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Juro do cheque especial em cooperativas é até 300% menor do que em bancos

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14.12.2017 - 08:35:10

Rafaela Bernardes 
 
Goiânia – Em tempos de crise econômica, o endividamento tem comprometido o orçamento financeiro de muitas famílias. Uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO) mostra que no mês de novembro o número de pessoas endividadas em Goiânia cresceu quase 5%, atingindo 183 mil consumidores. Dentre as cinco principais dívidas registradas pelo estudo está o uso do cheque especial. Esse comprometimento do limite, que atinge grande parte dos clientes de bancos tradicionais, tem impacto menor para aqueles que aderem ao modelo de cooperativa de crédito. 
 
Segundo o professor e mestre em economia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Wagno Costa, quem usa o limite da conta bancária em bancos tradicionais paga uma média de 14,79% ao mês de taxa de juros. Já associados de cooperativas de crédito trabalham com um valor 50% menor de cobrança, com juros variando de 1,2% a 7% ao mês. "É uma diferença muito grande de valores. É possível economizar muito com essa disparidade de preços. Lembrando que essas taxas são variáveis e representam uma média da cobrança aplicada pelas diferentes instituições financeiras que atuam no Brasil", explicou.   
 

Diferença das taxas de juros cobradas por bancos e cooperativas pode chegar a 300% (Foto: Juliana Diniz / A Redação)
 
A diferença no valor das taxas cobradas chama a atenção. O especialista econômico explica que, se considerado o acumulado do ano, a diferença na cobrança dos juros pelo uso do cheque especial é ainda mais expressiva, chegando a 300%. "Se considerarmos a incidência dos juros durante 12 meses, ou seja, um ano, a taxa aumenta consideravelmente. Isso porque na cobrança de juros pelo uso do cheque especial é aplicado o juro sobre juro e, por isso, o acumulado do ano para clientes de bancos tradicionais pode chegar a 423,42%, enquanto a taxa para cooperados atinge cerca de 125% ao ano. É quase 300% menor", detalhou. 
 
 
O professor e mestre em economia colocou a diferença das taxas de juros na ponta da caneta. Em uma situação hipotética, o economista simulou o uso de R$ 1 mil do cheque especial durante 12 meses. Ao final do ano, o cliente do banco tradicional vai ter pago, apenas de juros, R$ 4.234,18. Já no cenário de uma cooperativa de crédito, o valor pago durante o mesmo período será de R$ 1.252,19. Diferença de R$ 2.981,99, o que equivale a mais de três salários mínimos. 

Foi atraído por essas taxas mais baratas e com o intuito de economizar no fim do mês que o empresário Derval Ferreira Batista resolveu abrir seu próprio negócio, no ramo da alimentação, e realizar toda a movimentação financeira da empresa em uma cooperativa de crédito. Com quatro meses de empreendedorismo na capital goiana, Derval acredita que já conseguiu fazer uma boa economia.

 
"Enquanto pessoa física sempre tive conta em bancos tradicionais, mas, quando fui abrir meu próprio negócio, fui apresentado ao Sicoob Engecred por um amigo. Diante das taxas bem mais baratas, optei pela cooperativa de crédito. Como sempre usei o cheque especial na minha conta física, vi ali uma possibilidade de economizar dinheiro, o que é essencial em tempos de crise econômica. Sem falar nas vantagens econômicas para quem está começando uma nova empreitada profissional", disse. 
 

Restaurante de Derval Ferreira faz movimentação financeira via cooperativa (Foto: Juliana Diniz / A Redação)
 
O empresário, que hoje emprega quatro pessoas, migrou toda a sua movimentação financeira para o Sicoob Engecred e garante que foi uma decisão acertada. Hoje, Derval integra o time de associados entusiastas do cooperativismo financeiro. "Estou conseguindo economizar dinheiro com as taxas de juros mais baratas, e isso me deixa muito satisfeito. Encerrei todas as minhas outras contas em bancos e estou feliz com a escolha". 
 
E não foi só o Derval que optou pelo sistema de cooperativo de crédito para realizar suas movimentações financeiras. Outras 124 mil pessoas também são sócias-proprietárias em uma das 36 cooperativas de crédito espalhadas por Goiás. Dados do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO) mostram que o faturamento das cooperativas de crédito no Estado em 2016 foi de R$ 1,8 bilhão, representando aumento de 40,76% em relação a 2015. 
 

