Logo

IPI deve manter preços da linha branca em baixa

WhatsAppFacebookLinkedInX
28.03.2012 - 08:23:26

A prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da chamada linha branca (geladeiras, lavadoras de roupa, tanquinhos e fogões) deve manter os preços desses produtos em patamares baixos, mas não há espaço para quedas mais expressivas. Isso porque trata-se de um alongamento e não de um aumento na magnitude da queda do IPI, conforme analistas ouvidos pela Agência Estado.

Alguns especialistas consultados, no entanto, ressaltam que, caso não houvesse a prorrogação, os preços poderiam voltar a subir em abril, assim que a medida anunciada em dezembro chegasse ao fim, em 31 de março. Com o anúncio do governo, feito na segunda-feira, a isenção do IPI para eletrodomésticos foi prorrogada até o fim de junho. Além disso, a medida passa a valer para móveis, laminados e luminárias. Para os analistas, a desoneração é um evidente sinal de preocupação do governo com a indústria, mas eles ressaltam que o efeito será pontual.

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Rafael Costa Lima, confirmou hoje que a redução do IPI para linha branca está refletida no comportamento dos preços deste tipo de eletrodoméstico nos últimos meses, com exceção de janeiro, quando os preços avançaram. “Em dezembro, os preços caíram, mas, por volta da metade de janeiro, voltaram a subir”, disse. Segundo ele, naquele período, os preços teriam reagido a uma queda no volume dos estoques dos produtos, que se tornaram escassos em razão da forte demanda após a redução do imposto. “Em fevereiro, os estoques foram repostos e os preços voltaram a cair”, explicou.

No IPC de dezembro, geladeira, máquina de lavar roupas e fogão apareceram com deflação de 1,65%, 2,34% e 0,81%, respectivamente. No IPC de janeiro, os três itens tiveram variação positiva de 3,81%, 2,78% e 1,52%, respectivamente. Em fevereiro, geladeira arrefeceu a alta para 0,04%; máquina de lavar roupa teve recuo de 0,43%; e fogão, de 1,92%. Na terceira quadrissemana de março, as quedas foram de 3,49%, 3,87% e 1,64%, respectivamente.

Com a prorrogação do benefício, a expectativa é de manutenção nos preços de linha branca em patamares baixos, colaborando para a inflação bem comportada do grupo Habitação dentro do IPC. “Se não houvesse a prorrogação, esses preços já voltariam a subir em abril”, disse Costa Lima, que, por outro lado, também não vê espaço para quedas mais acentuadas.

Inflação em baixa
O analista Daniel Lima, da Rosenberg & Associados, lembra que a redução do IPI no último mês de 2011 diminuiu os preços dos eletrodomésticos e ainda ajudou a suavizar a inflação fechada do ano. “Houve, sim, queda nos preços, principalmente em dezembro. Talvez a diminuição tenha até ajudado a amenizar o IPCA fechado do ano, que encerrou no teto (+6,50%). Depois, em janeiro, houve alta dos preços, mas foi pontual. Já em fevereiro, os preços voltaram a cair”, lembrou.

De fato, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam que os consumidores pagaram menos na hora de comprar eletrodomésticos em dezembro, quando houve a diminuição do IPI. No IPCA do mês em questão, os eletrodomésticos ficaram 2,68% mais baratos. Em janeiro, porém, houve alta de 0,88%, enquanto em fevereiro os preços retomaram o sinal de baixa (-0,38%).

Para o analista da Rosenberg & Associados, a expectativa é que os preços permaneçam baixos, mas o movimento não deve ser acentuado, já que não houve alteração no tamanho da redução do imposto. Segundo ele, a medida deve servir mais para atenuar a situação difícil que a indústria enfrenta. “É mais uma medida paliativa para a indústria e deve provocar melhora das vendas de eletrodomésticos no período em que estiver vigorando, mas o impacto não será expressivo. O governo só prorrogou, e não aumentou a magnitude da queda do IPI. Não será isso que vai resolver o problema da indústria e que vai dar impulso forte à economia”, afirmou Lima.

Para o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, a prorrogação não deixa qualquer dúvida de que a proposta do governo é estimular muito mais a atividade do que a inflação, o que deve permitir preços mais baixos dos eletrodomésticos. “Os preços caem também porque os empresários estão apertados em termos de competição de produtos importados”, avaliou.

O economista Thiago Carlos, da Link Investimentos, concorda com os colegas que o alongamento do IPI vai manter a queda dos preços, principalmente dos eletrodomésticos, mas observa que o impacto será “temporário”. “A maior parte do efeito já ocorreu. Houve prorrogação do IPI, e não uma nova queda. Os preços já haviam caído”, acrescentou. Segundo Thiago Carlos, a medida terá efeito “zero” sobre o IPCA fechado de 2012. “Como a prorrogação tem prazo para acabar (fim de junho), o impacto na inflação do ano é neutro, porque o imposto será recomposto e, depois, haverá alta de preços”, estimou.

