A Redação
Goiânia – Seguindo um conceito que parte do Cerrado como princípio inspirador, a 8ª edição da Feira de Arte Goiás (Fargo) 2026 termina neste domingo (17/5), tendo reunido 50 estandes, mais de 1500 obras e um público seleto, composto por galerias, colecionadores, investidores, art dealers, admiradores de arte e frequentadores das principais feiras de arte do Brasil. Desta vez, a iniciativa, que reafirma o Centro-Oeste como potência criativa no campo da arte contemporânea, foi instalada no Museu de Arte Contemporânea de Goiás e em espaços expositivos do Centro Cultural Oscar Niemeyer, ampliando sua ocupação ao integrar também as galerias Galeria D.J. Oliveira e Galeria Cleber Gouvêa Goiânia.

“Ao longo de suas edições, a FARGO vem se firmando como uma plataforma de articulação – não apenas de exibição – capaz de ativar toda uma cadeia produtiva. A presença crescente de galeristas e outros agentes do meio na cidade semanas antes da abertura oficial, participando e promovendo encontros e eventos paralelos, evidencia uma dinâmica que ultrapassa o período da feira e se estende para relações de médio e longo prazo, impulsionando negócios, parcerias e a circulação de artistas”, destaca Wanessa Cruz, diretora da Fargo e sócia da Casa Arte Plena – um dos principais players do mercado de arte do Centro-Oeste.

Programação de peso
Como parte da programação desta sexta-feira (15/5), o artista visual goiano Marcelo Solá lançou na Fargo o livro-catálogo “Ainda Assim por Isso Mesmo”, que reúne imagens das obras da mostra de mesmo nome que está em cartaz no Centro Cultural Octo Marques, em Goiânia.
Ao longo da publicação, que não tem um tema específico, o público pode conhecer mais sobre a história do desenho, desde a pré-história até o desenho contemporâneo e suas mutações.
“As mutações da linguagem me interessam muito e me interessa explorar o desenho como técnica, linguagem, atitude, como pensamento e como forma de comunicação. Este conjunto de obras que poderá ser visto no Octo Marques traz desde criações de meados de 2025 até obras produzidas bem recentemente”, explicou o artista quando abriu a exposição, em março passado.
Nas obras que compõem o livro, cujo lançamento na Fargo reuniu amantes das artes, destaque para a versatilidade de Solá, que trabalhou com diversos materiais, como lápis de cor e lápis pastel, além de técnicas como spray, gravura com desenho, serigrafia, esmalte sintético, entre outros.
Edição histórica
Com mais de 1.500 obras expostas e a participação de centenas de artistas, a feira se consolida, em 2026, também como um dos principais encontros entre produção artística, mercado e pensamento contemporâneo fora do eixo tradicional. “Esse movimento também começa a impactar diretamente a cena local. A ampliação da feira tem gerado demanda por profissionais ligados à arte e à economia criativa – de curadores a produtores, de educadores a montadores -, além de fortalecer o ecossistema cultural da região. Goiânia passa, assim, a ser percebida não apenas como um ponto de passagem, mas como destino estratégico para quem busca descobrir novos artistas, diversificar investimentos e acompanhar a produção contemporânea brasileira a partir de outros territórios”, explica Sandro Tôrres, coordenador geral de projetos da Casa Arte Plena e curador da Fargo.
História de sucesso
Na edição de 2025, a feira recebeu cerca de 20 mil visitantes, com aproximadamente 30% do público vindo de outras cidades e Estados brasileiros, incluindo as regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Para este ano, a expectativa era atingir um público superior a 30 mil visitantes durante os 5 dias de evento. E é justamente para absorver e impactar esse volume crescente de pessoas que a arquitetura do evento se transformou.

“Ver a feira tomar uma nova proporção a cada edição e acessar novos perfis de pessoas interessadas é indescritível. Nosso trabalho com a expografia e a cenografia busca criar atmosferas que conectem profundamente as pessoas às obras. A arte sem o espectador perde o sentido, e presenciar um público não apenas cada vez maior, mas com uma altíssima qualidade de engajamento vivenciando esses espaços, é extremamente gratificante”, pontua Anna Carolina Cruz, diretora artística da Casa Arte Plena e responsável pela arquitetura e expografia da Fargo.
Olhar para a regionalidade
Se, por um lado, o mercado se ampliou, por outro, a Fargo manteve um discurso que vai além da lógica puramente comercial e persiste em fomentar a produção e escoamento locais. A edição de 2026 reforça o papel da feira como espaço de pensamento e experiência, reunindo também debates, lançamentos literários temáticos e encontros que ampliam o acesso e aprofundam as conexões entre artistas, público e agentes do setor.

Essa edição também contou com a volta do Prêmio Estímulo selecionou 10 artistas via edital, avaliados por uma comissão formada por Paulo Henrique Silva, Cinara Barbosa e Sandro Tôrres, profissionais reputados na área. Neste ano, o prêmio é patrocinado pelo colecionador Rogério Ranulfo.
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Outro ponto fundamental da essência da Feira de Arte Goiás é o destaque aos artistas goianos. “Todas as galerias, incluindo as de outros estados, são recomendadas a ter artistas goianos ou da região Centro-Oeste entre as obras expostas; isso valoriza o trabalho desenvolvido aqui e também reforça a potência da arte local”, complementa Sandro Tôrres.
