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Zacharias Calil se filiou ao MDB de Daniel Vilela (Foto: divulgação)

Janela partidária agita parlamentares goianos e redesenha alianças na Assembleia e na Câmara

Com prazo até 3 de abril, deputados federais e estaduais correm para fechar posição em legendas mais competitivas para outubro

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21.03.2026 - 08:00:24

Samuel Straioto

Goiânia – O período de 30 dias em que deputados federais e estaduais podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária, a chamada “janela partidária”, abriu com movimentação intensa na bancada goiana. Indefinição de chapas, busca por legendas mais competitivas e reposicionamento diante das eleições de outubro estão entre as principais razões que levam parlamentares a avaliar a migração. Dos 17 deputados federais goianos, parte significativa já formalizou ou analisa a mudança. No plano estadual, o prazo curto pressiona quem ainda não fechou posição.

A janela partidária, prevista na legislação eleitoral desde a reforma de 2015, é a única exceção que permite a troca de legenda sem a aplicação da regra da fidelidade partidária, consolidada pelo TSE e pelo STF a partir de 2007, quando ficou definido que, nos cargos proporcionais, o mandato pertence ao partido, não ao parlamentar. O mecanismo existe para permitir uma reorganização antes da eleição, sem abrir espaço para o troca-troca permanente que marcou os anos 1990 e o início dos anos 2000.

No quadro nacional, o peso do período fica claro no histórico: em 2018, ao menos 85 deputados federais mudaram de partido durante a janela; em 2022, foram cerca de 120, quase um em cada quatro integrantes da Câmara. Neste ano, pela parcial até segunda-feira (16), cerca de 20 deputados já tiveram a troca formalizada ou confirmada publicamente. O PL é o partido que mais ganhou, com seis novas adesões, seguido pelo PSDB, com quatro, e o MDB, com três. O União Brasil é a legenda que mais perdeu, também com seis saídas.

Os movimentos na bancada federal goiana

Algumas trocas já estão formalizadas em Goiás. Zacharias Calil deixou o União Brasil e se filiou ao MDB de olho em uma candidatura ao Senado, como parte da reorganização da base governista no estado. “Eu precisava de um partido que me apoiasse nesse projeto. Vamos trabalhar por um Goiás com mais credibilidade, avançando na economia, na saúde e, principalmente, na segurança, que hoje diferencia o nosso estado do restante do Brasil”, declarou.

Pastor Jefferson oficializou sua filiação ao PSDB em ato realizado em Brasília, com a presença do presidente nacional da legenda, Aécio Neves, e do líder do partido na Câmara, Adolfo Viana. O parlamentar confirmou que disputará a reeleição e pretende atuar no fortalecimento do PSDB em Goiás. “Deixo o Republicanos com um sentimento de profunda gratidão e dever cumprido. Agora, sigo para o PSDB com o entusiasmo de quem acredita na experiência do nosso líder Adolfo Viana e na força do nosso presidente Aécio Neves”, declarou.

Deputado federal pastor Jefferson deixou Republicanos e ser filiou ao PSDB. Foto: Divulgação.

O deputado professor Alcides também confirmou filiação ao PSDB, em evento marcado para o dia 21 de março na sede da Unifan, em Goiânia. As chegadas reforçam o partido num momento em que ele enfrenta uma baixa relevante: Lêda Borges, única deputada federal eleita pelo PSDB goiano em 2022, está de saída do partido e tende a migrar para o Republicanos durante a janela.

Os casos em aberto

Nem todos os deputados federais goianos já definiram seus destinos. Magda Mofatto (PRD) é o caso mais emblemático. A deputada chegou a ser dada como certa no PL — e parte da imprensa já a tratava como filiada ao partido. Na prática, ela permanece no PRD, onde ocupa a presidência estadual, e a tendência é que dispute a reeleição pela legenda ao lado de Bruno Peixoto e Lucas Calil. A aproximação com o PL esfriou após o partido lançar Wilder Morais ao governo, candidatura que conflita com seu apoio a Daniel Vilela. MDB e União Brasil também tentaram atraí-la, sem sucesso até o momento.

Magda Mofatto pode permanecer no PRD. Foto: Portal Câmara dos Deputados.

Marussa Boldrin (MDB), Flávia Morais (PDT) e Silvye Alves (União Brasil) são outros nomes que seguem em análise, sem definição sobre permanência ou destino. No caso de Silvye Alves, a situação arrasta uma tensão de meses.

Em setembro do ano passado, ela anunciou a saída do União Brasil após afirmar ter sido coagida pela sigla a votar a favor da PEC da Blindagem. A filiação a uma nova legenda, no entanto, ainda não foi formalizada. O prazo de 3 de abril impõe uma decisão a todas elas.

Deputados estaduais

Na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o cenário é de incerteza generalizada. Com a janela aberta, boa parte dos parlamentares ainda não sabe em qual legenda vai disputar a reeleição. O nó central é a formação das chapas: o governo tem aliança com 11 dos 14 partidos representados na Casa. Porém, a concentração de candidatos competitivos em poucas legendas é o que mais preocupa. Quatro dos partidos da base formaram duas federações — Renovação Solidária (PRD-Solidariedade) e União Progressista (União Brasil-PP) —, onde a disputa interna deve ser acirrada.

O vice-governador Daniel Vilela (MDB) admite que o processo tem prazo próprio e que dificilmente será diferente desta vez. “Todo mundo espera até os últimos dias e últimas horas para buscar uma posição mais estratégica e mais favorável ao seu projeto eleitoral. Isso nos leva a termos decisões nos últimos minutos. E me parece que 2026 não será diferente. Temos dialogado para fazer pelo menos um esqueleto das chapas dos partidos que integram nossa base”, afirmou.

A saída mais definida até agora é a do deputado Clécio Alves. Após deixar o Republicanos, ele acertou apoio ao ex-governador Marconi Perillo na disputa ao governo. O parlamentar confirmou filiação ao PSDB para o dia 21 de março. Evento deve ser realizado em sua residência em Goiânia. Segundo Alves, a decisão foi resultado de uma consulta a cerca de 500 apoiadores, que rejeitaram o convite do PL — apresentado por Ana Paula Rezende, pré-candidata a vice na chapa de Wilder Morais.

De acordo com Clécio Alves, a resistência ao partido se deve ao fato de deputados estaduais do PL quererem evitar a entrada de novos mandatários para reduzir a competição interna. O PSDB saiu vencedor por ampla margem. “Na hora que eu coloquei o PSDB, a casa tremeu”, frisou.

Clécio Alves deixou o Republicanos e pretende se filiar ao PSDB. Foto:

“Chapinhas”

A busca por chapas menores, as chamadas “chapinhas”, é outro movimento em curso. Muitos deputados temem a concorrência nos partidos maiores e tentam encontrar legendas com menos candidatos competitivos. O mercado, porém, está restrito: o DC não aceita mandatários, e o Agir só acolherá Rosângela Rezende como candidata à reeleição. Gugu Nader tenta retorno à política, mas encontra resistência nas negociações.

Entre os nomes que circulam nos bastidores como possíveis migrações estão: Amauri Ribeiro, cujo movimento em direção ao PL perdeu força após o anúncio da candidatura de Wilder ao governo, além de Cristóvão Tormin (PRD), Veter Martins e Zeli Fritsche, ambos do União Brasil. As definições, na avaliação dos próprios parlamentares, devem se concentrar nos últimos dias antes do prazo final de 3 de abril.

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por Samuel Straioto

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