Logo

Juristas defendem legalidade da parceria entre Ifag e governo de Goiás

WhatsAppFacebookLinkedInX
17.10.2025 - 12:49:01

A Redação
 
Goiânia – O debate sobre a constitucionalidade da parceria entre o Instituto para Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag) e o governo do Estado ganhou novo fôlego após a divulgação de parecer jurídico do advogado e professor Marcos Augusto Perez, associado à Faculdade de Direito da USP e sócio do escritório Manesco Advogados. O documento foi elaborado em resposta à recente decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o acordo a partir de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Diretório Nacional do PT.
 
Segundo a petição do PT, haveria supostas inconstitucionalidades no modelo de parceria, especialmente em relação à escolha direta do Ifag — sem chamamento público — e quanto à gestão de recursos estaduais advindos do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra). Para o partido, regras de impessoalidade, transparência e isonomia estariam sendo violadas, alegando privilégio e falta de controle público no repasse e gestão dos recursos.
 
O parecer do professor Marcos Perez refuta um a um esses argumentos, apresentando sólida sustentação jurídica em defesa do modelo. Destaca que a colaboração com entidades do terceiro setor é expressamente prevista na Constituição (art. 174) e amplamente regulamentada em legislações federais e estaduais, como o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Lei 13.019/2014). O texto demonstra que a escolha do Ifag decorreu de autorização legal específica aprovada pela Assembleia Legislativa goiana, cumprindo rigorosamente a hipótese de inexigibilidade de chamamento público prevista no artigo 31 do MROSC — ou seja, situação em que não há concorrência possível devido à singularidade da entidade e à indicação expressa da beneficiária em lei.
 
Perez ressalta que a parceria está submetida a amplos mecanismos de controle e fiscalização: prestação de contas mensal acompanhada pela Secretaria de Infraestrutura, fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do próprio Ministério Público, além de regras estritas de divulgação pública dos dados sobre aplicação dos recursos, em respeito à Lei de Acesso à Informação. O Ifag comprovou, conforme o documentos e processos administrativos analisados, capacidade técnico-institucional, regularidade fiscal e financeira e alinhamento de suas finalidades estatutárias com os objetivos do programa estadual.
 
O especialista acentua que a decisão inovadora do Estado de Goiás não rompe com padrões constitucionais, mas é exemplo de mobilização legítima da sociedade civil organizada para fins de desenvolvimento logístico e econômico — exatamente o tipo de arranjo fomentado pelo sistema constitucional brasileiro. “Arranjos legais não se tornam inconstitucionais por sua novidade; o Direito Público brasileiro deve ser flexível para instrumentalizar avanços sociais e econômicos”, afirma Perez no documento. O jurista também salienta que não há risco de desvio ou ausência de controle nos atos administrativos, pois as atribuições do Ifag são delimitadas por lei, regulamentos próprios e supervisão constante dos órgãos de governo e controle externo.
 
Na contramão das alegações da ADI, o parecer destaca decisões recentes do STF que consideraram legítimas políticas públicas semelhantes, como o próprio Fundeinfra, e enfatiza que a impessoalidade e a moralidade administrativa estão protegidas pela estrutura normativa vigente e pelos instrumentos efetivos de acompanhamento.
 
O parecer do professor Marcos Augusto Perez, portanto, reitera que a parceria entre Ifag e governo estadual está plenamente ajustada à Constituição e às leis federais, promovendo inovação administrativa sem abrir mão da transparência, eficiência e controle social, sendo referência de modelo legítimo de colaboração entre Estado e sociedade civil organizada.
 
Especialista
O advogado Danilo de Freitas, especialista em direito público e administrativo, concorda com o parecer e argumenta que não enxerga ilegalidade na parceria entre o governo estadual e o Ifag. “Existe a possibilidade, diante da lei, de se fazer esse tipo de convênio e a lei fala que se faz um chamamento público ou se faz a contratação através de uma entidade que tenha sido por lei reconhecida. Então eu tenho conhecimento da Lei Federal nº 13.019/2014, que permite a realização deste tipo de convênio de contratação e que existe uma lei estadual que estabelece o Ifag como entidade que pode ser contratada”, resume.
 
Freitas destaca que esse tipo de parceria a nível federal já é permitida desde 2014 e que é bastante utilizada na área da saúde, por exemplo, por meio de organizações sociais e outras entidades que gerem hospitais ou assumem certos serviços. “Essa entidade privada, obviamente sem fins lucrativos, pode desenvolver atividades que eram feitas pela administração pública. Neste caso, seria a execução dessas obras de pavimentação, obras públicas. Agora, as críticas que se faz, por exemplo, quanto à ausência de licitação, a própria lei estabelece essa permissão”, pontua.
 
“A lei diz que não é ausência de regra, não tem uma inexistência de regramento. Existe uma obrigatoriedade pela lei de que a entidade privada lá tem que ter um regulamento interno para aquela escolha da empresa que vai executar o que são os prestadores de serviço”, explica. Portanto, ao seu ver, está tudo dentro da lei: cabe agora ao STF decidir se a lei federal é inconstitucional. Se este for o caso, isto mudaria a atual realidade da gestão pública não só em Goiás, mas no Brasil todo: “Temos uma lei com mais de 10 anos que até agora não havia sido questionada”.
 
