Samuel Straioto
Goiânia – Os seis candidatos ao governo de Goiás nas eleições de 2026 apresentam propostas diferentes para ampliar e modernizar a infraestrutura do Estado. Os planos incluem desde a recuperação e duplicação de rodovias, a universalização do saneamento e a expansão da conectividade digital até medidas como a implantação de tarifa zero no transporte coletivo, a reestatização de empresas de energia e saneamento e a integração entre infraestrutura, emprego e mobilidade.
Levantamento feito pela reportagem do jornal A Redação, a partir da análise dos planos de governo apresentados pelos candidatos Daniel Vilela (MDB), Danilo Pinheiro (PCO), Luciana Amorim (UP), Luís César Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), mostra que a infraestrutura aparece associada a diferentes estratégias de desenvolvimento regional, mobilidade urbana e planejamento territorial.
Os documentos também apresentam níveis diferentes de detalhamento. Enquanto alguns candidatos estabelecem programas específicos para rodovias, saneamento, energia e conectividade, com metas e critérios de priorização, outros tratam o tema de forma mais genérica, associado a propostas de desenvolvimento econômico ou de caráter nacional.
Daniel Vilela (MDB)

O plano de governo de Daniel Vilela reúne a infraestrutura no eixo “Infraestrutura, Território e Sustentabilidade”, um dos seis eixos estratégicos do documento. A campanha do emedebista apresenta como ponto de partida investimentos já realizados na atual gestão, como mais de R$ 4,3 bilhões aplicados em saneamento e o avanço do índice de cobertura de esgotamento sanitário, que teria saltado de 59,83% para 74,55% entre 2019 e julho de 2025.
Para o próximo ciclo, o plano propõe ampliar e conservar a malha logística responsável pelo escoamento da produção e avançar rumo à universalização do saneamento, garantindo energia e segurança hídrica para sustentar a expansão da economia.
A proposta de desenvolvimento regional prevê o fortalecimento de planos territoriais já existentes, como o Plano de Desenvolvimento do Vale do Rio Araguaia e o Plano Diretor Florestal, além do apoio a cadeias produtivas locais e à diversificação econômica dos municípios.
No saneamento, o documento propõe agilizar os investimentos estruturais em coleta e tratamento de esgoto, ampliar a eficiência do abastecimento de água e fortalecer a segurança hídrica urbana, incluindo apoio a municípios para a erradicação de lixões.
Na mobilidade, a proposta é dar continuidade ao programa Nova RMTC, com renovação da frota por veículos elétricos e movidos a biometano, modernização de terminais e um serviço de consulta gratuita a horários, rotas e saldo de cartões pelo celular, sem consumir a franquia de dados do usuário.
O plano também apresenta o programa “Goiás Resiliente e Verde”, voltado à adaptação climática, à proteção do Cerrado e ao fomento de mercados de carbono, bioeconomia e energias renováveis, associando a política de infraestrutura à sustentabilidade ambiental.
Danilo Pinheiro (PCO)
O programa apresentado pelo Partido da Causa Operária não traz um capítulo específico dedicado à infraestrutura estadual de Goiás. As propostas relacionadas ao tema têm caráter nacional e estão associadas à defesa da estatização de setores estratégicos da economia brasileira.
Entre as medidas com relação indireta à infraestrutura está a nacionalização e estatização, sem indenização, de reservas minerais e refinarias atualmente sob controle de empresas privadas ou estrangeiras, com a proposta de destinar essa riqueza a investimentos em saúde, educação, moradias populares e obras de infraestrutura. O documento também defende a redução imediata do preço dos combustíveis em 50%, associada ao fim da política de paridade com o dólar.
Sobre as terras raras, cuja exploração no Estado é mencionada em outros planos de governo, o PCO propõe a criação de uma empresa estatal para controlar a extração, sob comando dos trabalhadores, sem apresentar, no entanto, um detalhamento específico de investimentos em infraestrutura para Goiás.
Luciana Amorim (UP)

O plano de Luciana Amorim, da Unidade Popular, associa a infraestrutura à reestatização de empresas públicas e à ampliação do transporte coletivo como direito social. Entre as propostas está a reestatização da Celg, distribuidora de energia elétrica, e a interrupção do processo de privatização da Saneago, companhia estadual de saneamento básico.
Na mobilidade, o documento propõe uma auditoria de todos os contratos estaduais com empresas de transporte público coletivo e respectivos subsídios, além da reestatização de todos os meios de transporte coletivo do Estado. A proposta também inclui a implementação do passe livre irrestrito para estudantes no transporte coletivo.
O plano defende ainda investimento na ampliação e qualificação da rede ferroviária e hidroviária, com o objetivo de melhorar a integração do território goiano ao restante do país. A garantia de saneamento básico e coleta de lixo para todas as famílias goianas também aparece como compromisso do programa, associada à proposta de reforma urbana e de planejamento territorial integrado.
Luís César Bueno (PT)

