção: a cadeia que transforma resíduos em valor em Goiás

Fernando Dantas Especial para o jornal A Redação Goiânia – O papelão que perde sua função na embalagem, o plástico que sobra da produção e até resíduos como pneus e biomassa podem voltar à cadeia produtiva e ser transformados em novos insumos ou fontes de energia. Isso porque o que uma indústria descarta pode ser […]

Atualização
22.10.2026
Professora aposentada da UFG segue em estado grave na UTI após ataque em Goiânia; família pede justiça

Adriana Marinelli Goiânia – A professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG) Elizabeth Caramaschi, de 79 anos, segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgências de Goiás (Hugo), em Goiânia. O estado de saúde dela é considerado grave. A idosa está em coma induzido após ser atacada por um homem com […]