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Instituto Bernardo Élis abre suas portas para a visitação pública em Goiânia

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23.11.2022 - 10:52:22

Jales Naves
Especial para o AR

Goiânia – Na Quinzena Bernardo Élis, que começou no dia 15 e prosseguirá até o dia 30 deste mês, quando se lembra duas datas importantes do autor – de seu nascimento e de sua morte –, o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe) abriu suas portas para a visitação pública. Na ocasião, o presidente Nilson Gomes anunciou os planos, como o curso de formação de leitores, que vai estimular o estudante a conhecer a obra do imortal da Academia Brasileira de Letras; e a divulgação do trabalho dele. Foi instalada uma exposição permanente com os livros que publicou, as obras sobre ele, como monografias, dissertações e teses acadêmicas, e um espaço com as dedicatórias que recebeu de famosos, como os escritores Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Gilberto Freire.

Na sexta-feira, ao ser inaugurada a sala de exposições, na Casa-Museu Bernardo Élis, que fica na rua C-237, qd. 540, lote 189, no Setor Jardim América, em Goiânia, foram homenageados dois escritores, Eurico Barbosa dos Santos e Horieste Gomes, ambos com 89 anos. Eles conquistaram, pelo conjunto da obra que produziram ao longo de suas profícuas carreiras, o Troféu Cariama, concedido anualmente pelo Icebe em reconhecimento à contribuição de cada um à ciência e à cultura goianas. A honraria foi entregue, pela primeira vez, em 2020, ao escritor Bariani Ortêncio; a de Horieste é relativa a 2021, e a de Eurico, a 2022.
 
Prestação de contas
Na presença de intelectuais, a maioria sócios do Icebe, e amigos, Nilson prestou contas do trabalho que começa a realizar, ao substituir, há um mês, o professor doutor Bento Fleury, responsável pela reestruturação do Instituto, nesta nova etapa: abriu o charmoso chalé que abriga o Instituto, onde morava o escritor Bernardo Élis; conseguiu uma pessoa para responder pelo expediente, das 7h às 13h, diariamente; instalou uma exposição permanente para mostrar o rico acervo do imortal,  inclusive o fardão da ABL; e oferece um curso de formação de leitores, no qual o estudante do ensino médio que visitar o Museu ganha um conto escrito pelo autor, assiste uma palestra sobre o escritor, conhece sua obra e recebe um certificado. Prometeu, para o próximo ano, uma Quinzena Bernardo Élis mais intensa, com a sede adequada para receber os visitantes confortavelmente.

Agradeceu as presenças dos presidentes do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, Jales Mendonça; do Instituto Altair Sales, Altair Sales; e da Associação Goiana de Imprensa, Valterli Guedes; os representantes da Sociedade Goiana de História da Agricultura, Sandro Dutra; da UniEvangélica, Augusto Ventura; da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, Sandra Fontoura Queiroz de Pina; da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música, João Guilherme Curado; da Academia Palmeirense de Letras, Artes, Música e Ciências, Ester Profeta; da Associação Goiana de Artes Visuais, Valdir Ferreira; da Universidade Estadual de Goiás, Ricardo Assis; da Universidade Federal de Goiás, Eguimar Chaveiro; da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Simone Schmaltz; e da Academia Goiana de Letras, Geraldo Coelho Vaz.

Agradeceu, ainda, a colaboração dos colegas Raquel Jaime, Giovani Alves, Helena Vasconcelos e Marina Teixeira; do vice-presidente Ricardo Assis, “sempre presente”; da tesoureira Ester Profeta da Fonseca, “uma guerreira”; dos sócios Vilmar Rocha e Nei Moura Teles, pela doação da abóboda e dos expositores; e da servidora Denise Torres, “pela dedicação”.

Anunciou que o sócio emérito René Pompêo de Pina, que estava acompanhado da filha, arquiteta Thaís Pompêo, e da esposa, Sandra Maria, se dispôs a contribuir com uma cota do projeto “Goiás +300”, viabilizando o lançamento dos três livros para dezembro deste ano.

Agradeceu também aos fotógrafos Nelson Santos e Sinésio Di Oliveira e aos influencers Rafael Fleury e Abílio Wolney Ayres Neto pela cobertura fotográfica e nas redes sociais.  

Nesses últimos dois anos, foram produzidas duas edições da revista “Sapiência”, da UEG, com 49 artigos técnicos. 
 
Horieste Gomes
Paulista de Igarapava, que se transferiu, ainda criança, para a Goiânia que estava nascendo, o professor Horieste Gomes teve marcante passagem pelos colégios da cidade e ajudou na criação das duas primeiras universidades goianas. Contribuiu significativamente para a compreensão da formação histórica e geográfica do Brasil e de Goiás e propôs mudanças fundamentais a respeito de um dos mais graves problemas da atualidade: a questão ambiental. Na Universidade Católica, ajudou a modernizar o Curso de Geografia; na Universidade Federal, foi um dos idealizadores do Centro de Estudos Brasileiros, a semente do Curso de Geografia, além de participar da estruturação do Departamento de Geografia do Instituto de Química e Geociências – hoje IESA – e do então Instituto de Ciências Humanas e Letras. 

