Marcos Araken e Rafaela Bernardes
Goiânia –
Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, na tarde desta segunda-feira (7/11), o vice-governador José Eliton se posicionou contrário às ocupações de prédios públicos como forma de protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita gastos públicos. Ele recebeu em seu gabinete no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, os jornalistas João Unes, diretor-presidente do AR, Rafaela Bernardes e Adriana Marinelli.
José Eliton, que participou nesta segunda-feira da posse do professor Haroldo Reimer para mais um mandato à frente da UEG, comentou a ocupação do campus de Anápolis da UEG, da Eseffego (Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia do Estado de Goiás) e das diversas unidades federais de ensino superior, também ocupadas em Goiás. Eliton argumentou que as universidades têm como referência o diálogo, o debate e o respeito à opinião adversa. ”Afinal de contas, todos sabemos que na divergência você constrói avanços importantes. Sempre foi assim na história da humanidade. É preciso que tenhamos a academia no seu papel maior de construir o consenso a partir do diálogo”, ressaltou.
Para José Eliton, conforme destacou, a manifestação é válida. No entanto, ocupações e invasões de espaços públicos não devem ser caminho. "Ato de radicalismo. Caminho equivocado", definiu. "Acho que é um equívoco não a manifestação – a manifestação é sempre legítima. O debate, especialmente com temas tão delicados como esse, ele sempre deve ser fomentado, e nunca subdimensionado ou reprimido. Deve ser sempre fomentado o debate, a discussão", acrescentou.
O vice-governador disse ainda que o debate deve ser fomentado pelos professores. “Aos professores cabe o papel de orientar, de instruir, de debater, de construir. Eu não posso visualizar de forma positiva um professor, a partir de suas convicções pessoais, comece a manipular mentes e corações daqueles que eventualmente estão e fase de formação”, justificou ao comentar a participação de professores e outros servidores nas ocupações.
Ele sugeriu que, no lugar das ocupações, fossem criados fóruns de debates, com a participação de opiniões contra e também a favor da PEC. “O que cada professor deve fazer é sentar com seus alunos, a partir daí sentar com os parlamentares que estão discutindo a matéria, buscar o diálogo – e me parece que o Congresso Nacional está fazendo esse debate nas diversas audiências públicas realizadas lá, para fazer o convencimento. O convencimento não se faz pela força”, sublinhou.