A Redação
Goiânia –
Investigado na
Operação Sofisma, deflagrada pela Polícia Civil na última semana para apurar fraudes na contratação e superfaturamento de contratos publicitários, o jornalista João Bosco Bittencourt, ex-assessor de imprensa do ex-governador Marconi Perillo, se diz alvo "de uma perseguição".
O foco da operação é apurar irregularidades em contratos assinados a partir de 2014 entre Agência de Comunicação (Agecom, atual ABC), Detran e empresas especializadas em comunicação digital. Agências de publicidade também são investigadas.
Segundo João Bosco, ele, a esposa e o filho de 19 anos tiveram os celulares grampeados. "Junto com meu advogado, li e reli o processo todo, cujo acesso somente foi facultado ontem. Não encontramos nenhuma imputação válida de crime contra mim, minha mulher e meu filho", disse.
Sobre as acusações direcionadas a ele, o jornalista se defende. "Criminalizaram minhas opiniões e ideias. A acusação que me fazem é de arquitetar matérias críticas ao governo Caiado. Isso não é crime. Violentaram o princípio da inviolabilidade do sigilo da fonte, assegurado aos jornalistas pela Constituição. Está claro que é uma ação de perseguição orquestrada pelo governo Caiado porque fui assessor de Imprensa do então governador Marconi Perillo".
Veja a nota na íntegra:
Estou sendo vítima de uma terrível violência, cujo ápice se deu na última quinta-feira. Fizeram uma operação de busca e apreensão em minha casa. Antes, grampearam os celulares de minha mulher, meu filho de 19 anos, que tem Síndrome de Down, e o meu, como se neles fosse possível encontrar algo criminoso.
Junto com meu advogado, li e reli o processo todo, cujo acesso somente foi facultado ontem. Não encontramos nenhuma imputação válida de crime contra mim, minha mulher e meu filho.
Criminalizaram minhas opiniões e ideias. A acusação que me fazem é de arquitetar matérias críticas ao governo Caiado. Isso não é crime. Violentaram o princípio da inviolabilidade do sigilo da fonte, assegurado aos jornalistas pela Constituição. Está claro que é uma ação de perseguição orquestrada pelo governo Caiado porque fui assessor de Imprensa do então governador Marconi Perillo. Constrangem os críticos do governo e intimidam adversários e jornalistas.
Confio na Justiça de meu Estado, até agora induzida ao erro por uma retórica moralista. Com a verdade haverá a reparação de meus direitos de cidadão, feridos nessa operação. Temo por novas violências e armações, não só contra mim, mas contra todos que por um acaso esbarrem nos interesses dos atuais detentores do poder em Goiás. Estamos diante de um estado policialesco e perseguidor, que não se ocupa dos reais anseios da sociedade.
Apelo a todas as pessoas de formação democrática à união neste grave momento para defender a liberdade de imprensa e combater o coronelismo.
João Bosco Bittencourt
Jornalista