Sarah Mohn
Goiânia – Com a desistência do presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, de disputar a prefeitura de Goiânia no próximo ano, o deputado federal Giuseppe Vecci afirmou ao jornal A Redação na última sexta-feira (18/12) que trabalhará para se viabilizar como o candidato do PSDB para o pleito e buscará aglutinar os partidos da base em torno da legenda tucana.
“Nós iremos procurar aglutinar outros partidos para poder fazer uma candidatura forte, compromissada, com zelo com Goiânia. Eu acho que isso é o fundamental.” Ele ressaltou também que espera que o PSDB defina até janeiro o pré-candidato do partido. “Quanto mais cedo pudermos ter uma definição por parte do partido, mais cedo teremos condições de ter uma proposta de governo, de aglutinar o partido, de aglutinar outros partidos da base aliada para fazer o enfretamento do processo eleitoral”, disse.
Ao AR, Vecci ponderou também que não acredita que o ex-prefeito Iris Rezende, tido como candidato natural do PMDB para a disputa, represente grande ameaça nas urnas. “Ele não demonstra mudança, a postura dele não é de mudança, não é de inovação, não é de interação com a sociedade”.
Economista, empresário, gestor público e deputado federal eleito com cerca de 120 mil votos, Giuseppe Vecci falou ainda na entrevista ao AR que acredita que Dilma Rousseff (PT) sofrerá impeachment e prometeu votar a favor da cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).
“Eu torço para que a presidente possa ser impedida de continuar na presidência. Mas se por acaso ela também não for, eu acho que vai ser bom para o Brasil, porque nós vamos passar essa fase de paralisia.”
(Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
Veja a entrevista completa:
Jornal A Redação: O senhor disse em uma rádio que o PSDB precisa definir o pré-candidato a prefeito de Goiânia até meados de janeiro. Por que logo em janeiro?
Giuseppe Vecci: Isso seria salutar para o PSDB. Nós não podemos ficar enrolando em uma discussão interna, engessados por uma discussão interna que vai atrapalhar no enfretamento dos demais candidatos. Quanto mais cedo pudermos ter uma definição por parte do partido, mais cedo teremos condições de ter uma proposta de governo, de aglutinar o partido, de aglutinar outros partidos da base aliada para fazer o enfretamento do processo eleitoral.
AR: O senhor confirmou sua pré-candidatura. Como pretende viabilizar seu nome internamente?
Ninguém viabiliza um nome hoje. É preciso ter uma história que possa credenciar alguém para uma pré-candidatura. Eu me preparei ao longo do período e vou mostrar isso aos meus colegas do PSDB. Meu colega Fábio (Sousa) também tem muitas qualidades e certamente o partido irá definir um nome. Qualquer que seja a opção que venha a ser adotada, eu compartilho dela. Eu fiz uma crítica dizendo que o critério não pode ser só pesquisa. Apesar de ter sido o segundo candidato mais bem votado do PSDB no Estado, eu não posso em um primeiro momento entender que a pesquisa seja a única determinante para escolha de um candidato. Haveremos de chegar a um denominador comum rapidamente para poder enfrentar os demais candidatos já postos e que estão trabalhando há muito tempo.
AR: O governador Marconi Perillo retirou a pré-candidatura de Jayme Rincón?
Assim ele nós disse em determinado momento. Eu acredito que ele tenha conversado isso com o Jayme, que é uma pessoa que tem uma larga experiência na administração publica, já mostrou ser um bom gestor. Se ele realmente efetivar sua saída, como disse o governador, ele também tem muito a contribuir a qualquer um de nós que seja o candidato.
AR: senhor acredita que a base vai se aglutinar ou deve mesmo lançar várias candidaturas?
Isso é o que estão dizendo hoje. No decorrer da campanha é que saberemos efetivamente se haverá essa quantidade de partidos da base pleiteando a prefeitura de Goiânia. Do ponto de vista político, você não pode ser pensar que as pessoas não possam pleitear uma candidatura. Agora, do ponto de vista político, também, há de convir que quanto mais candidatos a base tiver melhor para quem é da oposição. Então, no decorrer da campanha isso deve se definir de uma forma mais clara.
AR: O PSDB cogita lançar chapa pura?
Ainda estamos discutindo quem é o candidato. Longo que essa definição ficar clara, nós iremos procurar aglutinar outros partidos para poder fazer uma candidatura forte, compromissada, com zelo com Goiânia. Eu acho que isso é o fundamental.
(Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
AR: Ser vice de outro partido da base é uma possibilidade para o PSDB?
Eu não vejo dessa forma. Não quer dizer que a gente seja melhor do que qualquer um. Há muito que o PSDB tem mostrado sua capacidade de administrar e de fazer boas gerências do país, de estados e de municípios. Não vejo porque o PSDB não possa ter um candidato para Goiânia. E ter um candidato para poder colocar em prática aquilo que a cidade necessita. Eu estou determinado a trabalhar para que a minha pré-candidatura dentro do partido possa ser vitoriosa. As dificuldades que estamos enxergando, com determinação, garra e superação nós vamos avançar no decorrer da campanha.
AR: Qual sua avaliação sobre a gestão do prefeito Paulo Garcia?
O que se nota na cidade é que todo o glamour que nós tivemos com Goiânia apagou-se. Hoje, a cidade está em uma situação que não nos traz orgulho. Há certo ceticismo da população, há desejo de retomada daquilo que Goiânia foi. E não é questão de ser saudosista com aquilo que tivemos no passado, é questão de resgate de determinadas coisas que tiveram o envolvimento da sociedade. Do ponto de vista cultural, a própria São Paulo com a virada cultural é um exemplo disso. É preciso que nós possamos trabalhar essas questões.
AR: O senhor acredita que Goiânia tem avançado na questão de sustentabilidade?
De maneira nenhuma. Não tem nada sustentável aqui. O que nós temos sustentável? Uma cidade que tem todos os córregos poluídos… E eu não culpo o prefeito atual, isso é de antes. Mas não há uma tentativa de um esforço, de um somatório, de um acordo entre as esferas de governo federal, estadual e municipal para que possamos enfrentar problemas gravíssimos.
AR: O ex-prefeito Iris Resende representa ameaça?
A gente precisa respeitar alguém que já foi governador, prefeito, um politico que é muito conhecido pelo povo de Goiás, com certeza ele merece respeito. Agora, eu acho que ele não demonstra mudança, a postura dele não é de mudança, não é de inovação, não é de interação com a sociedade. Entendo que ele precisa terminar os mandatos, ele sempre deixa no meio do caminho porque tem uma visão política mais ambiciosa.
AR: Quais são os principais projetos que o senhor pretende apresentar para Goiânia?
Os projetos que têm sintonia com os anseios da sociedade. Segurança é um problema serio. Entendo que nesse momento é fundamental que haja uma pactuação entre poderes para poder enfrentar a questão da segurança. É fundamental que a gente possa dar condições para a população ter livre trânsito na capital. A questão da saúde: o Estado conseguiu resolver do ponto de vista dos hospitais maiores, mas os Cais ainda são muito ruins. O trânsito é uma fabrica de semáforos dentro de Goiânia. É preciso um planejamento, verificar as ruas que podem criar escoamento paralelo, as saídas de Goiânia. Isso tudo requer planejamento, requer pensar a cidade. Entendo que a questão da limpeza, do lixo, do resíduo em Goiânia está muito ruim. É preciso enxergar a falta de recurso de Goiânia. As dificuldades de recursos são inúmeras, quer seja para o município, Estado ou união. Tudo isso deve ter uma discussão maior.
(Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
AR: A decisão do STF sobre o processo de impeachment vai dificultar a tramitação no Congresso?
Eu recebi com muita restrição. Justiça não se discute. Qualquer que seja o desfecho do impeachment ele vai ser positivo para o Brasil. Eu torço para que a presidente possa ser impedida de continuar na presidência. Mas se por acaso ela também não for, eu acho que vai ser bom para o Brasil, porque nós vamos passar essa fase de paralisia. É preciso dar um basta nisso. A presidente arruinou o Brasil. Ela como gestora é muito ruim, não consegue aglutinar nem o partido dela. Isso é um entrave para um processo de desenvolvimento.
AR: Pelo que o senhor tem visto nos bastidores do Congresso, o senhor acredita na viabilização do impeachment?
Acredito e trabalho para ele. Acho que a presidente cometeu crime de responsabilidade fiscal, além de tantas outras questões que o governo está envolvido. Esse é um processo que deve ser feito à luz da nossa constituição.
AR: O senhor votará a favor da cassação de Eduardo Cunha?
Com certeza. Ele tem feito todo tipo de protelamento na Câmara dos Deputados, mas infelizmente o passado dele o condena muito. Tanto ele, quanto o presidente do Senado (Renan Calheiros, PMDB), quanto a presidente Dilma estão em uma situação muito precária.