José Cácio Júnior
Atualizada às 19h47
Na tentativa de apaziguar os ânimos dos integrantes do PR em Goiás, José Francisco das Neves, o Juquinha das Neves, visitou a Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (14/9). Provável presidente da legenda, indicado pela executiva nacional a contragosto dos colegas, o ex-presidente da Valec conversou com os deputados estaduais Álvaro Guimarães e Cláudio Meireles, que estariam de malas prontas para deixar a sigla.
Álvaro Guimarães analisa convite do PSD e Cláudio Meireles é dado como certo no PTC. Após a conversa com os dois, Juquinha minimizou os problemas gerados com sua nomeação e diz não ter nenhum problema com o atual presidente do PR goiano, o deputado federal Sandro Mabel, de quem se diz amigo. "Assumi no sentido de deixar as coisas melhores", afirmou Juquinha ao AR, enquanto circulava nos corredores da Assembleia Legislativa aparentando tranquilidade.
A crise no PR teve início em fevereiro. Devido à candidatura avulsa de Sandro Mabel à presidência da Câmara dos Deputados, a Executiva Nacional dissolveu o diretório regional. Em abril, o deputado federal conseguiu duas liminares do TJ do DF: a primeira suspendia seu processo de expulsão e retomada de seus direitos partidários. A segunda conduziu à reativação do diretório nacional por garantir a retomada da presidência do partido por Mabel.
No entanto, o presidente nacional do partido, senador Alfredo Nascimento (AM), mantém a indicação de Juquinha para o comando em Goiás. A imposição pode deixar a legenda sem parlamentares. Além de Mabel, que negocia ida para o PMDB, Cláudio e Álvaro, o deputado estadual Ademir Menezes se mostra receptivo aos convites do PSD e PSDB.
Denúncias
Ex-presidente da Valec, estatal brasileira responsável pelas ferrovias, Juquinha das Neves deixou o Ministério dos Transportes após denúncias de corrupção na pasta. Sobre as acusações de superfaturamento em obras, o republicano diz que não há provas contra ele.
Confira a entrevista concedida com exclusividade ao AR:
A conversa foi uma tentativa de segurar os deputados no partido?
Nós estamos conversando com os deputados e a situação do PR está sendo resolvida. Eu estou aqui conversando com eles. Os deputados que pediram essa conversa comigo.
Os deputados estão inseguros sobre o futuro do partido. Eles fizeram algum pedido?
(Falaram) Da questão do próprio partido. Para a gente fazer um bom trabalho, no sentido de manter a união. Eu, por exemplo, não tenho nada contra o deputado Sandro Mabel. Nós dois somos muito amigos inclusive. O problema dele é (com a executiva) nacional. A gente assume no sentido de deixar as coisas sempre melhores. Você sabe onde eu estive (presidência da Valec) e que eu só prego harmonia. Eu só conto com a harmonia. A mesma coisa vai ser no PR.
Integrantes do PR em Goiás estão insatisfeitos com o fato de a executiva nacional do partido ter escolhido o senhor como próximo presidente sem consultá-los. Você acredita que pode não ter clima no PR?
É uma decisão nacional, da executiva nacional.
Mas isso não pode atrapalhar sua gestão?
De forma alguma. De forma nenhuma.
Você defenderá apoio do PR ao governo de Marconi Perillo (PSDB)?
Vou defender o apoio.
Qual sua opinião sobre a saída do deputado Mabel do PR?
O problema dele foi nacional. Dependendo de mim o Mabel não saia do partido.
O sr. tentou conversar com o deputado para que ele fique no PR?
Nós ficamos de conversar mas não tivemos tempo de nos encontrar. Quando eu fui convidá-lo, pedi para avisar que não tenho nada contra ele. Ele também pediu para me dizer isso. Ele não tem nada contra mim também e não tem como pensar que o problema é regional. O problema é nacional.
Qual é seu projeto como futuro presidente do PR?
Constituir um partido forte, reunir um bom número de candidatos a prefeito. Ter a vida partidária.
E a vontade de ser candidato em 2014?
Vai depender do desenrolar dos acontecimentos. Acredito que sim. Não cometi nenhum erro, entendeu? As coisas às vezes acontecem na vida da gente, dos políticos, dos administradores. Mas não cometi nennhum erro. A mídia te condena e depois tem a Justiça e a sindicância que vai apurar e ver que não tem nada errado.
Você acredita que as denúncias de superfaturamento durante sua gestão na Valec podem atrapalhar sua vida partidária?
Acredito que não, pois não tem prova. Não existem provas. Como fala de uma pessoa sem provas? Não tem como. Concorda?