Defesa
O parecer e a avaliação se somam às alegações de defesa protocolada junto ao STF pela Procuradoria Geral do Estado de Goiás (PGE). No documento, os procuradores sustentam que a suspensão cautelar, ao comprometer a continuidade de obras viárias estratégicas, pode trazer graves prejuízos econômicos e sociais para o Estado, criando risco de desemprego em massa, desperdício de recursos públicos e desassistência de regiões inteiras dependentes da infraestrutura em construção.
 
A defesa da PGE argumenta que a legislação estadual questionada não trata de hipóteses de dispensa de licitação, mas sim de fomento público, modalidade legalmente prevista para estimular colaborações entre Estado e entidades da sociedade civil. Os procuradores reforçam que o modelo respeita as competências constitucionais dos estados, adota instrumentos de controle rigorosos — inclusive por meio do Tribunal de Contas — e se fundamenta na necessidade de soluções inovadoras diante do déficit histórico de investimentos em infraestrutura.
 
Eles destacam que a escolha do Ifag foi precedida de processo legislativo regular, com ampla discussão pública e aprovação pela Assembleia Legislativa, e que a execução das obras respeitou todos os requisitos de transparência, regularidade fiscal e técnica, além de potencializar ganhos diretos à economia regional, ao setor produtivo e à coletividade. Outro ponto ressaltado é que as medidas cautelares em ADIs, por regra, produzem efeitos futuros (ex nunc), de modo que, caso mantida a suspensão, seja garantida a validade dos atos já praticados, para evitar prejuízos a empresas contratadas, fornecedores e milhares de trabalhadores mobilizados.
 
A petição foi assinada pelo procurador-geral do Estado, Rafael Arruda Oliveira, pelo subprocurador-geral do Contencioso, Alexandre Felix Gross, e pelo procurador do Estado Henrique Miranda Serejo, que reiteram o pedido de revogação da liminar, defendendo a plena constitucionalidade do modelo e a continuidade das obras essenciais para o Estado de Goiás.
 
Leia mais
Caiado diz que decisão de Moraes que suspende convênio com Ifag foi política
Moraes suspende leis que permitem convênio entre governo e Ifag

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
ADVOCACIA
26.09.2026
OAB-GO abre inscrições para jovens advogados participarem da 4ª edição do Projeto Mentoria

A Redação Goiânia – Foram abertas nesta semana pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) as inscrições para mentorandos da 4ª edição do Projeto Mentoria. A iniciativa, promovida pela Comissão da Advocacia Jovem (CAJ), conecta advogados e advogadas em início de carreira a profissionais experientes, com o objetivo de promover a troca […]

Medida Provisória
26.09.2026
Governo já notifica apostadores sobre MP do fim das bets e prazo para saques

Brasília – Poucas horas após o anúncio do fim das bets pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira, 25, apostadores já começaram a receber notificações do governo federal informando sobre a medida e os prazos para realizar os saques nas plataformas de apostas. A medida integra um pacote de bondades lançado por […]

Novidades
26.09.2026
Goiânia recebe Feira da Gestante entre os dias 7 e 12 de outubro

Adriana Marinelli Goiânia – Goiânia recebe, entre os dias 7 e 12 de outubro, a Feira da Gestante, considerada a maior feira do segmento no Brasil. O evento será realizado no Shopping Cerrado e reunirá produtos, novidades e tendências para gestantes, mamães, papais e bebês. Durante seis dias, o público poderá conhecer diferentes opções para o […]

BR-364
26.09.2026
Motorista morre carbonizado após carreta sair da pista e pegar fogo em Jataí

A Redação Goiânia – Um homem morreu carbonizado após a carreta que conduzia sair da pista e pegar fogo na manhã deste sábado (26), na BR-364, no km 286, na zona rural de Jataí, no sentido Caçu. O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) foi acionado por volta das 6h18 para atender à ocorrência. Segundo […]

Goiânia
26.09.2026
Mabel anuncia início da readequação viária na Rua 240 com Avenida T-2

A Redação Goiânia – Foi iniciada neste sábado (26/9) a obra de readequação viária no cruzamento da Rua 240 com a Avenida T-2, no Setor Coimbra. A intervenção atende a uma demanda dos moradores e motoristas que circulam pela região e vai ampliar a capacidade de circulação no acesso à Avenida T-2, com mudanças na configuração […]

DESPEDIDA
26.09.2026
Velório do deputado Amilton Filho será no Ginásio Newton de Faria, em Anápolis

Adriana Marinelli Goiânia – O velório e o sepultamento do deputado estadual Amilton Filho (MDB), de 41 anos, serão realizados em Anápolis, cidade natal do parlamentar, que morreu neste sábado (26) em um acidente automobilístico. Segundo informações divulgadas pela família e pelo gabinete, o velório será no Ginásio Internacional Newton de Faria, enquanto o sepultamento […]

PESAR
26.09.2026
“Goiás está de luto”, diz Caiado sobre morte do deputado Amilton Filho

Adriana Marinelli Goiânia – “Uma tragédia enorme para todos nós.” Assim o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD, lamentou a morte do deputado estadual Amilton Filho (MDB), de 41 anos. Em publicação nas redes sociais neste sábado (26), Caiado relatou que recebeu durante a madrugada a notícia sobre o […]

Orçamento
26.09.2026
Prefeito Sandro Mabel apresentará proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) 2027 na segunda-feira (28/9)

A Redação  Goiânia –  O prefeito Sandro Mabel apresenta na próxima segunda-feira (28/9), às 9h, a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027, que será encaminhada à Câmara Municipal de Goiânia. O instrumento legal estima as receitas e fixa as despesas do município para o ano seguinte. Para 2027, a previsão é de R$ […]