Goiânia – O médium João de Deus, preso desde o dia 16, prestou depoimento nesta quarta, 26, no Ministério Público de Goiás, e disse que “não se lembra” das mulheres que o denunciaram por abuso sexual. Durante uma hora e meia, promotores de Justiça o questionaram especificamente sobre três casos – dois de violência sexual mediante fraude e um de estupro de vulnerável. Os promotores leram pausadamente a João de Deus os relatos das mulheres.
“O sr. se lembra disso?”, perguntaram ao médium.
Cerca de 600 denúncias já chegaram ao Ministério Público, de vítimas de vários estados e de outros países. Ao todo, a Polícia e a Promotoria tomaram o depoimento formal de 78 mulheres.
Indagado sobre os nomes das mulheres que o acusam, o médium disse que “não se lembra”.
João de Deus está preso no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia.
Antes do depoimento, os promotores deram acesso à defesa aos autos da investigação.
Para o criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o médium, é justificável que ele não se recorde do nome das mulheres que o acusam. “Ele recebia entre 1.000 a 1.500 pessoas todos os dias. Foi perguntado a ele, especificamente, sobre três mulheres. Ele respondeu, logicamente, que não se recordava delas”, informou Toron.
Segundo Toron, na audiência João de Deus acrescentou que teve um filho por inseminação artificial. Ele disse que o médium “não tem apetite sexual”.
João de Deus respondeu a todas as perguntas, segundo Toron. “Queriam saber do funcionamento da casa (Dom Inácio de Loyola). Ele explicou tudo. Foi um depoimento marcado pelo respeito e pela cordialidade. Os promotores foram respeitosos, muito corretos, permitiram que examinássemos os autos, o que até então não havia sido permitido.”
Toron disse que “foi preparado para orientar seu cliente a permanecer calado”.
“Não entendo ainda o motivo de manter o sr. João em prisão preventiva, quando bastaria a domiciliar com tornozeleira. Resolveria todo o problema, tudo o que se quer resguardar. Às vezes tenho a impressão que a prisão preventiva é utilizada como espécie de punição antecipada sem processo, numa verdadeira presunção de culpa.”
(Agência Estado)