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“Isso mesmo, é @bol.com.br.”

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01.08.2011 - 16:38:12

Sim, eu ainda tenho meu e-mail do Bol. Mais, é o que eu uso diariamente e acesso todos os dias. Pior ainda, é o que eu passo para as pessoas que querem meu e-mail. E não, eu não tenho participação acionária no Brasil Online. Sempre quando vou passar meu e-mail para alguém, o interlocutor se assusta: "Você ainda usa o Bol? E funciona?". "Isso mesmo, é @bol.com.br", respondo um pouco constrangido. Sério, nem se eu tivesse andando de Gordini pelas ruas de Goiânia causaria tanto estranhamento quando minha conta no Bol.

Quando me perguntam o porquê da minha não praticamente obrigatória migração para o Gmail, respondo que é por comodidade. "Por que eu iria ter algo novo? Pelo motivo exclusivo de que todos têm? Não.", digo cheio de pose. "Além disso, não consigo entender bem aquele lance do Gmail de agrupar as mensagens e tal", continuo. "Por fim, todos meus contatos estão salvos lá no Bol. Passar tudo daria um trabalho homérico", é a conclusão triunfal. Não sei se cola com alguém, mas é meu discurso.

Mas a verdade verdadeira é que tenho uma dificuldade gigante de me adaptar aos novos tempos. Vou aos trancos e barrancos, só para não perder o bonde da história. Mas não é nada prazeroso. O problema é que sou de uma geração de transição de paradigmas: me formei no analógico e vivo no digital. E esses dois sistemas sempre entram em conflito entre si. Me lembro do auge e derrocada do vinil. Tenho pilhas de CDs e DVDs. Os livros ocupam um baita espaço em minha casa. E hoje tenho que baixar MP3s, filmes e séries. Os livros estão em um tablet. Eu não sou de tempo algum.

A geração só do vinil não tem a angústia de estar por fora do tal do Google +, por exemplo. Ela tem consciência de que o dever de saber isso não lhe diz respeito. É de outra galera. Quem tem menos de 25 anos, não tem apego algum ao objeto de arte em sua forma física. Não sabe o que é guardar o dinheiro para comprar um disco que seu crítico musical preferido falou que era imperdível. Com dois cliques, ele tem ao seu dispor o trabalho de qualquer artista do mundo. Eles estão prontos para a nova rede social. Eles estão sempre prontos. Essas duas gerações estão bem resolvidas, com seus demônios definitivamente domados pois são cientes de suas limitações e de seus pontos fortes. O problema somos nós de 30 e poucos anos.

A galera da minha geração tem que suar para não ficar tão por fora. Toda vez que adentro uma rede social nova, não vejo utilidade nela. Acho que é perda de tempo. Depois da árdua e dolorosa fase de adaptação, me sinto confortável naquele ambiente e fico até viciado. Foi assim com o Orkut, Twitter e Facebook. Fiz meu Google +, só que ainda não entendi nada. Alguém disse que quando entra no Google +, se sente um idoso em frente ao caixa eletrônico. Compartilho desse drama. Não sei para que serve, não sei sua utilidade. Mas sei que vou ter que aprender. Até agora, estou protelando… E sigo dizendo para mandar o mail no @bol.com.br.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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