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John T. Davis lança DVD e livro ‘The Uncle Jack’

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04.10.2011 - 00:00:00

A trajetória do cineasta John T. Davis poderia ser resumida em: “Tão
perto do cinema, tão longe de Hollywood”. Ou quase. Como diretor de
cinema talentoso que é, Davis não poderia ter nascido em lugar mais
perfeito para sua profissão: Holywood. Não há nenhum erro. É Holywood
mesmo. Com um ‘L’ só. Povoado no norte da Irlanda. Muito longe de
Hollywood, aquela, em que em geral filmes têm começo, meio e fim. Mas
histórias tradicionais que se abrem e se fecham de forma quase didática
não são o forte de Davis.

Aliás, esquemático é tudo que o cinema do seu país não é. Davis dirigiu mais de 40 filmes, na maioria documentários. Possui uma
carreira prolífica e premiada, é colaborador de longa data da BBC e do
Chanel 4 (o canal de experimentação em documentário da BBC), já filmou
desde o cotidiano de um andarilho americano, em “Hobo” (1991), até a
cena punk no norte da Irlanda em “Shellshock Rock” (1978), mas é “The
Uncle Jack” seu trabalho mais pessoal, confessional quase.

O filme narra a história de Jack McBride Neill, o Tio Jack, um dos
principais arquitetos irlandeses da era de ouro do cinema e responsável
por uma série de projetos na primeira metade do século 20. Jack era tio
de Davis e, portanto, a narrativa do filme mistura o tempo todo a
biografia de McBride Neill com a memória do diretor. Entre tantos
outros, o trabalho foi premiado no Festival of New Irish Cinema e no
European Film Festival, em Hong Kong e Macau.

Foi por conta do tio que o cinema chegou para Davis. O garoto, que
“nunca estudou cinema” e se formou no Belfast Art College, cresceu vendo
o tio projetar salas que eram obras de arte, que, ao contrário das
cadeias de fast-cinema que predominam hoje, eram quase templos da
chamada sétima arte. Foi do Tio Jack, que morreu em 1974, que o jovem
Davis herdou uma câmera 8mm com a qual fez suas primeiras imagens.
Décadas depois, durante o processo de realização de “The Uncle Jack”
(que levou quatro anos, no início dos anos 90) viu um dos mais
emblemáticos cinemas projetados pelo tio, o Bangor’s Tonic Cinema, pegar
fogo. E uma era esvair-se com ele. As cenas em que o cineasta narra
suas impressões sobre esta era com as cenas da sala em chamas é forte,
pessoal e, ao mesmo tempo, universal.

É dessa forma única, narrando em off, em primeira pessoa, imagens que
aparentemente podem ser desconectas, que Davis traça um panorama
particular e histórico do que foi a transformação da arte de fazer
cinema. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

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por Redacao Jornal

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