Minha segunda casa no mundo era Nova Iorque. Lá me sentia à vontade, tudo funcionando, bons preços. Não é mais assim.
Sobre os preços nos EUA falei aqui e resumo em uma palavra para os que não leram: impossíveis.
Mas NYC nunca foi assustadora. Há ratos do tamanho de gatos nos metrôs, sujos, feios, mas que funcionam. Há o cheiro de xixi onipresente. Nada grave, nada que não tenhamos no Brasil. Mas agora apareceu a droga, a K9, o medicamento Fentanil, fábrica de zumbis andando pelas ruas, dormindo nas ruas, nos metrôs. Um tentou dar um murro na minha namorada, na calçada, do nada (pra rimar).
Digo tentou porque a mão meio mole, ele cambaleando, sem grande efeito. Há estações fechadas, invadidas por sem tetos.
No Seven7 em frente ao hotel não pude entrar. Estava fechado com grades iguais das distribuidoras de bebidas de nossas mais perigosas periferias. Isso nunca foi EUA.
A meca de consumo dos brasileiros, a Century 21, aos pés do novo World Trade Center, agora é um deserto, com preços que começam ali por volta de 200 reais a blusinha.
Por fim: livrarias cada vez mais escassas.
Não desistirei dos EUA. Espero que seja uma fase passageira, um pós-pandemia, qualquer desculpa desse nível. Temos de nos agarrar na esperança. Torcer e rezar.
*Iuri Godinho é jornalista e escritor