O plano de Luís César Bueno organiza a infraestrutura a partir de oito zonas econômicas regionais, sob o princípio de que a infraestrutura deve anteceder a demanda: áreas com energia, água, acesso, internet e licenciamento mapeados antes da chegada de novos investimentos.
O documento estabelece programas transversais que atravessam todas as zonas, entre eles o Goiás Multimodal, voltado a rodovias, à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), à Ferrovia Norte-Sul, a aeroportos, terminais e distritos logísticos, com o mapeamento de vinte gargalos e três plataformas intermodais estruturadas.
O plano também apresenta o programa “Energia para Produzir e Viver”, com mapa de capacidade por polo e carteira de subestações, transmissão, energia solar, biomassa, biogás e armazenamento, e o programa de água, saneamento e cidades, voltado à execução de obras de esgoto, drenagem e resíduos. Outro eixo é o Goiás Digital, para expansão de fibra óptica e conectividade em áreas produtivas, rodovias e zonas rurais.
O documento cita ainda uma carteira de recursos já prevista em seleções do Novo PAC, incluindo R$ 258,9 milhões para esgotamento sanitário, R$ 110 milhões para drenagem e R$ 94,8 milhões para urbanização de periferias.
Na mobilidade urbana, a proposta central é a implantação progressiva da Tarifa Zero no transporte coletivo, com prioridade para a Região Metropolitana de Goiânia e, mediante cooperação com a União e o Distrito Federal, para o Entorno.
O plano condiciona a gratuidade a três gatilhos simultâneos — financeiro, operacional e de qualidade —, com um Fundo Metropolitano de Mobilidade e Tarifa Zero reunindo recursos do Estado, dos municípios, da União e de receitas extratarifárias. O documento afirma que a gratuidade só deve avançar quando houver fonte permanente de financiamento, capacidade operacional comprovada e indicadores mínimos de qualidade do serviço.
Marconi Perillo (PSDB)

O plano de Marconi Perillo dedica um capítulo específico à infraestrutura, batizado de “Infraestrutura, Logística e Desenvolvimento Regional”. A proposta central é recuperar, pavimentar, modernizar e, onde houver justificativa técnica e de demanda, duplicar rodovias estaduais, substituindo a lógica de intervenções emergenciais por uma política permanente de conservação da malha rodoviária.
O documento também prevê apoio à recuperação de estradas vicinais em cooperação com os municípios, priorizando ligações estratégicas para o escoamento da produção e o transporte escolar.
Na logística, o plano propõe ampliar a integração de Goiás aos grandes corredores nacionais, articulando rodovias, ferrovias, terminais, plataformas logísticas e aeroportos, com acompanhamento institucional da implantação de projetos ferroviários que atravessam o Estado, como a conexão com a Ferrovia Norte-Sul.
Na mobilidade urbana e no saneamento, a proposta é apoiar municípios e regiões metropolitanas em investimentos de pavimentação, drenagem e transporte coletivo, além de fortalecer a capacidade de investimento da Saneago, com prioridade para a segurança do abastecimento de água e o avanço das metas de universalização do esgotamento sanitário.
O documento também propõe ampliar a conectividade digital no território, com atenção a localidades e áreas rurais onde a falta de acesso ainda dificulta a educação, a saúde e a atividade produtiva.
O plano associa esses investimentos a uma política de desenvolvimento regional que considera as diferenças econômicas e territoriais entre as regiões de Goiás, com atenção especial aos pequenos municípios.
Wilder Morais (PL)

O plano de Wilder Morais organiza a infraestrutura no programa “Infraestrutura que Funciona”, uma das sete prioridades do governo, e no programa “Energia, Água e Conectividade”. Na parte rodoviária, a proposta é criar o sistema “Goiás Responde Rápido”, para comunicação e resposta rápida a problemas nas rodovias estaduais, além de separar o orçamento de conservação do orçamento de expansão, para evitar o abandono de trechos já existentes em favor de obras novas.
O documento também prevê apoio a estradas vicinais e pontes municipais por meio de convênios com padrão de engenharia definido.
Na logística, o plano cita a preparação da Plataforma Multimodal de Anápolis e de suas conexões ferroviárias, aeroportuárias e rodoviárias, além do planejamento de novos corredores de ônibus e terminais nas regiões metropolitanas de Goiânia e do Entorno do Distrito Federal. Uma proposta específica é a Meia Passagem do Entorno, voltada a reduzir o custo do transporte para cerca de 150 mil pessoas que se deslocam diariamente entre Goiás e o Distrito Federal, com impacto estimado em R$ 26 milhões mensais aos cofres públicos.
Em energia, água e conectividade, o documento propõe publicar um painel de qualidade e capacidade de energia, priorizar a conexão de empreendimentos em áreas de demanda comprovada e planejar o abastecimento de água por bacia hidrográfica.
Na conectividade digital, a proposta é medir velocidade, disponibilidade e tempo de reparo da internet em escolas e unidades de saúde, ampliando soluções por fibra, rádio e satélite. O plano também prevê estimular a geração distribuída, o biogás e a eficiência energética quando houver redução de custo comprovada.
Resumo das propostas para Infraestrutura
| Candidato | Partido | Principais propostas |
|---|---|---|
| Daniel Vilela | MDB | Universalizar o saneamento, dar continuidade à Nova RMTC com frota elétrica e a biometano, e fortalecer planos regionais de desenvolvimento territorial. |
| Danilo Pinheiro | PCO | Nacionalização de reservas minerais e refinarias e redução do preço dos combustíveis, sem programa específico de infraestrutura para Goiás. |
| Luciana Amorim | UP | Reestatização da Celg e da Saneago, reestatização do transporte coletivo, passe livre para estudantes e ampliação da rede ferroviária e hidroviária. |
| Luís César Bueno | PT | Implantação progressiva da Tarifa Zero no transporte coletivo e programa Goiás Multimodal, com infraestrutura planejada antes da demanda em oito zonas econômicas. |
| Marconi Perillo | PSDB | Recuperar, pavimentar e duplicar rodovias estaduais, integrar Goiás aos corredores logísticos nacionais e fortalecer a Saneago. |
| Wilder Morais | PL | Programa Goiás Responde Rápido para rodovias, Plataforma Multimodal de Anápolis e Meia Passagem do Entorno. |