Humildemente, Horieste agradeceu o troféu, disse que representava o perdão por ter matado uma seriema quando jovem, como muitos faziam em seu tempo de juventude, e só depois teve consciência de seu ato, que renegou. Foi amigo de Bernardo Élis, que conheceu em lançamento de livros e depois na militância no Partido Comunista Brasileiro, do qual foi um dos fundadores, em Anápolis.

É autor de dezenas de livros e de diversos artigos científicos sobre a geografia e o pensamento geográfico. Suas ideias sobre território e espaço entendidos no contexto do capital internacional o levaram à prisão e depois ao exílio na Suécia, onde pôde aprender os novos rumos da geografia frente às mudanças políticas, sociais e econômicas que começavam a se delinear no planeta.
 
Ao saudá-lo, o professor Eguimar Chaveiro afirmou que “a mesa representada por autoridades importantes da gestão e do ativismo cultural de Goiás é coerente com o que me traz aqui: sublinhar o reconhecimento do Icebe e das demais instituições presentes ao geógrafo Horieste Gomes. O reconhecimento com o troféu Cariama realça a ligação entre a vasta obra dele e a sua integridade ética”, afirmou: “Entre a pessoa e a obra não há diferença e distância.  Ambos – sujeito e obra – transitaram e formularam um ponto de vista corajoso, consistente, amoroso e humanitário”.

Por conhecê-lo há 40 anos, “na condição de meu professor, colega da Associação dos Geógrafos do Brasil e de trabalho na UFG, campus Catalão e no Instituto de Química e Geociências; confrade do IHGG, e, especialmente, pela amizade, pude ser, além de testemunha de sua trajetória, influenciado pelas suas condutas e pontos de vista. E também tive presente num momento difícil de sua vida: no enterro de seu filho no cemitério Jardim das Palmeiras”, disse. “Ressalto, inicialmente, que Horieste ajudou a criar o Planetário da UFG; a revista “Boletim Goiano de Geografia” e escreveu, com o geógrafo, seu inseparável amigo, Antônio Teixeira Neto e posteriormente com Altair Sales Barbosa, um livro que sintetiza a história da geografia feita em Goiás. Ajudou a criar também o Centro de Estudos Filosóficos e Econômicos de Goiás”, ressaltou.

“Horieste também foi um dos poucos que, com os pés aqui em Goiás, estimulou e participou da chamada virada geográfica no Brasil. Isso foi possível porque ele foi um dos primeiros a conectar geografia e filosofia”, enfatizou. “Muitas vezes cassado, inclusive exilado, não teve tempo e nem quis agir com nenhum revanchismo. O seu entendimento de que a história se move para melhor, apesar das contradições que a constitui, fez elevar o seu espírito de amizade, de compreensão e de sabedoria. Ao abnegar o prêmio Cariama, o Icebe merece também o nosso reconhecimento. O reconhecimento de todos”, completou.
 
Eurico Barbosa
Goiano de Morrinhos, Eurico Barbosa começou a escrever aos 15 anos, no jornal “O Liberal”, de sua cidade natal, e depois trabalhou no jornal “O Popular”. Graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Goiás, em 1957; foi promotor de Justiça, vereador pela UDN, deputado estadual por quatro mandatos, presidente da Assembleia Legislativa e secretário de Estado. Em 1969 os militares cassaram seu mandato parlamentar e suspenderam seus direitos políticos por 10 anos. Jornalista, é escritor e membro da Academia Goiana de Letras, que presidiu em 2001. Reconhecido tribuno, sempre foi coerente com seus princípios, lutando pela democracia e pela justiça social. Nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado em 1990, ocupou a Presidência do TCE em 1999. Aposentou-se em 2002.

Publicou 13 livros, dentre os quais estão: “Um Semanal no Diário”, “Confissões de Generais, A Intervenção Militar na Política Brasileira”; “A Tribuna da Academia”; “Um Parlamentar na Imprensa”; “Pedro Ludovico: a Mudança Revolucionária”; “História e Lembranças”; “A Noite de 15 Anos” e “Rui Barbosa e o Ideal do Tribunal de Contas”.

O jornalista Valterli Guedes, amigo há mais de 50 anos, saudou-o, resgatando sua trajetória, sua liderança em todos os meios por onde passou, tendo sido presidente de várias entidades e instituições, inclusive foi um dos fundadores da Associação dos Cronistas Esportivos de Goiás. “Quando teve seu mandato cassado pelos militares, voltou-se para a advocacia, que exerceu honrosa e basicamente em três cidades: Goiânia, Morrinhos e Goiatuba, quando se organizou financeiramente e fez seu patrimônio, que aplicou na formação de seus filhos”, explicou.
 

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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