
Capa da primeira edição do “Jornal de Deboche” (Foto: divulgação)
Especial para o AR
Goiânia – Mais rica experiência que os jornalistas goianos tiveram, que oportunizou a todos o exercício da profissão como desejavam, fazendo a cobertura de fatos e eventos como queriam, mesmo diante das dificuldades que enfrentavam, o “Jornal de Deboche”, editado pela Cooperativa dos Jornalistas de Goiás Ltda. (Projornal), teve curta trajetória, de dois anos, em 1979 e 1980. Alternativo, num tempo em que os jovens e os profissionais da área lutavam por democracia e participavam de todas as campanhas, foi referência para uma geração de profissionais goianos, retratou aquele momento com a visão e o engajamento de cada um, e se constituiu em espelho daqueles anos, com a pitada de humor que a circunstância permitia.
O sucesso do tablóide se revelou no crescimento das edições: a primeira, de abril de 1979, teve 12 páginas; a segunda e a terceira, de maio e de agosto daquele ano, tiveram 24 páginas; e a quinta e a sexta, de novembro de 1979 e janeiro de 1980, 32 páginas. Um dos fundadores da Projornal, entidade que presidiu, o jornalista Jales Naves conseguiu com uma das cooperadas, Laurenice Noleto Alves, exemplares de cinco edições (1ª, 2ª, 3ª, 5ª e 6ª), que foram devidamente escaneados pela Diginotas e doados ao Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, para ampliar a hemeroteca digital do IHGG e preservar a memória dessa experiência e desse período, que marcou gerações. Já pode ser consultado: hemeroteca.ihgg.org.
O “Jornal de Deboche” foi uma proposta idealista dos jornalistas e cooperados Wilmar Alves e Jorge Braga, que defendiam um veículo próprio para a Cooperativa. “O projeto visava ocupar espaço vazio na imprensa goiana com jornalismo de humor, mantendo o pé na realidade sociocultural, política e econômica do Estado, e possibilitar uma apreciação analítica de temas diversos”, anotou. Era intenção também provocar abertura no mercado de trabalho, para permitir a profissionais que até então não tinham tido o devido aproveitamento de suas potencialidades; oferecer posicionamento crítico ao leitor quanto ao que recebia da imprensa diária; e servir de apoio, inclusive formando pessoal e possibilitando a prática editorial. Para Jales, “foi uma experiência positiva, que contribuiu para discutir o jornalismo feito em Goiás, e que esbarrou na falta de estrutura empresarial e comercial da Cooperativa”.