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Geraldo Coelho Vaz, Jales Mendonça, Jacira e Nilson Jaime (Foto: Lays Carvalho)

Instituto Histórico e Geográfico de Goiás abre exposição ‘Vida e Obra’ sobre Jacira Rosa Pires

"Palavras parecem pequenas diante do significado do que estou vivendo agora”, disse a homenageada

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05.09.2026 - 09:26:32

Jales Naves
Especial para o jornal A Redação

Goiânia – “O verdadeiro legado de um urbanista não está apenas nas obras que realizou, mas nos ideais que permanecem vivos e inspirando o futuro de nossas cidades”. A afirmação é da arquiteta e urbanista Jacira Rosa Pires, na inauguração da exposição “Vida e Obra”, em sua homenagem, que o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado abriram na manhã desta sexta-feira, dia 4, na Casa Rosada de Goiânia, sede do IHGG.


Mesa expositiva com livros, troféus e documentos (Foto: Lays Carvalho)

“Este é um desses momentos em que as palavras parecem pequenas diante do significado do que estou vivendo agora”, disse. “Receber uma homenagem que reconhece uma trajetória de vida é, antes de tudo, uma oportunidade de olhar para trás, recordar caminhos percorridos, pessoas que fizeram parte deles e, sobretudo, compreender que nenhuma trajetória se constrói sozinha”.

Falaram na abertura os presidentes do IHGG, Jales Mendonça, e do Icebe, Nilson Jaime, também curador da mostra, que ficará aberta por dois meses. Em seguida, descerraram a fita da mesa expositiva com livros, condecorações e documentos da homenageada.

Vida pela arquitetura

Em seu pronunciamento, Jacira afirmou que o reconhecimento não pertencia apenas a ela. “Representa uma vida dedicada à arquitetura, ao urbanismo, ao ensino, à pesquisa, e, acima de tudo, ao compromisso permanente com Goiânia”. Ao recordar sua trajetória, voltou à infância e recordou sua avó, mulher fina, alegre e determinada, que despertou nos netos o amor pelos estudos. “Dela veio os alicerces dos meus valores”, afirmou. No curso ginasial já tinha acolhido o seu lema: “estudar, estudar, estudar”. Cursou o ginásio no Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, uma das mais importantes instituições de ensino na época. Fase marcada pelos estudos, pela disciplina e pelas amizades. Dentre as lembranças estão os desfiles de 7 de setembro, ao som da Banda do colégio, “solenidade que despertava em nós sentimentos de pertencimento e orgulho”.

Ela se formou em Arquitetura pela Universidade Católica de Goiás em 1974. Em seguida, foi convidada pelo professor Solimar Neiva para integrar o recém-criado Instituto de Planejamento Municipal, onde encontrou sua vocação: participar do planejamento urbano de Goiânia. Trabalhou na implantação do Plano de Desenvolvimento Integrado, “excepcional experiência para conhecimento da minha cidade”. O plano foi revisado em 1975 pelo arquiteto Jaime Lerner, quando a população havia crescido de forma inesperada e o transporte urbano estava um caos. Lerner propôs o eixo de serviço regional na Av. Anhanguera como sistema integrado de transporte – experimento pioneiro, com repercussões que ultrapassaram o estado de Goiás.

Disputando com outros 1.500 projetos apresentados, ganhou em 1976 ‘Menção Honrosa’ no IX Congresso Brasileiro de Arquitetura, em São Paulo, com “Novos espaços para Feira Livre e Esporte”, feito em parceria. De 1975 a 78, reconhecimentos e documentos mostram sua trajetória de arquiteta inserida diretamente no processo de construção da legislação e do planejamento de Goiânia.

Carreira docente

O contrato de Jacira com o Iplan foi encerrado em 1979, “mas as vinculações existentes davam ares de dificuldades de rompimento, pois retornei a pedido do Instituto reiteradas vezes para trabalhar no planejamento de Goiânia”. Em 1993 retornou como Diretora de Planejamento Urbano, ano em que começou sua carreira docente, como professora da Escola de Arquitetura Edgar Graeff e do Mestrado em Serviço Social, ambos da Universidade Católica de Goiás.

“Ensinar foi uma das maiores realizações de minha vida, pois tive a oportunidade de formar gerações de arquitetos urbanistas, transmitindo não apenas conhecimentos técnicos, mas também o respeito pela cidade e pela carga social da profissão”, afirmou. Em 1982 fez especialização em Planejamento Habitacional na Universidade de Brasília; quando retornou a Goiânia foi trabalhar na Companhia de Habitação de Goiás, onde desenvolveu e acompanhou inúmeros projetos habitacionais.

Em 2002 recebeu o Diploma de Estudos Avançados em Composição Arquitetônica pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, Espanha, no programa de doutorado em Teoria e História da Arquitetura. Apresentou sua tese em 2006, que resultou no livro “Goiânia – Cidade Pré-Moderna do Cerrado. 1922/1938”, publicado em 2009, sobre o tempo histórico e as discussões urbanas mundiais do momento. “Nesta caminhada entendi que preservar o patrimônio histórico é também uma forma de planejar o futuro”, disse. “Participei e participo da defesa de importantes demandas de preservação, pois edifícios e espaços urbanos são identidade e testemunhas que compõem a história da cidade”. “É nesse encontro entre arquitetura, história e memória que reconheço a essência do meu trabalho”.

Filiações e demandas

Filiada ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (2013), é sócia titular do IHGG, Cadeira nº 26 (2012), e da Sociedade Goiana de História da Agricultura; e sócia emérita do Icebe. Entre outras condecorações recebeu a Comenda do Mérito Arquitetônico e Urbanístico Atíllio Correia Lima (2008) e o Troféu “Mulheres que Engrandecem o Estado de Goiás”, da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (2018), tornando-se sócia titular da Aflag em 2004, assumindo a Cadeira nº 19, que tem como titular a memorável acadêmica Lena Castelo Branco.

Muitas foram as demandas de Goiânia pelas quais lutou, como a instalação do Museu Atíllio e Armando, autores do projeto da cidade; e o projeto Goiânia Cidade Vida Verde, elaborado em 2008 e retomado em 2026, o que renovou as esperanças de continuar contribuindo para uma cidade mais sustentável, humana e comprometida com a preservação ambiental. Em ambos, a parceria com a arquiteta Narcisa Abreu Cordeiro.

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por Adriana Marinelli

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