Samuel Straioto
Goiânia – A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para o biênio 2027-2028 reúne duas frentes de articulação entre os deputados estaduais. O deputado Issy Quinan (MDB) contabiliza 22 votos declarados, enquanto um grupo de sete parlamentares trabalha na construção de uma candidatura alternativa para a sucessão do atual presidente da Casa, Bruno Peixoto (União Brasil).
O emedebista reúne o apoio declarado de 21 deputados, além do próprio voto. O número supera em um voto a maioria necessária para vencer a eleição, em uma Assembleia composta por 41 parlamentares. Os apoios à candidatura de Issy vêm de integrantes de 11 partidos: MDB, Mobiliza, PSD, Podemos, Novo, Agir, PSDB, Cidadania, PL, PSB e PRD.
Entre as adesões mais recentes estão as de Coronel Urzêda e Marquinho do Gayer, do PL, e Gustavo Sebba e José Machado, da federação PSDB/Cidadania. Os quatro parlamentares declararam apoio ao nome de Issy para a presidência da Assembleia.
Ao comentar a disputa, Issy afirmou que mantém conversas com os demais parlamentares e defendeu a construção de uma candidatura de consenso. “Nós temos dialogado com praticamente todos e buscado essa convergência que julgamos necessária para pacificar a Casa em torno de uma candidatura. Até o momento, existem outros postulantes e isso é legítimo. Há um caminho longo ainda. Não existe favoritismo. O que existe é diálogo”, afirmou.
Apesar da quantidade de votos contabilizados, a eleição ainda depende das articulações entre os deputados e das definições políticas das próximas semanas. Os apoios anunciados até o momento foram manifestados durante as conversas para a formação da próxima Mesa Diretora.
Grupo dos sete
Na outra frente, uma articulação que inicialmente reunia seis deputados passou a contar com Talles Barreto (União Brasil), líder do governo na Assembleia. O grupo também é formado por Virmondes Cruvinel e Wilde Cambão, do União Brasil; Cairo Salim, do PSD; Charles Bento, do MDB; Jamil Calife, do PP; e Wagner Neto, do Solidariedade.
Os sete parlamentares discutem a escolha de um nome de consenso para disputar a presidência da Casa. A proposta é evitar uma candidatura individual entre os integrantes do grupo e definir uma representação conjunta para a eleição. Alguns dos deputados também são citados entre os possíveis interessados em assumir o comando do Legislativo.
“O momento é de construir unidade. Já temos sete nomes que pregam uma eleição de construção e jamais de disputa”, afirmou o deputado Virmondes Cruvinel. A movimentação ocorre em meio às negociações que envolvem diferentes partidos e lideranças da base governista.
Além da sucessão, o grupo defende mudanças nas regras para a escolha da Mesa Diretora. Uma das propostas é o fim da possibilidade de reeleição para a presidência da Alego, com a limitação do mandato a dois anos, sem recondução imediata. A alteração é objeto de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tem Talles Barreto entre seus autores.
Issy Quinan se posicionou contra a mudança e questionou o momento de apresentação da proposta. Em manifestação sobre o assunto, o deputado defendeu a manutenção das regras atuais e levantou questionamentos sobre a discussão da PEC durante o processo de escolha do próximo presidente.
Caiado e Daniel Vilela
A escolha do próximo presidente também envolve as lideranças políticas da base governista. Para o deputado estadual Talles Barreto (União Brasil) o governador Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) terão participação na definição do nome que comandará a Assembleia.
Embora mantenha o interesse em presidir a Casa, o deputado afirmou que não pretende apresentar uma candidatura sem o aval das duas lideranças. A declaração foi dada em meio às articulações do grupo de sete parlamentares, do qual Talles passou a fazer parte.
O deputado também mencionou o retorno de Caiado, previsto para 17 de novembro, como uma referência para o avanço das conversas. Daniel Vilela, por sua vez, tem retorno de viagem previsto para 7 de novembro. A expectativa é que as discussões sobre a sucessão avancem após a volta dos dois.
“Daniel Vilela e Ronaldo Caiado vão decidir. Sem aval deles não quero nem ser (candidato). Tem que ser uma Casa independente, mas a base do governo é fundamental estar em comum acordo”, declarou Talles em entrevista à Radio Bandeirantes.
Com isso, a escolha do próximo presidente envolve tanto a contagem de apoios entre os deputados quanto as conversas com as lideranças políticas da base governista. Issy contabiliza 22 votos declarados, enquanto o grupo de sete parlamentares ainda trabalha na definição de um nome para disputar a eleição.
A escolha da nova Mesa Diretora está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, os deputados devem continuar as conversas para definir as candidaturas e os apoios em torno da sucessão de Bruno Peixoto.
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