José Cácio Júnior
Fotos: Adalberto Ruchelle
Principal líder do PMDB, Iris Rezende não poupou artilharia contra os adversários políticos durante filiação do deputado federal Sandro Mabel ao partido. Iris disse que foi a estrutura financeira, e não o plano de governo proposto, o fator que mais pesou para o partido ter perdido a eleição estadual em 2010, na qual foi candidato a governador. Sem citar nomes, mas sendo bastante direto na crítica, o ex-governador limitou-se a acusar os outros candidatos de terem comprado votos no ano passado, sobretudo utilizando-se da contratação de cabos eleitorais.
Antes de colocar a culpa na questão financeira, Iris disse ter “aplaudido” o Congresso Nacional quando os parlamentares alteraram a legislação, proibindo doação de brindes, como camisetas e chaveiros no período eleitoral. “Mas não proibiu as pessoas de trabalharem nas eleições. Isso virou compra de voto. Foi isso que nos derrotou em Goiás. Nunca vi tanto dinheiro em uma campanha”, disse Iris, de microfone em punho e batendo na mesa, exaltado.
No discurso, Iris criticou quem usa a política para satisfazer grupos ou vontades de terceiros, em detrimento da sociedade. “Não se faz a vontade de um líder, classe ou segmento”, pregou. Em entrevista, após o evento, Iris não quis dizer para quem as críticas eram direcionadas.
A Redação – O sr. falou do abuso do poder econômico durante a última eleição e que o PMDB foi derrotado porque houve compra de votos. Quem teria comprado votos?
A minha obrigação, hoje, diante da experiência que se agiganta a cada eleição, é procurar orientar os nossos representantes, sobretudo no Congresso Nacional, no sentido de corrigir as distorções. Proibiram tudo, até a confecção de chaveiros, qualquer brinde. Mas permite que um candidato, seja a vereador, deputado, prefeito, governador, contrate o número que bem entender de pessoas para trabalhar na campanha. Campanha não se faz com dinheiro, se faz com ideal, voluntariado. A minha luta é por isso. A cada eleição, nós vivemos mais uma lição para o exercício completo da democracia.
O sr. tem conhecimento de casos concretos de compra voto?
Eu falo pelo quadro que vivi nessa eleição. É pelo quadro que eu vivi. Agora, a carapuça cai na cabeça de quem entender.
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