A Redação
Goiânia – A Justiça Federal em São Paulo acatou, nesta quinta-feira (23), o pedido da Polícia Federal e decretou a prisão preventiva dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira e outros investigados por participação em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. A decisão ocorre após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ter concedido habeas corpus e considerado irregular a prisão temporária dos alvos.
Com o avanço das investigações, a Polícia Federal afirmou ter reunido novos elementos a partir da análise de dispositivos eletrônicos, documentos e registros financeiros apreendidos. Segundo a corporação, os indícios justificam a conversão das prisões temporárias em preventivas para garantir a ordem pública, diante da gravidade do caso e do volume de recursos envolvidos.
De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de atividades ilícitas, como apostas ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, intermediação com “laranjas”, operações com criptomoedas e remessas ao exterior.
Os investigados haviam sido presos temporariamente no último dia 15 durante a Operação Narco Fluxo. No habeas corpus, o relator do caso no STJ, ministro Messod Azulay Neto, entendeu que houve ilegalidade na decretação da medida por 30 dias, já que a própria Polícia Federal havia solicitado prazo inferior, que já havia se encerrado.
Apesar disso, a PF sustentou à Justiça que a prisão preventiva era necessária diante do risco de continuidade das atividades criminosas e da possibilidade de interferência nas investigações, como destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados — argumentos acolhidos pela decisão judicial.
Com a nova decisão, 36 investigados tiveram as prisões convertidas em preventivas e outros três passaram a cumprir prisão domiciliar.
Após a determinação da Justiça, a influenciadora Giovana Roque, esposa de MC Ryan SP, foi vista deixando o Centro de Detenção Provisória de Belém, na zona leste da capital paulista, chorando. O artista permanece detido na unidade.
A Operação Narco Fluxo é desdobramento de investigações iniciadas em 2025 e teve como base a análise de dados armazenados em nuvem ligados a um contador investigado em fases anteriores, que já apuravam a atuação de redes criminosas associadas a apostas ilegais e tráfico internacional.