Mesmo se o governo não tivesse estendido, de março para junho, a redução do IPI para eletrodomésticos, os preços continuariam com deflação até meados de julho, na avaliação do economista Fábio Romão, da LCA Consultores. Segundo ele, uma das justificativas para a expectativa de queda dos preços, mesmo sem as medidas, é o crescimento da inadimplência e do endividamento das famílias, além do arrefecimento da atividade. “Os produtos devem continuar em queda, mas o ritmo não deve se intensificar. Apesar dos incentivos, os brasileiros estão mais endividados, o que pode comprometer a evolução do crescimento da economia”, disse.

Outro argumento do economista da LCA para a manutenção da queda dos preços dos eletrodomésticos é a de que muitos consumidores já teriam adquirido eletrodomésticos da chamada linha branca em 2009, quando, pela primeira vez, o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu a redução do IPI para estes produtos. “Existia uma demanda reprimida em razão da dificuldade dos brasileiros para conseguir crédito. Com o incentivo, muitos trocaram seus refrigeradores, por exemplo. Não acredito que esses mesmo consumidores vão fazer o mesmo agora”, explicou. (Agência Estado)

 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Larissa Lessa

*Jornalista, repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Negócios
30.10.2026
FICCA Goiás registra crescimento de 25% no número de negócios

A Redação Goiânia – Os três dias de negócios e milhares de encontros entre empresários e clientes durante a FICCA Goiás — Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio —, no Centro de Convenções Goiânia, resultaram em aproximadamente R$ 1 bilhão em acordos comerciais. O valor representa crescimento de 25% em relação à primeira edição […]

NEGÓCIOS E INOVAÇÃO
30.10.2026
Expoind 2026 conecta indústrias, impulsiona negócios e amplia mercado em Goiás 

A Redação Goiânia – A terceira edição da Feira de Negócios e Soluções para a Indústria Goiana (Expoind) terminou quinta-feira (29/10) com novos contratos, contatos comerciais e perspectivas de expansão para empresas fornecedoras do setor industrial. Realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções […]

Empreendedorismo
29.10.2026
FICCA Goiás apresenta tecnologias que transformam empresas e negócios em Goiânia

A Redação Goiânia – Soluções tecnológicas inovadoras são destaques da FICCA Goiás — Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio, que segue até esta quinta-feira (29/10), no Centro de Convenções de Goiânia. As tecnologias apresentadas vão da automação de tarefas operacionais à inteligência artificial aplicada à gestão, às vendas, à produção rural e ao cuidado […]

Economia
28.10.2026
FICCA Goiás traz panorama da economia e desafios do setor produtivo para 2027

A Redação  Goiânia – A força da economia goiana, as oportunidades de expansão dos negócios e os desafios que o setor produtivo terá pela frente em 2027 marcaram a abertura oficial da FICCA Goiás 2026 – Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio, nesta terça-feira (27), no Centro de Convenções de Goiânia. A solenidade […]

Negócios
27.10.2026
FICCA 2026 abre programação com mais de 200 expositores em Goiânia

Taíssa Queiroz Goiânia – A Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio de Goiás (FICCA 2026) teve sua abertura oficial nesta terça-feira (27/10) no Centro de Convenções de Goiânia. Realizada até esta quinta-feira (29/10), o evento conta com 200 expositores com a programação voltada à geração de empregos, networking e inovação. A Ficca é uma […]

Política
27.10.2026
Caiado não descarta disputar eleições em Goiás em 2030

Ludymila Siqueira  Goiânia – O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que deve disputar as eleições para o Palácio das Esmeraldas em 2030. Ele, que está sem cargo eletivo pela primeira vez desde 1994, disse que tem projetos para manter sua atuação política ativa pelos próximos quatro anos, especialmente com foco em Goiás, quando o governador Daniel […]

Oportunidade
08.10.2026
Empresa oferta 20 vagas de emprego na área financeira em Goiânia e Rio Verde

A Redação Goiânia – A Nexgen Capital, escritório com sede em Goiânia, está com 20 vagas abertas para assessores de investimentos por meio do programa XP Future. A oportunidade é voltada para profissionais com experiência comercial que buscam migrar ou crescer no mercado financeiro. As oportunidades são para as cidades de Goiânia e Rio Verde […]

Negócios
29.09.2026
SuperAgos 2026 supera projeções, bate recordes e movimenta mais de R$ 350 milhões em negócios

A Redação Goiânia – A SuperAgos 2026 encerrou sua 23ª edição superando as expectativas e confirmando a força do encontro promovido pela Associação Goiana de Supermercados (AGOS). Realizada entre os dias 22 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de Goiânia, a feira contabilizou mais de 22 mil acessos nos três dias, reuniu profissionais ligados […]