(Arte: Mariana Barbosa / A Redação)
 
"Somos uma sociedade de pessoas e não de capital"
Mesmo com quase todas as características de um banco tradicional, as cooperativas de crédito não são consideradas bancos. O diretor geral do Sicoob Engecred-GO, Fabrício Modesto César, explica que o grande diferencial do sistema financeiro cooperado é o foco nas pessoas. "Somos uma sociedade de pessoas e não de capital. Essa é a grande questão que nos diferencia das instituições tradicionais", pontuou. 
 

Diretor geral do Sicoob Engecred-GO, Fabrício Modesto César (Foto: Letícia Coqueiro / A Redação)
 
A explicação para o que define como "foco nas pessoas" está no fato de que o sistema cooperativo de crédito não visa lucro. Para se tornar um associado, o cooperado precisa integralizar um capital, que parte de R$ 50 até o valor máximo de um terço do patrimônio da cooperativa. Ao final do ano, como a instituição é sem fins lucrativos, o lucro obtido com a movimentação financeira dos cooperados, chamadas de "sobras", é dividido entre os sócios-proprietários da instituição financeira.
 
"No sistema cooperativo de crédito o associado não é cliente, ele é sócio-proprietário da instituição. Diante disso, o resultado positivo alcançado pela cooperativa de crédito durante o ano é devolvido aos cooperados de forma proporcional às operações financeiras realizadas pelo associado ao longo dos últimos 12 meses. Esse processo é chamado de sobras. Em bancos mercantis, as sobras, ou seja, o lucro das operações financeiras, ficam para os banqueiros e para as grandes empresas detentoras do capital", explicou. 
 
Fabrício Modesto César ressalta que nas cooperativas de crédito são realizados todos os tipos de serviços e créditos oferecidos nos bancos tradicionais. O diferencial, segundo ele, "é o valor das tarifas cobradas pela movimentação financeira, que são entre 30% e 40% mais baratas que em bancos tradicionais". 
 
Desenvolvimento econômico e social 
Atualmente o cooperativismo de crédito emprega em Goiás 2.094 trabalhadores, o que representa 20,47% do total de empregados em todos os ramos do cooperativismo no Estado. O presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO), Joaquim Guilherme Barbosa de Souza, ressalta o importante papel de desenvolvimento social promovido pela economia cooperativista. 
 

Presidente do  OCB Goiás, Joaquim Guilherme Barbosa de Souza (Foto: Divulgação)
 
"É importante destacar o trabalho de desenvolvimento regional e social das cooperativas de crédito. A instituição financeira cooperativista é composta pelo capital integralizado por pessoas de uma determinada região que investem seu dinheiro naquela região e que, portanto, geram desenvolvimento econômico e social para aquele mesmo lugar. Isso é muito importante", enfatiza.
 
Joaquim Guilherme acrescenta que atualmente muitos bancos tradicionais estão deixando de atender cidades que possuem poucos clientes, já que essas agências não geram o lucro esperado pela empresa e, portanto, deixa de ser de interesse comercial para as grandes instituições. "Neste cenário de abandono por parte dos bancos tradicionais as cooperativas de crédito são uma alternativa e uma solução para a população local. O cooperativismo é uma união de pessoas e nosso principal objetivo é promover o desenvolvimento econômico dessas regiões". 
 
Otimista ao mencionar as projeções, o presidente do OCB acredita que o cooperativismo deve continuar crescendo em Goiás. Para 2018 o presidente aposta em um aumento de mais de 10% no cooperativismo de crédito no Estado. 
 
"Temos muito espaço para crescer. Nossa missão agora é popularizar o cooperativismo de crédito, fazer com que as pessoas conheçam o nosso sistema financeiro. Ano a ano estamos crescendo em número de cooperados, em número de serviços e no faturamento das cooperativas. O cenário é positivo. Vamos continuar crescendo e reunindo mais e mais cooperados pelo Estado. No ano que vem devemos crescer mais de 10%", finalizou. 

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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