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Estreito de Ormuz (Foto: Divulgação/Nasa)

Irã volta a fechar Estreito de Ormuz após EUA manter bloqueio naval

Países voltam a negociar acordo para prevenir agravamento da crise energética

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18.04.2026 - 10:34:33

São Paulo – O Irã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz, anunciou a Guarda Revolucionária neste sábado (18/4). A declaração foi feita após a fala do presidente Donald Trump de que o bloqueio americano aos portos iranianos “permanecerá em pleno vigor” até que Teerã chegue a um acordo com os Estados Unidos, inclusive sobre seu programa nuclear.

“O controle do Estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior… sob a gestão e o controle rigorosos das forças armadas”, informou a Guarda Revolucionária, acrescentando que continuaria a bloquear o Estreito enquanto o bloqueio dos EUA aos portos iranianos permanecesse em vigor.

A disputa em torno do estreito ameaça agravar a crise energética global. Na sexta-feira, os preços do petróleo haviam recuado, impulsionados pela expectativa de um possível acordo entre os dois países. Cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, e novas restrições podem reduzir ainda mais a oferta, pressionando novamente os preços.

O controle da via se consolidou como um dos principais instrumentos de pressão do Irã e levou os Estados Unidos a enviarem forças militares e a iniciarem um bloqueio aos portos iranianos. A medida faz parte de uma tentativa de forçar o país a aceitar um cessar-fogo mediado pelo Paquistão para encerrar quase sete semanas de conflito envolvendo Israel, EUA e Irã.

O Irã havia anunciado a reabertura total do estreito para embarcações comerciais após a trégua de 10 dias entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, no Líbano. No entanto, após a declaração de Trump sobre a continuidade do bloqueio, autoridades iranianas afirmaram que a posição dos EUA viola o acordo de cessar-fogo firmado na semana passada e alertaram que a rota não permaneceria aberta nessas condições.

A empresa de análise de dados Kpler informou que o tráfego na região segue restrito a corredores que dependem de autorização do governo iraniano. Desde o início do bloqueio, na segunda-feira (13), forças americanas já obrigaram 21 navios a retornarem, segundo o Comando Central dos EUA.

Cessar-fogo no Líbano pode influenciar negociações entre EUA e Irã

A trégua no Líbano pode contribuir para avanços nas negociações entre Washington e Teerã. Ainda assim, não está claro até que ponto o Hezbollah cumprirá o acordo, já que o grupo não participou diretamente das negociações e o entendimento prevê a permanência de tropas israelenses em uma faixa do sul do país.

Em outra publicação, Trump afirmou que Israel está “proibido” de realizar novos ataques ao Líbano e que “já basta” em relação ao conflito com o Hezbollah. O Departamento de Estado americano esclareceu que a restrição se aplica apenas a ações ofensivas, não incluindo situações de autodefesa.

Pouco antes da declaração de Trump, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que o país aceitou o cessar-fogo “a pedido do meu amigo, o presidente Trump”, mas afirmou que a campanha contra o Hezbollah ainda não foi concluída. Segundo ele, cerca de 90% do arsenal de mísseis e foguetes do grupo já foi destruído, mas as operações seguem em andamento.

Em Beirute, famílias deslocadas começaram a retornar ao sul do Líbano e aos subúrbios da capital, apesar dos alertas das autoridades para que aguardassem a consolidação do cessar-fogo.

O Exército libanês e forças de paz da ONU relataram bombardeios esporádicos em áreas do sul do país nas horas seguintes ao início da trégua.

O fim do conflito entre Israel e o Hezbollah era uma das principais exigências do Irã nas negociações. Teerã havia acusado Israel de violar o cessar-fogo anterior com ataques ao Líbano, enquanto o governo israelense sustentava que o acordo não incluía o território libanês.

Os combates deixaram ao menos 3.000 mortos no Irã, mais de 2.290 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dezena nos países árabes do Golfo. Treze militares americanos também morreram.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou nesta sexta-feira (17), que um acordo entre EUA e Irã está “muito próximo” e que diplomatas paquistaneses estão trabalhando para “superar” as divergências entre os EUA e o Irã. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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